domingo, 8 de março de 2009

Plano de Reforma



Sei que acabarei por me alucinar. Serei um dia velho e louco.

Assumindo essa inevitabilidade, encho o cérebro de informação, importâncias e banalidades, detalhes e generalidades, teologias e factos, ciências e charlatanices, alimento-me de tudo o que leio, do que vejo, cheiro, ouço, saboreio, sinto e experimento.
Quero que a minha loucura seja alienada de incertezas, que inspire caminhos, que me procurem para o riso e para a aprendizagem de coisas antigas. Quero a minha demência formatada de forma disforme para que não provoque receios, mais perto do génio do que do bobo.

Serei um dia um velho louco que não quer ser apenas parte de um monologo.
UB40-Food For Thought

sexta-feira, 6 de março de 2009

Tontices



Detesto a expressão LOL. De cada vez que a vejo usada a terminar um comentário ou uma frase eriçam-me os cabelinhos do pescoço. Associo a coisa a cabecinhas de ventania, cérebros pequeninos, risinhos histéricos de timbre irritante, parvoíces gratuitas e merdinhas avulsas.

Afinal o que é que quer dizer LOL? Durante muito tempo pensei que queria dizer “Lots Of Laughs” até que alguém me explicou que significava “Laugh(ing) Out Loud”, ou seja a sua utilização pretende verbalizar alegria espontânea ou riso descontrolado. Até ai tudo bem, nada tenho contra o imaginar de novas formas de expressar emoções mas o problema é que o seu uso caiu na vulgaridade e no por tudo e por nada especializando-se como sinal de validação ou aceitação pateta de qualquer disparate escrito em resposta ou pelo próprio. Mais interessante e redutor, o LOL é usado na maior parte da vezes por mulheres assim como se fosse um lencinho rosa ou uma malinha com florezinhas a tiracolo, nada de coisa que macho possa usar sem riscos.

Se o LOL é um acrónimo de língua inglesa porquê usá-lo em Português? Faria mais sentido por exemplo usar uma boa MERDA, que significa claro está Monte Enorme Risotas Dadas Alegremente.


Puppini Sisters-I will survive/Wuntering heights/Heart of glass/Tu Vuo Fa L’Americano

terça-feira, 3 de março de 2009

Crawlers


Somos bichos rastejantes, imensos e albinos de cauda comprida. Agitamo-nos uns contra os outros neste pântano insalubre que nos concentra, limitados por um espaço exíguo e escroto. Somos entidades seminais sem sentimentos nem razão, desprovidos de alma ambicionamos a expulsão deste desconforto.

Não somos dotados de pensamento racional, por isso não questionamos a nossa importância na ordem universal, acreditamos apenas na tarefa ancestral de sair e entrar por corredores sem opções entre falos e falópios.

Não tememos os actos inconsequentes das punhetas solitárias ou dos choques no poliuretano, aceitamos o destino de podermos ser apenas meros desperdícios genéticos e de acabar por morrer sem glória. Ironicamente fomos dotados com uma enorme capacidade de sobrevivência e sem explicação suportamos dias sem comer nem beber até que alguém nos puxe o autoclismo da misericórdia.

Ao melhor ou pior de nós pode calhar a sina da imoralidade da invasão da pureza do ovo e assim garantir a continuidade desta espécie maldita que tudo consome.

Genesis-The Carpet Crawl

domingo, 1 de março de 2009

Gritos Mudos



Saber que alguém vai morrer e não poder fazer nada para o evitar será sem duvida das experiencias mais angustiantes por que poderemos passar. A morte é uma consequência da vida e quase todos nós já tivemos que acompanhar alguém na doença até ela chegar, familiares, amigos ou conhecidos. Não são estes os casos a que me refiro.

Falo de perceber à distância o caminhar de alguém em direcção à morte, assistir a um afogamento no mar ou escutar os gritos no meio de um incêndio, sem poder lá chegar, ouvir via rádio o desespero dos tripulantes de um avião que se despenha ou de um navio que se afunda.

