domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ontem

Hoje é dia 15 de Fevereiro e não é dia de nada.


Neste dia podia-se festejar o nascimento de Galileo Galilei, certamente mais racional que festejar o dia de ontem em que se celebrou a decapitação de um homem vulgar que por ser teimoso chegou a santo.
Odeio o dia de ontem, verdade constante no que me diz respeito, mas reforçada por ontem, alem de tudo o resto ter sido mesmo ontem.
Neste mundo de gente só a razão que inventaram para justificar o dia de ontem é tão imoral como celebrar o dia do desperdício como o feriado continental de África, de Angola à contra costa.
Ontem vi numa grande superfície comercial, promover a venda de maçãs, sobre o pretexto de as embrulhar no significado de ser ontem e as pessoas paravam e consumiam a ideia e apeteceu-me evocar o meu direito de partilha de nome e expulsar a pontapé os vendilhões do templo do consumismo.
Ontem assisti à celebração da hipocrisia, da ejaculação do dever cumprido, da aceitação da mentira e da expiação de mais um ano de esterilidades sentimentais.
Felizmente que hoje já não é dia de nada e vamos regressar heróis aos nossos casulos como larvas, sabendo que daqui a um ano podemos voltar a emergir como bichos de outra cor.


Assim terminou Kubrick o seu “Estranho Amor” e nada me parece mais apropriado…



Vera Lynn -We'll Meet Again (Dr. Strangelove final scene by Stanley Kubrick)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Arte Sequencial

Will Eisner tornou séria a arte de contar uma história através de imagens. Nenhum autor de ”banda desenhada” como é conhecida na Europa ou “Comics” se estivermos nos Estados Unidos, é mais respeitado que ele , tanto que até os prémios que consagram anualmente os melhores autores e obras, têm o seu nome. Os Eisner foram criados em 1988 e são atribuídos às várias categorias que caracterizam esta arte.
Inventou o conceito da novela gráfica e tornou-a num objecto de estudo académico através da sua obra “Comics and Sequential Art”.

Will Eisner morreu em 2004 e era um Judeu convicto, as suas duas ultimas obras, uma delas já publicada depois da sua morte, procuram demonstrar a existência de preconceitos anti-semitas, sendo que em “Fagin o Judeu” recupera o personagem de “Oliver Twist” de Dickens evidenciando as suas motivações e o seu lado humano contrariando a imagem retratada por Dickens e em “A Conspiração, a História Secreta dos Protocolos dos Sábios de Sião” é explicada e demonstrada uma das fraudes mais negras da história da humanidade e que serviu de base doutrinal a Hitler para justificar o holocausto dos Judeus durante a segunda Guerra Mundial.

A sua obra mais conhecida é “The Spirit” e foi com ela que cresci na minha paixão a esta arte. Histórias curtas de 7 ou 8 páginas onde o autor rompe com todas as fronteiras gráficas e onde acima de tudo se retratam personagens vulgares, pessoas, objectos e lugares perturbadoramente comuns. Estas pequenas histórias desenvolvem-se num ritmo próprio, sem que nos aperceba-mos do seu desenlace até que somos surpreendidos pela sua moral, muitas vezes tão simples e amarga.
Se Eisner procurou retratar o homem comum, não nos conseguiu esconder o seu fascínio pelas mulheres e desenhou-as belas, fatais, doces, atraentes, ingénuas e perigosas. Confesso a facilidade com que me apaixonaria por Sand Saref, P’Gel ou Silk Satin.

Este ano The Spirit chega ao cinema e pela mão de outro mestre na arte sequencial, Frank Miller mas sei que esta minha ansiedade de ver o filme se vai transformar na decepção de constatar a impossibilidade de reescrever na tela a magia de uma obra-prima.



The Spirit Trailler by Frank Miller

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O dominó idiótico

Apesar de tudo ainda ambiciono a criação.

Quero acreditar que a partir de uma simples ideia é possível desenvolver, através da inclusão de palavras, coerências na forma de frases, que agrupadas, ordenadas e somadas, se convertem em parágrafos, rascunhos ou precisões de um plano mental que se originou apenas porque alguns neurónios num acto casual se puseram de acordo.

O meu fluxo criativo é linear, sem complexidades estruturais. As minhas ideias são alinhadas, uma após outra, como pedrinhas de um dominó que se tropeçam quando florescem. A minha formação é tecnocrática, mais matemática que semântica e a imaginação que gero é fruto do esforço, tentativa e erro de contrariar a naturalidade da lógica que rege a minha presença no mundo real.

