domingo, 31 de maio de 2009

Inodora manhã



E corri a língua e senti…Senti-a nos lábios mas não o seu cheiro, nenhum odor de mulher, apenas o característico cheiro a pó dum buraco de homem desleixado ou convencido de outras prioridades mais importantes que a limpeza da casa. Fiz a busca habitual às gavetas e às coisas que imaginava valiosas, nada tinha desaparecido, tudo estava intacto, ela entrou na minha casa fodeu-me, marcou-me e deixou-me e deixou-me um bilhete que tinha que ter significado e deixou-me uma embalagem de preservativo caída no chão, apenas uma, tanto desejo tanto tesão e só a fodi uma vez…

Guardei a embalagem como se fosse uma coisa importante, sem sequer olhar para ela, guardei-a na carteira e fui tomar banho, estava viscoso de suor mas apenas reconhecia o meu cheiro e isso incomodava-me e eu sou um homem de incómodos, tenho o incomodo como motor da vontade e enquanto a agua corria, quente, mais do que o corpo aprecia ouvi o telefone tocar e procurei imaginar quem seria sem querer sair da sensação de escaldo que sentia sobre as costas e depois deixou de tocar ou eu de o ouvir e fechei os meus olhos e voltei a ver os seus olhos por debaixo das pestanas e entre sobrancelhas, olhos castanhos escuros e brilhantes e senti o caralho mexer-se com vontade própria e ignorei-o, não podia, não queria fazer nada por ele que me tinha traído, apenas a tinha fodido uma vez, uma noite longa com a mulher mais inebriante que alguma vez tinha conhecido e apenas a tinha fodido uma vez.

Sai do chuveiro, sequei o corpo ainda em busca do seu cheiro e vesti uma camisa lavada, umas calças coçadas ainda não suficientemente imundas e calcei uma meias que voltei a descalçar quando o dedo grande do pé ficou de fora num buraco, procurei outras na gaveta e acertei à terceira. O telefone indicava que tinha uma mensagem, encostei-o ao ouvido e liguei para a caixa de mensagens e ouvi. Era uma proposta de trabalho, um biscate para investigar uns boatos sobre uma figura publica que segundo o que parecia andava a mijar fora do penico e a mulher não sabia ou não queria saber mas a imprensa fazia questão que soubesse. O meu ganha pão, descobrir segredos suficiente sórdidos para que me pagassem para os contar ou imensamente sórdidos para que me pagassem para não os contar, sempre me tinha sentido mais ético aceitar a segunda hipótese.

Recordei o que me levara à falésia na véspera, violara o mais elementar dos princípios, deixara-me envolver demais por um caso, aceitei que me pagassem o silencio em género e no final acabei sem nada, nada para vender e nada para capitalizar, sem mulher nem dinheiro nem propriedade, o predador encurralado pela presa.
Ela uma actriz em alta, primeira figura em novelas de televisão, menina bonita do publico, capa de revista com estatuto de quase santa, virgem sem macua mas com um esqueleto de dinossauro dentro do armário dos sapatos que eram muitos. Não foi fácil, mas tinha conseguido desenterrar que ainda com dezasseis anos tinha engravidado e tido uma criança sem ninguém saber, nem mesmo os pais, coisa impressionante como é que uns pais se conseguem alhear tanto de uma filha que durante nove meses nada percebem e ainda a censuravam que estava gorda, que isso não a ia ajudar a ser famosa. No fim com a ajuda de uma amiga pariu e deixou a criança à porta de uma igreja, porque é que se deixam crianças à porta das igrejas sempre me fez confusão, nunca me pareceu que os padres tivessem dotes particulares de puericultura, resta Deus como motivo, mas eu com Deus tenho uma relação particular de desconfiança e um pacto de não agressão, eu não o chamo em vão e ele faz por me ignorar no resto do tempo, até agora tinha resultado.

A criança foi adoptada e levada para o estrangeiro por um casal abastado, outro negocio meio estranho mas que não me interessou particularmente, terreno demasiado pantanoso onde corria o risco de me atolar em merda, quando a confrontei com a situação nada fez por negar, apenas me pediu para saber mais, disse que não tinha medo do escândalo, queria saber da filha e eu coração mole fui na conversa e quando dei por mim estava deitado com ela na mesma cama a lamber-lhe os seios e a contar-lhe tudo, todos os pormenores a prometer ajudá-la a reaver a filha, num repente tudo desapareceu, criança, pais adoptivos, todas as pistas limpas como a sua imagem, uma amostra condigna do poder do dinheiro e eu com uma ameaça séria de que se a voltasse a incomodar acabaria com os colhões na boca e apenas com o ar que respirava a prazo e como das outras vezes fui ver o mar e a atracção do salto que nunca daria, por ser demasiado covarde.