Este é um mundo novo, com novas camadas de realidade, um mundo onde pessoas anónimas expõem os seus pensamentos, as suas dores e alegrias a desconhecidos, sem saber se alguém as nota ou escuta. Algumas destas pessoas gritam por ajuda, porque estão num processo de degradação emocional e psíquico que as empurra por um caminho que as conduz à desistência.

Este é um oceano onde navegamos sem instrumentos, sem estrelas mais brilhantes que nos direccionem, entramos e saímos de portos de abrigo emocionais limitados pelas nossas capacidades preceptivas de entender formas de expressão de quem não conhecemos e o que ai fazemos ou mais importante não fizermos pode ter a consequência de mexer na pedrinha catalisadora da avalanche do desespero definitivo.

Este é um tempo de novos Adamastores e de heróis tontos que vagueiam sem direcção nem direito a epopeias.
David Bowie-Space Oddity

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Swimmers


Estou a nadar numa piscina de água, frutose, acido ascórbico que na realidade não é mais que vitamina C, alguns enzimas, fosfatos, bicarbonato e zinco. Esta solução mantêm-me saudável e sou mais um no meio de uma infinitividade de outros como eu. Por aqui fala-se de tudo, sobretudo de expectativas e do mistério do mundo exterior.

Alguns de nós acreditam que somos a génese da criação, portanto divinos, outros defendem que seremos apenas instrumentos do criador pai, cujo corpo compartilhamos, há ainda grupos radicais que pensam em deuses que superam os limites da carne, seres espirituais que governam o todo, esses são os mais felizes porque aceitam que a derrota será um desígnio de algo que os ultrapassou.

O espírito competitivo está sempre presente, todos estão preparados para a corrida e a angustia que nos aflige é a incerteza de não saber que dificuldades iremos encontrar no percurso, que podem existir barreiras não naturais que nos impeçam de chegar ao objectivo, desvios de ultima hora ou apenas mera manipulação.

O que nos alenta é que, com a conjugação certa de ciclos, desejos ou enganos, um de nós, às vezes até dois ou três, poderá vencer a corrida e conquistar o prémio e ao fazê-lo conseguir crescer e deixar de ser apenas mais um nadador.
Monty Python-Every Sperm is Sacred (Meaning of Life)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Curtas – Sobre as Mulheres

Continuo a achá-las extraordinárias…

Dixie Chicks-Travelin Soldier

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Morte ©



Alguém a imaginou vestida de negro com uma capa apodrecida em farrapos, empoeirada, descarnada e carregando uma gadanha de cabo comprido de madeira velha. A figura é simpática, apelativa, reconfortante e fica-nos no olho. Será que alguém se deu ao trabalho de a registar como marca? Estará disponível para franchising?

A imagem da Morte tão antiga, nunca foi tão moderna, se não vejamos, numa primeira análise estamos perante uma figura que sofre nitidamente de anorexia o que indicia distúrbios psicológicos. Estes são padrões de comportamento bastante comuns na juventude actual, se acrescentarmos ainda o trajar de negro e o envergar de vestimentas em farrapos, estamos praticamente a descrever o indígena médio de qualquer bar ou discoteca em noite de sexta-feira com DJ convidado.

Resta-nos o pormenor da gadanha, elemento acessório completamente desnecessário e nitidamente colocado apenas como enfeite da figura, detalhe anacrónico para um choque visual, assim como um piercing bem aplicado numa narina, na sobrancelha ou nalgum outro lugar mais exótico.

Isto não quer dizer que a Morte se tenha banalizado, ou tranformado num ícone de popularidade, continua a ser incompreendida e rejeitada por grande parte da população, acentuando-se a sua recusa com o avançar da idade. Sinal de senilidade ou sabedoria? Aqueles que o descobriram, levaram a resposta para o túmulo.