Por incompetência noutras expressões, atrevo-me na utilização da língua e que me perdoem os que o fazem dignamente ou de forma bela, não pretendo ser uma afronta à sua arte. Gosto das palavras e do que se pode construir com elas, uso-as pela sua forma e sequencio-as pelos padrões que se originam no seu conjunto. Ignoro muitas vezes as suas regras de utilização, consciente que com a minha ambição arrisco-me sobretudo à consequência da falha.



Caetano Veloso - Língua

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Principio da Incerteza.

Segundo Heisenberg e em linguagem de leigos, as leis da física impedem-nos de medir com precisão o estado de uma partícula, porque o simples acto da medida interfere e altera com esse mesmo estado.

Portando este principio, pode-se assumir que a incerteza é um dos factos incontornáveis para o funcionamento da vida. A certeza da incerteza limita-nos na ambição do saber e precisar o estado quântico da nossa importância e influencia naqueles com quem interagimos. Medir o efeito de uma lágrima, de um afecto ou acto meigo é tão impossível como quantificar o resultado de uma raiva, do grito dado num parque pejado de aves amansadas pela necessidade da fome e do ignorar a quem apenas nos estende a mão a pedir ajuda.

A humanidade e as partículas simples que a compõem, têm assim o refugio da ignorância como desculpa comportamental, somos apenas bichos civilizados, condicionados por leis que nos ultrapassam, limitados no calculo da consequência e assim libertos da responsabilidade do fazer.
Tivemos pois, que inventar códigos de moral, leis de funcionamento em grupo, éticas e deontologias, como forma de nos auto limitar, procurar na segurança da regra a alternativa ao principio da incerteza de um ínfimo sorriso.


The The-Uncertain Smile

Pequenino sou no talento, insignificante na capacidade expressão, humildemente cito José Régio e o seu Cântigo Negro e de cabeça baixa me fico por aqui.

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



Maria Bethânia-Cântigo Negro de José Régio

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A importância de ser honesto ou o meu auto-retrato de Dorian Gray.

Hoje queria modestamente e de forma simples falar de genialidade, a qualidade ou infelicidade que mais admiro e lastimo que como atributo de destino, ou por pura sorte tenha calhado a alguém.

Pelo titulo e direcção da conversa, facilmente se percebe que estou a pensar como exemplo em Oscar Wilde, que além de Irlandês e assumidamente Gay, era irremediável e lamentavelmente um génio. Atenção, não tenho nenhum preconceito relacionado com as preferências sexuais do rapaz, que coitado até teve de casar e deixar descendência, como ordenavam as elementares regras sociais da época. Já no que diz respeito a ser Irlandês, que a terra de Beckett, Scott Fitzgerald, Thomas Moore, James Joyce, Bram Stoker, Daniel Day-Lewis e dos Clannad,Corrs, Cranberries, Pogues, U2, Virgin Prunes e Waterboys tenha ainda na sua história um Oscar Wilde e um Arthur Guinness, que para quem não sabe fazia cerveja, já me parece ser injusto.

O Oscar, que não levará a mal que o trate na primeira pessoa, estarei perdoado pela minha admiração e inveja, disse um dia a alguém que existiam apenas dois tipos de pessoas verdadeiramente fascinantes, aqueles que sabiam absolutamente tudo e os que não sabiam absolutamente nada. Ora estando eu, necessariamente mais perto do segundo grupo, posso atrever-me , escudar-me na minha ingenuidade e forma simples de olhar o mundo, a ambicionar a pintar o meu próprio retrato, qual Dorian Gray moderno e esperar que o tempo me preserve das rugas e esconda os meus pecados.

Pois, sem vergonha, continuo a roubar a obra do génio, na comedia de pequenos equívocos que é a vida, assumo a importância de ser honesto como contraponto de ser sério ou sincero, que a língua Portuguesa, não facilita o trocadilho nem ajuda não me chamar Ernesto (Earnest) e assumir que este Blog é o meu retrato de Dorian Gray, onde serei para sempre eterno, anónimo na minha loucura e livre.


Bronski Beat and Marc Almond-I Feel Love

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quadrilogia de Espécie (Amor, Namoro, Paixão e Tango).