Reparei de repente que não tinha feito a barba, mas não me apeteceu, enfiei duas fatias de pão bolorento na torradeira, o milagre que o calor intenso faz ao bolor à muito que me tinha convencido a ignorá-lo, era a minha contribuição como elemento reciclador de lixo. Barrei abundantemente manteiga e abri uma lata de cerveja o que me pareceu adequado para aquela hora de manhã onde qualquer coisa mais forte me podia enevoar o raciocínio. O raspar do pão nos lábios fez-me arder a ferida e trouxe-me de novo à memoria a mulher da noite anterior e do acaso do encontro, ou talvez não, a sorte não costuma dormir comigo e aquela mulher seria na tabela de qualquer homem um sinal de sorte, mas eu sou desconfiado, ainda não tinha decidido se voltaria à falésia hoje à noite, mas sabia no meu intimo que essa escolha não era minha, que quando desse por mim estaria lá parado à espera do que sabia não ia acontecer, mas tinha que esgotar essa possibilidade, de voltar a rever aqueles olhos e voltar a sentir aquele cheiro que não conseguia recordar. Voltei a ouvir a mensagem. A vitima era um politico em ascensão, um paladino com futuro, material ministeriável, casado pai de dois filhos pelos vistos com um caso com um secretario, pelo menos desta vez não ia acabar na cama com ninguém ou pelo menos assim o desejava.

Sai para a rua e o sol incomodou-me os olhos e eu sou um homem de incómodos é o meu motor de vontade, pus os óculos escuros, acendi o cigarro e parti à procura de um cheiro perdido na manhã.
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Beck-Looser

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Desígnios de caminhar,



Nascemos e iniciamos um caminho que nos orienta para a morte. Nesta forma sou minimal a justificar o meu existencialismo assumindo a certeza da morte como consequência do nascimento e o risco de poder vir a ser castigado por descrença numa continuidade espiritual que não espero de penitencias ou recompensas.

Há sempre um caminho que escolhemos ou que nos escolhe e que percorremos umas vezes sós e outras só acompanhados, outras ainda em partilha de caminhada. Este caminho que se inicia no primeiro instante em que temos consciência de arbítrio é feito de muitos troços de caminho, uns bem vincados de margens definidas, outros ténues quase inconscientes.

Por cada caminho ou pedaço de vida que se passa aprendemos e armazenamos experiencias úteis, fúteis ou inúteis, imagens, memórias ou recordações e lamentamos escolhas ou glorificamos opções, podemos até parar de caminhar na certeza porem que o caminho não pára, transmuta-se em tempo envelhecendo a paisagem numa sementeira de rugas de pele e de alma até ao arrependimento ou ao alivio de um final.

No caminho há encruzilhadas, pontos de encontro entre caminhos, locais de decisão, locais de mudanças, locais de convergência de paralelos e de rotação de perpendiculares, pontos de encontro entre caminhantes, oportunidades de somar outras experiencias às que temos ou que ainda não temos, de as transformar em forças de mais caminhar. A oportunidade da encruzilhada no momento do encontro pode representar o momento mais importante de uma vida, este é o momento em que a luz não nos pode ofuscar, este é o momento de ignorar o apelo da segurança do casulo, este é o momento onde o risco se delineia em direcção e a duvida na certeza de um passo em frente.
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Dire Straits-Walk of life

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cheiro de nós



Alguém me disse, numa forma assim tão natural referindo-se a algo da importância que se dá às coisas que se esperam sem pressas, que lhes faltava ainda ganhar o cheiro a corpo.
Aquela frase tão simples e tão pura ficou a baloiçar-me na mente como se de repente todas as minhas faltas e ausências pudessem ser explicadas na força de tão poucas palavras.

Falta-me ainda ganhar o cheiro a corpo, falta-me ainda perceber que o cheiro do meu corpo pode ser sentimento de falta de outro corpo, falta-me ainda destilar a soma de dois cheiros a corpo como o cheiro de um corpo só.
Se não posso explicar o amor ou bastar-me em desamor, posso entender essa falta de ganhar ainda o cheiro a corpo como a forma física de não o sentir.

Falta-me ainda ganhar o cheiro a corpo e falta-me ainda poder perder este cheiro a corpo por entre os corpos dos nossos cheiros .



A frase roubei a quem tem a capacidade de dizer assim estas coisas fantásticas sem se dar por isso.
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Elba Ramalho e Alceu Valença-Trem das ilusões

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Sexto sentido inverso da teoria teológica de uma evolução assistida ou em auto aniquilação por mérito próprio