Blue Oyster Cult-Don´t Fear The Reaper

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Curtas – Evolução tecnológica

Agora é mais fácil atingir as metas básicas da vida, basta plantar uma arvore, ter um filho e escrever um Blog.


Gorillaz-Clint Eastwood

Tempus fugit

Esgoto o tempo por entre as batidas, de palma da mão aberta sobre o peito, comprovo que ainda habito este reino. Imagino a vida como um engenho e empenho-me como uma das suas pequena engrenagens oscilante entre a transmissão de angustias e esperanças.

Rodopio sobre um eixo que quero eterno, ambiciono manter-me lúcido até ao final, descrente nos deuses dos homens, componho as minhas preces a um mestre relojoeiro universal para que use da sua sabedoria e o faça parar.

Gostava de conseguir expressar com as minhas palavras a visão de Dali, mas na sua sombra sou um campo árido de ideias e neste entretanto o meu tempo continuou a passar.


Pink Floyd-Time

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscares

Sou um cromo que gosta de BD, é um vicio que adquiri de pequenino, como o outro de brincar com a pilinha e um dos meus favoritos é o Batman.

Mais do que do Batman, gosto dos personagens secundários da série, aqueles que lhe reforçam a sua ambiência negra e profunda e é pena que sejam apenas secundários, Heath Ledger, merecia de longe ter recebido o Óscar para melhor actor principal.


Trailler de Dark Knigt directed by Christopher Nolan

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O segundo na trilogia dos passarinhos

Joãozinho Beija-flor era um homem bonito. Sempre o tinha sido. Desde muito pequenino que aqueles olhinhos brilhantes o narizinho arrebitado e um sorrisinho sacaninha eram as delicias das tias e das vizinhas o que o fazia andar sempre com as bochechas encarniçadas dos beliscões e que contribuía para lhe aumentar ainda mais o seu encanto.

Ainda os outro putos da sua idade se entretinham a jogar aos berlindes e às caricas, já o Joãozinho enfiava as mãozinhas pelas saias acima das moçoilas lá da rua, que se riam com as cócegas e ficavam muito admiradas quando lhes mostrava orgulhosamente a dimensão do seu orgulho e muitas foram as que acabaram vitimas das novas brincadeiras que teimava em lhes ensinar, sobre o que podiam fazer com aquilo.

Quando se fez adulto, tinha já uma reputação de fazer inveja a qualquer dos galifões do bairro e era olhado de lado quer pelas mulheres que só não o papavam se não pudessem, quer pelos homens que até o papavam se o apanhassem a prevaricar com a sua legitima. A coisa começou a ficar perigosa e o Joãozinho que era mais de amores que de rancores, decidiu que estava na hora de fazer as malas e pirou-se para a grande cidade.

Agora punha-se um problema, é que o Joãozinho, tinha dedicado tanto tempo com as mulheres que não tinha sobrado para estudos, nem para aprender oficio e faltando-lhe os confortos da casa materna, tinha que arranjar uma forma de ganhar a vida, alem de tudo era calão, gostava de se apresentar bem vestido e penteado e os empregos que lhe apareciam não eram compatíveis com aquilo que ambicionava na vida.

Não foi necessário pensar muito para descobrir como capitalizar as suas capacidades de atracção ao sexo oposto e depois de ver um filme sobre o assunto, fez-se gigolô.

(To be continued)


Caetano Veloso-Fina Estampa

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Curtas – Futebóis

Sobre o Derby de ontem à noite, sabem o que separa Benfica de Alvalade?



Telheiras, mas pode-se evitar se formos pela segunda circular…


Talking Heads - Road to nowhere

O meu 13º post ou o primeiro na trilogia dos passarinhos.

(Supersticioso eu? Ná, é mesmo falta de imaginação.)