Um problema complexo pode ser resolvido por decomposição de partes, assim se analisarmos a evolução do ser animal ou por amostragem minimal , a raça humana e simplificarmos a equação aos factores de significado, chegamos a quatro estágios de comportamento que marcam o relacionamento, num instante determinado, entre dois ou mais indivíduos, que podem ou não pertencer ao mesmo sexo.


O Amor à semelhança de Deus, procura explicar o tudo, o nada e os porquês. É um engodo para a continuidade ou o que se tenta que sobre do erro, saliva de poeta, condimento indistinto e aquela cor que não se consegue definir como verde ou azulada.

Apontado por muitos como a suprema fraude, subsiste por preconceitos e necessidade de objectivo ou fuga à teoria do caos. Provar a inexistência do Amor seria fácil para os matemáticos, projectável para os arquitectos e contranatura para os artistas, no entanto tal feito, é e sempre será um acto tabu, alvo de inquisição e tortura.

Dizem-nos que sem Amor, somos incompletos, conchas vazias, seres pobres de significado, salões de baile abandonados aos restos da festa. Somos empurrados a buscar o Amor como estado ejaculatório permanente ou partilha de sensações de excelência. Assim consegue a natureza ou os obscuros illuminati manter controlada a espécie.


Mika-Love Today

O estado de namoro, pode ocorrer em qualquer altura do relacionamento. Caracterizado por actos de cedência e compreensão, pode ser confundido por leigos com qualquer dos outros estágios. Instintos e deficiências genéticas primitivas impedem este estado de se prolongar de forma natural.

Pode ser suave como o cabelo que nos roça na face ou doce como os lábios dum primeiro beijo, belo como a flor perfeita ou quente como um corpo que nos toca. Estado sensorial por natureza pode provocar tonturas, carinho, despesa e simples felicidade apenas pela existência do outro.

Num sistema ideal, que procurasse o equilíbrio da autosustentação da espécie, este estado manter-se-ia como permanente. Tal situação será sempre condenável, pelo grupo social, como um acto imaturo, imoral e flagrante atentado aos bons costumes.


Fausto-Namoro

A Paixão pode ser um momento ou valer uma vida. Verdadeiro motor do desenvolvimento é a razão pela qual tudo vale a pena. É a dependência que se devora, a luz que nos cega e a fome que se sustenta.

A Paixão é o sentimento real, o estado mais natural do ser, classificada como acto de loucura pelo medo, castrada pela incompreensão e censurada pela sociedade como a renegação à sagrada família. Se aplicada à interacção física na relação da espécie, pode transfigurar-se sobre a forma de sexo não reprodutivo e condenável à figura divina ou àqueles que a representam de forma legitima ou por pretensão.

Na realidade sem a Paixão nada seria, apenas a nulidade e o vazio restariam no arrastar do caminho até à morte, sem invento nem graça cor ou sabor. Aquele que vive a Paixão da Paixão, alimenta-se por motivação pessoal e será necessariamente perseguido como um elemento perigoso e maligno.


Rita Lee-Amor e Sexo

O Tango é um acto subversivo criado algures num dia de Dezembro, num lugar escurecido por luz vermelha, num bar em Buenos Aires onde um par de corpos se celebrou por entre odores de suor partilhado e ritmo de dança.

O Ele que desafia altivo, a Ela que desafia sedutora, num código próprio de movimentos que desafiam a lei do correcto e da moral. Vestido rubro e fato cintado, separados apenas por uma rosa escarlate como a Paixão, num rodopio como um Namoro e numa troca de olhares tradutora do verdadeiro Amor.

A espécie aceita a existência do Tango, como prova que poderemos ser livres de expressarmos a Paixão, acreditar no Namoro eterno ou até ambicionar o Amor, mas esta irrealidade dura o tempo de uma musica, de um cansaço, de uma raiva ou simples angustia.



Rodrigo Leão and Lula Pena-Pasión

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Cinzenta de Lama

Um crime. Universal e necessariamente condenável pela humanidade e qualquer bicho sem apelo, atenuante ou desculpa. Estou a falar, claro está, dos grandes clássicos da Disney, aqueles que os ingénuos adultos obrigam as crias a ver, antigamente nos grandes salões, hoje convertidos em templos de deuses menores mas abastados e mais modernamente em espaços maneirinhos adequados ao degustar da pipoca estaladiça.

Pois se duvidas existem, vamos lá olhar para um exemplo ao acaso, ou melhor vamos olhar para o clássico dos clássicos, o infame “Branca de Neve e os sete anões”, titulo que nem sequer é prejudicado por uma tradução disparatada, pois este é o caso em que letrinha a letrinha se conservou o significado original da coisa.