Hoje queria falar de Deus. Sei que neste momento, metade dos leitores vão parar de ler porque acham que vou ser desrespeitoso para com as suas crenças, desde já clarifico que sou agnóstico o que quer dizer que estou por tudo e sou agnóstico multi-partidário o que significa que se me aparecer à frente um Deus com cara de bicho ou com muitos braços ou gordo que nem Buda e me mostrar por A mais B que é Deus eu aceito, não quer dizer que não refile por ter aparecido sem se anunciar primeiro, um SMS não tinha custado nada, Revelo-me segunda-feira faz-me uma sopinha e compra fruta e iogurtes naturais, porque eu mesmo sendo agnóstico gosto de receber quem me visita de forma digna, mas como parece que Deus é omnipresente não sei se não ficaria desconfortável com os pés de fora no colchão insuflável que tenho lá para um canto e que ainda por cima têm um furo que ainda não consegui descobrir, mas se calhar podia aproveitar a presença de Deus para me indicar o furo e isso seria sem duvida uma prova de que Deus é Deus, porque já dei voltas e voltas e não consigo encontrar o maldito furo, mas duvido que Deus me visitasse para me ajudar com problemas de buracos e percas de ar, ele sabe que sendo eu agnóstico e aceitando a possibilidade da sua existência o considero em divida para comigo por algumas sacanices que me tem feito e por tanto ou me aparecia para se me explicar que raio de sentido de humor retorcido é aquele que pratica, que enfim podem-me acusar de muita coisa mas sou incapaz de não aceitar uma piada de gosto duvidoso se bem explicada ou então para me recompensar por qualquer coisa que terei feito de bom sem ter dado por isso, mas duvido e é por tantas duvidas que sou agnóstico, se o milagre da criação não pode ser explicado por teorias evolucionárias ou seja: uma coisa desta dimensão e assombro têm que ter a mão de um Deus, como posso eu Ser duvidoso aceitar que alguém com a capacidade de poder criar coisa tão perfeita como a criação possa por si só existir de forma espontânea e não ser a criação de um Deus maior, um Deus de Deus e por ai fora podíamos evolucionar num ciclo continuo de divindades com apetências criativas e vontade de brincar com plasticina genética.

Mas aceitando que Deus fez o homem e pondo de parte a questão da semelhança, porque sendo agnóstico aceito a possibilidade da existência de Deus sobre outras formas, não me parece que tenha sido um momento de grande inspiração, mas equilibrou as coisas e criou as cerejas, que na minha modesta opinião são o verdadeiro fruto proibido, já com certeza repararam bem na forma de uma cereja, tirando o pauzinho que não faz lá falta nenhuma, aquelas linhas suaves de fruto sensual e apetecível são divinas e todos sabemos que o vermelho puro é a cor do pecado e não me lembro de nenhum vermelho mais puro do que o de uma cereja, bem talvez tirando o de um Ferrari mas esse sabemos que não é obra de Deus, que mesmo sendo agnóstico sei que não percebe nada de mecânica e nunca personificaria um Italiano porque de uma maneira geral falam demais ou são gays ou as duas coisas e há quem diga até que cheiram mal em sítios que é melhor nem trazer à baila, mas se Deus criou as cerejas que para mim simbolizam o pecado e eu não consigo imaginar o pecado sem a existência da mulher que nalgumas ideologias terá sido obra do Diabo que até posso aceitar como heterónimo ou nome antiartístico de Deus para performances alternativas , seria uma vez mais uma visão puramente machista que se diga que o homem é obra de Deus e a mulher do Diabo , até porque me parece uma obra muito melhor acabada e com um grande potencial de crescimento assim lhe dêem espaço e motivação e recompensa e eu gosto de imaginar que não será pecado pensar que de entre as mulheres bendito o fruto e a cavalo dado não se olha o dente.

Depois há aquela questão da reencarnação, que sendo agnóstico admito como possibilidade e não pensem que sou assim tão tarado que a ter voto de escolha na próxima reencarnação quisesse voltar como elemento vibratório longitudinal ou instrumento de ginecologista, uma daquelas pinças que tem um nome esquisito e que não vale a pena aqui tentar reproduzir, mas sim como um elemento construtivo para o equilíbrio da criação como penitencia de ter pertencido a esta raça malvada, talvez como gaivota que é um bicho que aprecio embora condenado a comer merda nos esgotos, mas que tem um papel importante na manutenção do ecossistema ou como uma planta de Aloé Vera que todos sabemos o bem que faz a quase tudo, verdadeira dádiva de Deus. milagre da natureza e que soa tão bem na articulação oral que algumas vezes no momento de êxtase me apetece gritar Aloé, Aloé Vera, mas receio ser incompreendido e desvio a conversa para um: Oh meu Deus, o que me faz pensar bem nas coisas e resumindo toda esta minha dissertação, como posso eu duvidar da existência de Deus quando o invoco num momento importante da minha vida e que para além da Aloé Vera ainda temos as cerejas e as mulheres, esquecendo que poderão ter sido obra do diabo e as gaivotas embora essas possam não ser um bom exemplo de perfeição porque comem merda e me deixam a pensar se Deus gosta mesmo de gaivotas.
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Banda do Casaco-A Cavalo Dado

sábado, 23 de maio de 2009

Sentimento fluido


A tristeza é um sentimento fluido, entra-nos por dentro da alma sem reserva antecipada, como um viajante vadio. Espreito por outras janelas à procura de outras cores de menos cinza e apenas percebo angustias noutras formas, formas de ausência, formas de carência, formas de falta, formas que me fazem equacionar o peso real da minha razão de estar triste mas que de forma egoísta somo ao meu sentir como se na empatia pudesse inventar um caminho certo para transformar esperanças em dias felizes.