Ora o Sebastião Pintassilgo, era um cabrão com azar. Atenção que quando me refiro a ser cabrão, não estou a querer dizer que era um gajo teso ou arrevesado, não, era cabrão mesmo, bem assessorado por uma mulher cheiinha de carnes e danada para a brincadeira com homens alheios.


Por se saber azarado, era um homem cuidadoso, fugia a sete pés dos gatos, borrava-se todo se fossem pretos e nunca se sentava em transportes públicos no lugar 13 nem passava debaixo de escadas, fechava o chapéu de chuva antes de entrar em casa, nada de agarrar em espelhos, não fosse a coisa escorregar-lhe da mão e tinha a estranha crença de que se sacudisse o utensílio cinco vezes, cada vez que mijava, nunca lhe iria faltar a tesão.


Um dia o cabrão do Pintassilgo, descobriu que o era. Como em todas as histórias deste género, chegou a casa mais cedo do que o habitual sem ter o cuidado de avisar, para que é que te serve a merda do telemóvel se não o usas quando faz falta e ouviu gemidos e risinhos galhofeiros vindos do quarto. Como já andava desconfiado e tinha alguma cagufa, aproximou-se sorrateiro da porta e espreitou agachado para dentro do quarto. Lá dentro, na cama estava a sua mulher, tipo morcela luzidia em cima de um tipo magríssimo de barba pintelhuda que ele reconheceu imediatamente como o filho-da-puta da mulher do dono do quiosque da esquina, onde todas as sextas feiras punha o euromilhões. O povo sabe que para fazer uma boa morcela, há que encher a tripa logo no dia da matança e têm que ser o primeiro enchido a ir para o fumeiro e foi isso da matança de lhe abrir a tripa e de a pôr ao fumeiro que lhe passou ali pela cabeça, mas lembrou-se que não era propriamente um homem de sorte e achou melhor ir embora devagarinho e pensar melhor no assunto.

(To be continued)



Stevie Wonder and Stevie Ray Vaughan-Superstition

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Geração Nespresso

Esta é a geração etariamente transversal, encapsulada, multicolorida, preservada, plástica, hermética, de fácil limpeza e para todos os gostos.

Esta é a geração da informação suportada em virtualidades de vidas cruzadas em teclados normalizados e mensagens curtas.

Esta é a geração da indisciplina do crédito e do descrédito.

Esta é a geração que descobriu, redescobriu ou perdeu a vergonha de assumir, que gosta dos ABBA.



ABBA - Mamma Mia

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Thick as a Prick

Já percebi que nesta coisa da blogosfera, o que está a dar é falar de sexo.


Bom, não chega falar de sexo é preciso ser mesmo explicito, assim utilizando expressões bem lambuzadas, palavras peganhentas, oralidades salivantes, referências a membros túrgidos, saltitantes e alguns outros orifícios palpitantes.


Serei popular se narrar as peripécias da caralhada que saiu para beber um copo e fodeu a conada toda que lhe saiu ao caminho. Mais compreendido se pelo meio detalhar umas brochadas gratuitas pagas com jam sessions de minuetes em ocarinas de clítoris saliente.


Se me alargar em ambientes mais selectos que envolvam utensílios de culinária e cremes espessos, enquadrados por indumentárias de couro negro, vermelho e dourado e alguma bicharada para desenjoar tenho casa cheia garantida.


Aqui há uns anitos quando fiz tropa, tinha um camarada de infortúnio, que usava em tudo o que dizia, como ponto de exclamação, a expressão “Xiiii Caralho Foda-se”, que grande blogger seria hoje, que saudades ò Pires…


Porra eu sou um moço do campo que ainda acredita que o cérebro é o órgão sexual mais potente mas com tanta fartura que se encontra na Sexosfera ainda me arrisco a ter um derrame ejaculatório.


Ian Anderson and Lucia Micarelli-Thick As A Brick

P.S. Os atentos já repararam que gosto muito de usar o verbo ejacular, que de acordo com o dicionário significa expelir esperma, prometo que não irei mudar de ideias.