Então no principio, temos o tipo das massas e poder que já velhote casa em segundas núpcias com uma gaja, que até, temos que confessar dá alguma tesão assim de olho verde e alta com gosto no vestir de negro e perguntamos como é que um avião destes se atraca ao chaço do idoso, ora pelo dinheirinho e pelas jóias e pela criadagem, o estupor até têm um castelo, assim também eu… Mensagem nas entrelinhas para as criancinhas, arranjem dinheiro que acabam por ficar com as gajas boas.

Uma puta, dirão as invejosas, interesseira e vaidosa, tanto que têm um espelho mágico, que lhe gaba as mamocas, mas que num dia amanhece cabrão e decide tramar a filha do velho. Pois há uma filha da primeira legitima, a tal Branca de Neve, leitosa assim tipo certinha que até dá nojo. Ora o dito espelho, a quem todo o santo dia a boa interrogava sobre as suas rugas, vai e diz-lhe que a miúda tava a ficar mais apetitosa que ela e ela não vai de modas, que não era de levar desaforo para o torreão, chama o criado, que se topa logo, que a andava a papar quando o velho ia dar uns tiros aos coelhos e ordena-lhe que leve a pequena a apanhar cogumelos e lhe corte o gasganete.

Ora o dito lá levou a Branquinha a passear para a floresta e já lá bem no fundo, onde só há sombras, caruma e a bicharada rasteira nem se esconde, quando se preparava para dar o golpe, assim no ultimo instante amaricou-se e largou a fugir. Pura imagem de incompetência que querem dar do povo, incapaz de cumprir a mais simples da ordens e pior que sem brio chacina um pobre animal que por ali passava para lhe arrancar o coração e satisfazer o desejo libidinoso da megera, que lhe tinha exigido saborear uns pipis em vinha de alho.

Assim a pobre, necessariamente retardada, fica abandonada, num pranto e tonta em vez de pegar no telemóvel e pedir ajuda, desata a deambular por ali até dar com um barraco a cair de podre, estereotipo que pobre só sabe viver no chiqueiro. E boa educação? Seria de imaginar que menina tão certinha a tivesse, pois mas enganam-se porque sem sequer hesitar adentra e abanca de tal forma que acaba por adormecer.

A barraca têm dono, nomeadamente é a sede social de uma pequena empresa que declara como actividade a criação de galinhas por métodos biológicos, mas que na realidade é fachada para uma operação de exploração ilícita de uma mina onde se cultivam cogumelos alucinógenos de formato cristalino e que provocam efeitos físicos secundários tão terríveis que os pobres dos trabalhadores que são sete, acabaram atarracados.

Quando os sete chegam a casa e encontram a Branca, que ressona copiosamente, nem hesitam, propõem-lhe de imediato cama, comida e roupa lavada em troca de pequenas tarefas domésticas e um jeitinho de quando em vez, que um homem também precisa disso e diz o povo que a homem pequenino, Deus compensa doutra forma, o que pode explicar mas não justifica a felicidade da rapariga nos tempos seguintes.

A chata da boa, era picuinhas e continuava a azucrinar o espelho que também gostava de alimentar a sua intrigazinha e vai conta-lhe que a Branquinha além de viva até beneficiava de avantajados, e ela num arrepio de ciúmes e maldade arruína com o nosso encanto e transforma-se num encortiçado de gente com o fim de enganar e acabar com a alegria da pobre.

Como não podia deixar de ser, voltamos ao pecado original e a traição é consumada sobre a forma de uma maçã envenenada e num momento em que Branca se entretinha em simultâneo com quatro dos generosos senhores, a bruxa interrompe, bate à pobre e apelando à gulodice impinge-lhe a fruta que no mesmo instante a deixa ali no chão como morta.

Agora mesmo depravados eram os anõezinhos que não querendo perder o entretêm, não enterraram a desgraçada e organizando-se num processo simples de rotação lá se iam orientando e de tal forma satisfeitos que a história acabou por transpirar e chegou aos ouvidos de um tal elemento da nobreza decadente que também quis ir molhar o bico e por uma boa maquia lá convenceu os anões a partilharem o pitéu. Coisa asquerosa.