A desesperança é o fim da tristeza, como a morte é o fim da capacidade de poder chorar. Na génese de uma lágrima há um sentimento fluido e sal, afinal apenas mais uma partícula de mar e sinto vontade de me sentar a olhar o tempo passar em direcção a esse mar todo de outras lágrimas , não para as ver secar mas sim para que nesse tempo o seu sal faça arder as feridas até que possam desabrochar em cicatriz.

Hoje foi só outro dia de sentimentos fluidos.
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Otis Redding-Sitting on the dock of the bay

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Inquilinos

Aos meus inquilinos, musica e palavras.


Para a Hedgie

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Caetano Veloso-Tigresa


Para o Bruno Fehr

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Gabriel o Pensador-Cachimbo da paz


Para a Pronúncia


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Rodrigo Leão-Voltar


Para o Forteifeio


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Resistência-Marcha dos desalinhados


Para a Ana


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Sergio Godinho-Dancemos no mundo


Para a Ipsis


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Doces Bárbaros-Esotérico


Para a Princesa


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Clã-Sopro no coração


Para a Jane


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Gift-Gaivota

Para a Silvia

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GNR-Bem vindo ao passado

Para a I.D. Pena

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Rádio Macau-Amanhã é sempre longe de mais

Para o Daniel

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Jorge Palma-Valsa de um homem carente

Para o Treze


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Rui Veloso e Sara Tavares-Saiu para a rua

Para a Storyteller

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Entre Aspas-Uma flor

Para a Teresa

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Madredeus-Oxalá

Para a Fada

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Diva-Baila Papoila

Para a WAI

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Marisa Monte-Bem que te quis

Para a Afrodite

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Elis Regina-Com esse que eu vou

terça-feira, 19 de maio de 2009

O pecador de palavras


Eu hoje sou nas palavras o seu pecador é por elas que me acordo no senso e mergulho no sonho é por elas que me visto na noite e transvisto no dia é por elas que me alimento no ar e nutro no fogo é por elas que sou sangue na tinta e paixão no papel é por elas que aqui estou e me ausento da vida é por elas que me perco ainda e ainda te reencontro.

A palavra é o meu pecado e todo o pecado tem penitencia e esta por vezes dói, condena-me a viver apenas de palavras , devoto e submisso imploro-lhes que não me faltem, que me indiquem a próxima sílaba, que me salvem da semântica linear e me perdoem a incoerência verbal num desejo egoísta do deslumbre fugaz do prazer que provoco a quem as lê.

Pago a penitência com o desalento da solidão, fechei-me entre palavras, elas são o limite do meu mundo, ansiava transforma-las em pontes mas solidificaram em muralhas, ocultam-me do passado absorvendo o presente sem promessas de futuro. Eu escrevo a palavra que define o pecado e a penitência que se define na palavra. Não sei mais se escrevo para quem me lê ou me leio por quem me escreve, mas são só palavras apenas pecados.

Hoje a minha vida é a palavra e a palavra não me suporta a vida, o meu pecado cria somente dependência desta penitência.
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Mariana Aydar-Palavras não falam

domingo, 17 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quinto elemento em adenda para ajudar necessitados no preencher do anexo H do IRS



O post anterior suscitou tanta interpretação díspar que me senti na obrigação de exercer o dever cívico de elucidar, explicar, ajudar, empurrar e salientar o que de bom podemos encontrar no mistério do anexo H.

Essa explicação pode ser encontrada aqui:

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LAURIE ANDERSON - LANGUE D'AMOUR

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quinto elemento para a compreensão da vida, do amor e do preencher do anexo H do IRS


A vida e o seu significado são objecto de estudo e formulação de teorias desde que o homem, descobriu que o excesso capilar não agradava a todas as mulheres e se pôs a disfarçar o cheiro de bedum o que provocou o inicio do aumento demográfico e a consequente migração de patos para o sul no inverno, também porque faz frio no inverno e os patos não são tão parvos quanto querem fazer parecer com aquele andar torpe e grasnar irritante, eu por exemplo não gosto muito de pato, só em arroz e tem que ser o pato desfeito sem ossos e um ovinho por cima coradinho no forno.

Mas se já falei no significado da vida o que dizer do amor? Eu pouco sei sobre isso, mas aparentemente muita gente sabe e seria falta de respeito pôr-me aqui a brincar com o assunto quando ele importa a tantos e tantos podem falar mais e melhor sobre ele do que eu, por isso vou antes falar de outra coisa, mas que outra coisa? O que é que poderá ser mais importante que o amor? Ora uma vez que não posso voltar a falar de patos, porque ai estaria a relacionar o amor com o sentido da vida e sabendo da minha paixão por bichos e da sua capacidade de simular em modelo reduzido e à escala isotrópica os comportamentos dos homens, poderia falar de moluscos, que aprecio particularmente, pelo gosto simples e até pelos seus nomes patuscos, se não vejamos, temos os burriés que sabem a mar e são assim a modos que caracóis de agua sem cornos, mas que do ponto de vista da piada, têm montes de possibilidades e os mexilhões, esses mexilhões sempre uns incompreendidos eu por exemplo, dava um bom mexilhão e por mais nada além de ter umas manápulas grandes e dedos ágeis e depois o que dizer ainda do lingueirão, assim comprido e sempre a deitar a língua de fora o que bem explorado poderia dar outro significado ao amor e cá voltei sem querer ao assunto e pronto vamos lá falar de amor já que não posso mesmo falar mais de patos.

O amor é… penso que até já falei sobre isso. Mas temos o amor carnal e o amor fraterno, o amor clubista que na maior parte dos casos é colorido e riscado, eu até acho interessante um amor ser colorido, que isso de platonismo é coisa de bichóla, eu sei que a palavra não existe mas é bichóla mesmo, peço desculpa aos leitores mais conservadores, mas eu digo o que penso das coisas, sem rodeios e depois temos o amor politico e não estou a falar do amor da Manela ao Zézinho que eu sei que quem desdenha quer comprar e da história da farinha ser do mesmo saco , mas do amor a uma causa, a um ideal e temos o amor a determinado personagem real ou imaginado, eu cá gosto do Snoopy e do Garfield, que é um gato gordo que ama lasanha e dias de segunda feira passados em modo preguiça e a preguiça é tão bom e é um outro bicho também incompreendido, mas amoroso e isso se calhar é a verdadeira definição do amor, quando dizemos que isto ou aquilo é amoroso ou seja identificamos claramente o objecto amado, mas o curioso é que normalmente quando dizemos que algo é amoroso existe uma noção de redução a algo que não é nada mais do que amoroso, sem qualidade adicional ou pior como desculpa, cheira mal mas é amoroso, morde mas é amoroso, provoca comichão nos ortelhos e esta não é inocente e olha eu aqui a deitar-te a língua de fora mas é amoroso, é um chato com estes textos parvos e estranhos que nos deixam a pensar no que raio é que ele quis dizer com isto, que mensagens se escondem nas entrelinhas e falsas virgulas e mudanças súbitas de assunto e na conversa dos patos mas é amoroso, ora eu não quero ser amoroso por apenas ser fofinho e estar aqui à mão.

PS. Sobre o anexo H do IRS, façam como eu desenrasquem-se…
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Art of Noise-Peter Gunn

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Criatura da Noite


Parei o carro e saí. Não me pareceu importante o sitio onde o deixava, nem trancar as portas. Dirigi-me à beira da falésia sem ideias nem resoluções e olhei o mar. A luz da lua desfazia-se em reflexos de peixes prateados, espelhados na superfície como mortos, esta lua em noite de sombras incomodava-me. Deixei as pontas dos pés, alinhadas sobre o vazio e tentei-me a olhar o escuro.
- Por ai arriscas-te a falhar, a queda não deverá ser fatal – A voz veio repentina, seca, doce de mulher, por detrás de mim – Mais acima é mais certo, o voo é curto mas as rochas lá em baixo dão-te a garantia de que não acabas no hospital a lamentares a decisão.
-Eu não…- As palavras sufocaram, vi-a agora como um vulto, magra, aparentemente jovem, um pouco mais baixa que eu, de calças e camiseta justa, atraente. – Eu moro aqui perto, venho aqui para pensar - Disse sem convicção, enquanto lhe tentava perceber a dimensão dos peitos.
-Pois, sei, olha não quero saber se te vais mandar dai abaixo ou não, mas antes podias… não tens por acaso ai um cigarro? – Aproximou-se e pude ver um rosto magro, ainda indistinto, tirei o maço do bolso e passei-lho, sacou um cigarro e tirou um isqueiro do bolso e acendeu-o. Num instante de luz pude ver uma face de lábios carnudos e uns olhos castanhos enquadrados nas mais belas pestanas que alguma vez vira, não era uma mulher deslumbrante mas tinha algo que me perturbou e a escuridão voltou a ocultar-lhe o rosto.
-Esta lua atrai os suicidas – A voz continuava áspera, doce, sem sentimento – Deixa-me adivinhar, descobriste hoje que a mulher que te dava tesão, só andava a brincar contigo, que fodia com outro, ou com outros e apeteceu-te ver se tinhas tomates para acabar com aquilo que pensas ser a merda da tua vida? - Aquilo soou como um soco no estômago, quem é que esta gaja pensava que era – Olha, se moras aqui perto, não tens por acaso nada que se beba? Estou com sede e apetecia-me algo que me aquecesse a garganta e fizesse libertar este frio que sinto por dentro – Olhei-a incrédulo e virou-me as costas a olhar para algo que não estava lá, tentei entender como teria chegado, mas não consegui perceber nenhum carro, não podia simplesmente ter caminhado até ali, mas de repente isso deixou de importar e disse-lhe que sim, que podíamos ir até minha casa, que tinha uma garrafa de whisky por abrir, se lhe servia. Sem uma palavra dirigiu-se para o meu carro, entrou e fiquei ali parado por um instante aparvalhado sem saber o que fazer, depois encolhi mentalmente os ombros, entrei no carro e arranquei.