Pois, mas acontece que a Branca não estava morta e como aquilo também não era vida e o príncipe cheirava tão mal da boca acabou por o bruxedo se desfazer ali na hora. No fim querem nos impingir um final feliz em que a linda menina casa com o príncipe que mata a bruxa má, mas qualquer atento repara que isto não faz qualquer sentido e a realidade é bem diferente, mas essa
história fica para outra altura que também tenho o direito ao meu suspensezinho…


Tourists-I Only want to be with you

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

3 negros corvos

Hoje sobre a estrada, uma larga de muitas faixas e apinhada de carros em direcção à grande cidade, vi passar a voar, 3 pássaros negros, indiferentes à azafama de ser manhã de segunda-feira, o dia da semana em que nós os seres modernos, agarrados ao volante, de olhos no relógio a tentar parar o tempo sentimos maior ansiedade doentia, bem balanceada, claro está, com os nossos ódios de estimação, esperanças legitimas ou de paixões a mulheres alheias. Poisaram sem pudor sobre um pinheiro.

Um pinheiro manso, por si só anacrónico naquele local, intercepção de muito alcatrão negro, mas não tanto como as penas que vestem as 3 aves que poisadas não querem saber de mim, nem de todos os outros que me seguem ou pré-seguem.

Não sou especialista nem poeta, mas consigo reconhecer os corvos e só me vêm à cabeça a palavra Raven, génio mistério escrito por Poe e cantado por Parsons e sinto o rodopio do crescer de uma força de raiva que alimenta a minha fome de querer pensar e sentir de forma diferente dos outros a presença dos bichos.

Depois engoli em seco e tal menino comportado e conhecedor das regras básicas de boa condução lá segui em direcção à portagem, sem deixar de espreitar pelo canto do espelho para os corvos, que pareciam sorrir enquanto pensavam que lá vai mais um ser estranho sem asas, sem encanto nem negro mistério.

Ref. de Outrem: The Raven por Edgar Allan Poe: http://www.ojai.net/swanson/theraven.htm


Alan Parsons Project-The Raven Tales of Mistery and Imagination

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Porque hoje é Sexta...

...Amanhã será sábado, véspera do dia santo semanal dos judeus convertidos noutra coisa, pelo tal messias que me deu o nome e que terá andado por ai há 2000 anos.

Estive há dias em Jerusalém , que segundo reza a história era por onde mais andava e aquilo visto de perto é um fenómeno deveras interessante, assim a modos como uma boa feijoada em que quando se olha de cima têm aquele aspecto brilhante e mexido e que embora nos pareça atraente e gostoso, sabemos que pode ser indigesto e nos vai causar gases.

Será porventura o lugar no mundo onde mais divergências se conseguem encontrar no menor espaço físico e de tempo, só quem nunca andou pela cidade velha, pode acreditar que alguma vez será possível inventar uma solução que traga algum tipo de entendimento para a região.

Agora o que têm de bom, é para alguém como eu, um sacana pouco crente e que um dia se lixa por mangar da fé alheia, levamos ali num bocadinho com a Mesquita Al-aqsa, o Muro das Lamentações e o Santo Sepulcro o que vos garanto é dose para nos fazer abanar um nadinha.

Mas enfim lá fui e lá voltei inabalável nas minhas descrenças, desconfianças e teorias de conspiração, na volta passei por Roma e não não fui ao Vaticano ver o Papa, apenas as escadarias da Praça de Espanha que isso sim para arrasar com a minha fé, não tinham longas pernas a descer por elas, apenas outros tantos tontos como eu...


Siouxsie and The Banshees-Israel

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O meu primeiro Post

O meu primeiro Post deveria ser algo de memorável, talvez um rasgo literário de génio, com as palavras a provocarem sensações profundas, não necessariamente gástricas, nos leitores ou então, embora de forma atabalhoada, uma dissertação sobre um problema importante do Mundo, por favor não me peçam exemplos, puxem um bocadinho pela imaginação e vão ver que facilmente vão descobrir pelo menos um problemazito que merecesse a pena falar.

Na volta faltou a pachorra e assim vai ficar esta coisa vazia e pobre, ilustração do ser bom Português que quando está a chegar ao fim do prazo, não se acagassa e desenrasca-se.

Pois já agora e para referência futura, não sendo totalmente analfabeto, sou meio disléxico, então no que toca a acentos, pontuação e aqueles erros ortográficos dos cábulas é de bradar aos céus... Por isso e a partir de agora a língua Portuguesa não têm que ficar ofendida é mesmo Burriquiçe aqui do Blogger.


The B-52's-Party out of bounds