No caminho, não disse uma palavra e adivinhando-lhe a vontade, estendi-lhe o maço e sorriu enquanto acendia outro cigarro e pude perceber-lhe o corpo atlético, bem feito e o rosto e os olhos, aqueles olhos entre pestanas e sobrancelhas, que se talhadas pelo mais perfeito artista não podiam ser mais belas.

Enquanto subíamos as escada, fiz por ficar atrás e apreciei-lhe as formas. – Não me apalpes o cu, mas podes olhar, sei que o tenho ai atrás… - Engoli em seco e achei que a melhor coisa que podia dizer era o silêncio. Entrámos e fui buscar a garrafa e dois copos, enchi um de liquido dourado a oscilar a luz e estendi-lho, voltou a sorrir e pegou-o com a mão, levou-o à boca e bebeu quase com o bordo do copo a devorar-lhe o nariz, pequeno de ar irrequieto no meio dos olhos e das pestanas, aquelas pestanas não podiam ser reais. Andou pela sala, tocando ao de leve com as pontas dos dedos nos objectos por onde passava, nos livros na estante, nos CD’s, nos cães de porcelana e depois aproximou-se, primeiro o corpo, depois o rosto e os lábios sentiram os meus e beijou-me.

O beijo foi álcool e depois ardor e depois mel e depois sufoco e apertei-a nos braços e senti o seu corpo contra o meu, os peitos acolchoados contra o meu, os sexos roçaram-se e senti-me crescer, a minha masculinidade parecia não a incomodar e senti a sua mão e depois desapertou-me a camisa e deixou-me os lábios para me mordiscar um mamilo e senti um tremor que não podia ser da bebida e procurei de novo os seus lábios. Arrastei-a para cima da cama e puxei-lhe a camiseta pela cabeça e devorei-lhe o peito como se fosse a ultima coisa que faria na vida e empurrou-me para trás e fiquei a olhar-lhe não os olhos, mas aquelas pestanas e despiu-se e eu achei que também me devia despir e puxei-a de novo, nus, pele contra pele, suor que apenas se adivinha e cheiro, cheirava somente a mulher e estava a deixar-me louco.

-Olha há algo que tens que fazer primeiro, nenhum de nós quer acordar arrependidos de ter dado uma foda na sorte – tirou algo do bolso das calças, entretanto caídas no chão, que percebi ser uma embalagem de preservativo, rasgou a ponta, tirou a membrana e pegou-me no sexo – Queres tu pôr, ou ponho eu? – Só a olhei… Sorriu e beijou-me de novo enquanto a desenrolava e me cobria com um saber que me assustou, tentei não pensar nisso e senti a sua humidade com a pontas dos dedos, quis acreditar que tremeu.

De repente deitou-se sobre mim e mordeu-me os lábios e o gosto de sangue inundou-me os sentidos.
-Porque fizeste isso?
-Quero que me sintas amanhã, quero que me sintas depois de já não teres tesão, quero que sintas depois, quero que me sintas o cheiro quando passares a mão pela tua boca.

Voltei a beijá-la e o sangue deixou de ser sangue mas fluido de vida e penetrei-a e senti o seu encaixe e sintonizámos a nossa convulsão num esborrachar consentido, apertou-me por dentro e tentei resistir ao apelo do clímax, queria esperar por ela, como tinha esperado todo o sempre, beijei-lhe os olhos e comprimi o sexo e beijei-lhe os lábios ainda sangrando e de repente adivinhando o seu clímax deixei de estancar o meu e vim-me, vim-me como se deseja o momento da concepção de um filho.

Fiquei deitado, sem querer ofegar a querer o seu corpo a meu lado e não dei por adormecer.

Acordei sem surpresas sozinho, não sabia porque já o esperava, levantei-me e sobre a mesa uma folha de papel, escrita em letra redonda, feminina mas frenética, li quase sem respirar.

“Hoje à noite, sei onde vais estar, vais convencido que me encontras como um reflexo de lua e pode ser que sim e pode ser que não e vais olhar o mar e tentar-te no abismo, ai não estarei mas podes ainda sentir-me agora marcada nos teus lábios”

E corri a língua e senti…

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Entre Aspas-Criatura da Noite

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Restolho de sonhos


Navego entre a realidade e o que me vai sobrando na espuma à margem dos sonhos.


O mundo dos meus sonhos, difunde-se no instante que entremeia um acordar que não se limita na saída dos reinos de Morfeu, alimento-me dos seus farrapos e visto-me do seu nutrir, o sonho tornou-se meu mar, barco e ancora virtual da minha vontade de ainda ser amanhã.


O nosso inimigo comum, o meu e o do sonho é o tempo, é ele que me produz fome e ânsia de devorar vida, de não esperar, de cair na tentação de desesperar, de sair por ai na presa de ser e amar, sem querer saber dos riscos de voltar a sofrer, sem mais tempo para ter tempo.


O sonho alimenta a esperança, o tempo faminta o sonho. O sonho reduz-se no tempo esfarela-se em restolho de esperança e sinto fome, sinto a cada dia que passa, mais fome.


Sonho ainda no entanto com um tempo em que seremos capazes de espelhar o uso do tempo e do sonho no transformar em encanto de todo o nosso desencanto.
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Anna Domino-Land Of My Dreams

domingo, 10 de maio de 2009

Libertação de Palavras

Hoje não há palavras, apenas canção e disso se pode comentar aqui.

As palavras prendem-me ali e sobre elas se poderá lá comentar.



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Pitingo-killing me softly with his song

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Contador de Histórias


Era uma vez… O paradigma do contador de histórias, a pontinha do novelo que se vai puxando devagarinho num desenrolar que se deseja sem enleios. Ao orador o novelo desenrola-se em artifícios de língua e na arte da pausa, em gravidades de voz e na comunhão dos silêncios. Ao escritor o novelo desenrola-se em palavras, que se constroem na representação de ideias, projectam acções e reacções, saltam do plano da página para a dimensão emocional e interpretativa do leitor.

A ilusão do novelo infinito e renovável é o sonho do contador de histórias, a ponta que se puxa e não se solta é o seu pesadelo. Quando flutuamos no limbo da ausência de inspiração não nos adianta rezar a deuses, prometer alvíssaras ou sacrifícios de corpo, porque os deuses da invenção são velhos libidinosos e invejosos, sedentos apenas do nosso desespero criativo e trocistas das nossas limitações.

Eu queria um dia ser um contador de histórias, um artífice de palavras, arquitecto de comoções escritas, agarrar nas ideias e escravizá-las à minha vontade, desenvolver enredos e entrecruzar personagens, contar a história de todas as histórias, mas faltam-me vidas, faltam-me dores, faltam-me sentires, faltam-me saberes, faltam-me espaços, faltam-me sonhos, faltam-me caracteres e sobram-me apenas suor e teimosia.


Prometi um post à Storyteller que com lápis, papel e um sorriso me fez uma maldade e espero não a ter desiludido muito.
Prometi ainda incluir no post uma canção da banda sonora da vida dela, ora como não posso adivinhar porque nada sei da sua vida, adivinho-lhe a qualidade do coração e aqui vai a minha escolha.
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Bluebells-Young at heart

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Inquisitório – Sobre sexo e coisas sem nexo…



α - Se nascemos despidos de preconceitos sexuais porque é que os vestimos?

β -Porque é que os homens e as mulheres nunca conseguiram chegar a acordo sobre o que são 25 cm?

γ - O que é que seria mais interessante para a tabaqueira do ponto de vista de incentivo, fumar um cigarro depois de fazer sexo, ou fazer sexo depois de fumar um cigarro?

δ – Porque é que nunca ninguém se lembrou de criar um franchising de sex shops para mulheres chamado “Toys foR Us?

ε - Porque é que muitas mulheres acham que a certos homens o que fazia falta era ser como o Pinóquio?

ϝ - Qual é o gozo do monólogo da vagina?

ϛ – Que desporto radical é que um ejaculador precoce e uma ninfomaníaca podem praticar em conjunto?

ζ - Se o sexo é saudável porque é que não é comparticipado pela segurança social?

η – Porque é que os casais homossexuais nunca discutem por causa da tampa da sanita?

ͱ - Se o preliminares são importantes porque é que não largas o computador mais cedo?

Θ – Será que não é machismo achar que as ostras são afrodisíacas mas não pensar o mesmo do lingueirão?

ι - Porque é que as mulheres optimistas acham que têm o melhor parceiro sexual do mundo e as pessimistas receiam exactamente o mesmo?

κ -Porque é que os homens tremem quando vêem esta letra?

λ - Porque é que as mulheres tremem quando vêem esta letra?

μ - Porque é que achas que te viste Grego para aqui chegar?

ν - Porque é que quando nos masturbamos toda a gente nos acha manipuladores egocêntricos?

ξ -Porque é que achas mais graça a foder do que copular ou fornicar?

ο – Se as mulheres não gostam de o praticar porque é que insistem em analisar?

π – linha?

ϻ - Porque é que não se promovem os preservativos comestíveis nos festivais de gastronomia?

ϸ - Porque é que quando a coisa falha no sexo oral, lá vêem as más línguas inventar desculpas?

ϙ - Porque é que clítoris é uma palavra tão bonita?

ρ - Se as mulheres gostam que as olhemos nos olhos porque é que usam as mamas mais abaixo?

σ - Porque que carga de agua é que tanta gente no mundo me quer vender viagra?

τ - Se os primeiros católicos eram Judeus, porque é que raio é que trocaram o sexo recreativo pela possibilidade de comer carne de porco?

Υ - Não conseguiste ainda imaginar coisas mais interessantes para fazer do que ler este post?

Φ -Se acreditas no amor à primeira vista porque é que insistes?

χ - Se o Cérebro é um órgão sexual tão activo, porque é que foi tão difícil imaginar estas perguntas?

ψ- Se Ejacular é o clímax do prazer, porque é que não esperaste mais um bocadinho?

Ω -Porque é que achas que te vais ver Grego para comentar este post?
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Ravel - Bolero

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dicotomia do querer



Eu quero! Isto dito assim de forma simples, na mais elementar conjugação tem poder. Não chega porem a roçar a força de um eu quero-te! Seco, sem duvidas na pretensão nem margem na recusa mas que se perde se o tentarmos adjectivar no erro do tanto ou na explicação do porquê.

Eu quero-te! Possessivamente mas de acordo com a tua vontade. Eu quero-te! Bruscamente mas segundo as tuas regras. Eu quero-te! Selvagem mas segura na tua doçura. Eu quero-te! Despido de preconceitos mas no respeito das tuas concepções. Eu Quero-te! Com a minha paixão mas receptivo ao teu amor.

Mas todo o verbo sofre da dicotomia de opção na forma de aceitação ou negação e o poder transforma-se em pudor, o calor da palavra transforma-se no frio da reacção. Somos a dimensão da nossa capacidade de perceber a qualidade de um não, de o aceitar quando nada mais restar, de o contornar quando sentimos esperança, de o recusar quando confirmamos a duvida.

Eu quero-te, tu no amanhecer de uma noite. Eu quero-te, corpo no preenchimento de um espaço. Eu quero-te, sexo no cru saciar da nossa tesão. Eu quero-te, espírito na disponibilidade da amizade. Eu quero-te, sentimento na companhia da procura. Eu quero-te, Mulher no complemento e resposta ao teu querer.

PS. Este post foi sugestionado pela Ana e pela Ipsis e desta ultima usem o link e sigam por ai acima e pasmem-se como eu me pasmei na admiração da sua arte e às vezes, Eu quero apenas admirar e pasmar.
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Cheap Trick-I Want You To Want Me

domingo, 3 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quarto crescente com vista para o lado obscuro de um bicho de faz de conta


Nunca vos aconteceu irem assim a guiar numa auto-estrada, com excesso de velocidade, só uns 40 ou 50 acima do limite, atentos por causa da merda dos radares e de repente… pás um bicharoco estatela-se no vidro, claro que se desfaz em papa mas o que me impressiona é que há alguns que estão assim cheiinhos de liquido colorido que depois se fica a espalhar, umas vezes é mais verde, outras pró amarelo, será que aquilo eram restos de shots? Haverá algures bares para insectos? E se sim, serão bares para insectos solteiros? Eu já vi duas moscas a foder, não percebi se eram casadas ou um encontro fortuito, até tive pena e não lhes interrompi o coito com Dum Dum, deixei acabar primeiro, mas depois fiquei a pensar na aranha solitária que fez casa no canto da minha sala a quem privei do pequeno almoço, sei que é javardice deixar lá a teia, mas tenho pena do bicho ali tão sozinho, haverá vibradores para aranhas solitárias? Por falar nisso como é que as mulheres passam os vibradores no controlo de bagagem dos aeroportos? E no caso de bagagem perdida, existe alguma opção para descrever os vibradores nos formulários? Se sim, leva em conta o tamanho, cor e textura? E a cor realmente importa para a satisfação das mulheres? Se sim, porque é que não se comercializam tintas seguras à base de açúcar para besuntar na piça? Olha querida hoje trouxe, verde alface e castanho ocre, qual é que te dá mais tesão? E devemos aplicar a tinta antes ou depois da erecção? Bom sempre se pode usar tinta elástica, mas será que aquilo depois não se pega à pintelheira? Não me apetece nada ter que rapar os pelinhos, faz-me impressão andar com os tomates desprotegidos e ao frio, sou sensível a estas coisas e serei menos homem por isso? E depois poderá haver mulheres que não gostam de nos ver peladinhos, poderão considerar falta de maturidade, nada pior para o orgulho de um homem, que lhe digam, olha deixa crescer isso e depois aparece, leva a mal entendidos, que nenhum homem aceita de bom grado que lhe ponham em causa a dimensão da coisa, porque na realidade o que importa é a habilidade e na falta dela sempre se pode recorrer a atributos linguísticos, que eu sei que as mulheres adoram poesia.




O caríssimo Daniel, no aniversário deste blog ofereceu-me um prémio e como para mim é um privilégio aceitá-lo e sei que para ele não é um disparate este é o melhor sitio para o guardar:




A partir deste mês, vou passar a fazer parte de um grupo de bloggers muito, mas mesmo muito talentosos que alimentam a prisão de palavras, claro que eu não me chego nem de longe perto do seu talento, mas comprometi-me em empenho e assim a 13 de Maio, farei lá a minha primeira aparição, ora digam se isto não é um sinal e um privilégio?

Para os distraídos, ponham a musica a tocar e voltem a ler o texto enquanto ouvem e depois vejam só o vídeo, não vos tá a apetecer ir comer coisas doces ou salgadas?
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MNOZIL BRASS-Green Hornet