sexta-feira, 17 de abril de 2009

Purgatório



Quando alguém escarra no olho de outro, isso é um acto de diferença em contraponto à indiferença, pode-se assumir ódio desprezo desdém rancor raiva desilusão mas há o reconhecimento do outro, houve até o cuidado na acção de projectar do escarro com o claro objectivo de acertar bem no centro espalhando-se a partir da pupila mas isso requer precisão atenção cuidado .

Pode-se pensar que qualquer problema será resolvido pura e simplesmente ignorando o volante na próxima curva, mas alguém inventou os airbags, terá sido um homem de fé, com a crença de que ajudava a tarefa de Deus na protecção da vida do homem, mas qual o desígnio que nos foi atribuído? Se nada mais fizermos, respiramos bebemos comemos e produzimos fezes e urina que apenas fedem e secam sem mais benefícios, somos assim talvez a ironia de Deus, o elemento anacrónico na piada da criação, aquele que por apenas estar presente em palco causa escárnio e provoca o riso, mas inspirou um homem de fé que inventou os airbags que protegem outro homem que pensa que todos os problemas podem ser resolvidos ignorando o volante na próxima curva mas que por um acto de Deus vai poder continuar a cagar embora problematicamente.

Às vezes não me apetece rir mas pôr a nu a crueza das palavras no seu arrepio mais real e matar pombos, não que tenha nada contra os animaizinhos, embora pense neles como ratos com asas, mas apenas porque andam por ai à mão e porque não se obrigam a mais nada do que produzir fezes e urina que apenas secam sem mais benefícios, mas que voam livres na sua indiferença e não conseguem ter a capacidade de exercer um acto simples de diferença como é o de escarrar no olho do outro.

The Clash-Straight to Hell

PS.: Este Post não têm janela de comentários, porque nesta casa não se recebe amigos na casa de banho, se acham mesmo que isto é comentável , podem fazê-lo mais abaixo num sitio mais aprazível.

Redenção



Leonard Cohen-Hallelujah

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Privilégio do Disparate - Primeiro sintoma crónico



Inicio hoje uma série de crónicas regulares, debaixo da chancela de um formato a que dei o nome do privilégio do disparate, que é meu fui eu que inventei ainda andava a raspar a cara a ver se os pelinhos se espalhavam prós lados e é um conceito de poder dizer de forma escrita aquilo que me dá na real gana sem ter que ter sentido, moral ou arriscar-me a ser candidato distrital à apanha da azeitona em Amares ou ao Nobel da literatura.

Enquanto andava por ai a passear na hora do patrão, coitado está convencido que ando a fazer um estudo online para calcular o desvio padrão entre a inteligência do Bush filho e o ruminar de uma vaca leiteira açoriana, o que até a mim me impressiona e porque razão alguém encomenda estas coisas e vai na volta vou ter a um blog que me pareceu simpático e dou com isto:

http://silviaf.blogspot.com/2009/04/arte-de-bem-escrevido.html

Apeteceu-me comentar em detrimento de preencher uma folha de Excel cheia de macros e porque a minha amiga Ana gostou tanto a ponto de me deixar assim vaidoso que até pensava que aquilo era a sério e enchi-me de coragem e pedi namoro à menina que estava na paragem do autocarro com a mama meio à mostra e levei um sopapo no queijo que ainda me dói e já foi à dois dias e já tou farto de pôr gelo e daquela pomada meio rosa pastoso que cheira mal e atrai as moscas, decidi transcrever a resposta que dei, sei que é feio plagiar, sobretudo quando o fazemos a nós próprios mas eu também já desisti de ir para o céu.

“Neste momento há muitos milhares de blogs em Portugal e o numero não pára de crescer todos os dias e há de tudo, muito poucos ambicionam algo mais do que se divertir, desopilar, fugir da realidade, sentir-se menos sós, foder o juízo ao mundo, etc.
Movimentos para a correcção na escrita blogueira parecem-me redutores e até tendencialmente snobs.
Eu, que não percebo nada disto e nem sei o que é escrever bem e até avisei no meu primeiro post que era meio disléxico e que a Língua Portuguesa não tinha que se ofender comigo, mas sei o que é um bom prato de bacalhau, semeio virgulas, não faço puto ideia para que é que serve o ponto e virgula, abuso do tabaco e das reticencias e gosto de metaforar e das comparações floreadas com muitos torneados e palavras esotéricas que escolho na wikipidia e what the fuck nem sei se escrevo bem e bem do ponto de vista de quem? Do Saramago? Do Camões ou do Pessoa? Do teu? Aqui na blogocoisa tens a vantagem de que é à borla se não gostas não compraste, não precisas de pôr na estante só para encher… Olha três pontinhos que giro, dá uma ar moderno e coiso.”
Alice Russell-Crazy

Nota: Não tive qualquer duvida de que o post da Silviaf era humorístico e desde já agradeço não me ter dado explicitamente autorização para a referir, talvez porque não o pedi, senão não teria tido coragem de o fazer que eu com as mulheres derreto-me todo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Esplendor



Algures a meio caminho do destino existe um bar de desencontros. Pode-se beber uma simples cerveja, um café ou misturas de muitos álcoois. Um balcão a todo o comprido, bancos altos, mesas desalinhadas, barman em formol, baratas sem pudor e uma juke box a um canto. O típico bar de filme, com cheiro de tabacos, suor e perfume barato.

Putas e mulheres sem mais nada a perder confundem quem entra pela primeira vez, os outros conhecem as regras do jogo, praticam os mesmos rituais de sempre, as trocas de olhares, cigarros apagados a meio, pequenos gestos e conversas sem intuitos de salvação. De vez em quando um casal levanta-se e sai para voltar desemparelhado no dia seguinte, ou simplesmente mais tarde na noite.

Sempre há os que nada mais fazem alem de encher copos vazios do seu esplendor, restos de vida flutuando de bar em bar à espera de um outro dia, de serem escolha de alguém ainda mais perdido e voltarem a ser por um instante, por um lapso de alternativa uma parte transpirada de outro corpo.
Andreas Johnson-Glorious

domingo, 12 de abril de 2009

Amor é…

…Um acorde surdo.
…Uma cor à prova de daltónicos.
…Uma dor não correspondida.
…Uma inconsequência consequente.
…Uma palavra fácil.
…Um encontro de almas perdidas.
…Um bom fim para maus princípios.
…Uma coisa fodida.
…Uma mentira piedosa.
…Um animal a não domesticar.
…Um amanhã logo se vê.
…Uma incerteza corrigida.
…Um doce apimentado.
…Um talvez melhor.
…Um tempo de temporal.
…Um verbo desconjugado.
…Uma curva rectilínea.
…Uma comichão no joelho.
…Uma ausência presente.
…Uma tinta para poesia.
…Uma lágrima seca no espinho de uma rosa.
…Uma desculpa precoce.
…Uma suavidade esmagadora.
…Um conceito comercial livre de impostos.
…Um sei lá o quê porque não li o livro estou à espera que façam o filme.
…Uma lanterna sobre um mar de desesperanças.


Gal Costa e Herbert Viana-Lanterna dos afogados

PS ... Um Acto de partilha.
http://o-pequeno-ourico.blogspot.com/2009/04/amor-e.html

sábado, 11 de abril de 2009

La Cucaracha



As mulheres não gostam de baratas, aliás as mulheres odeiam baratas, algumas até têm horror de baratas. Sempre que uma mulher grita de pânico e aponta a tremer para um canto da sala, compete ao homem com calma e sem desdém agarrar na vassoura, esmagar o bicho, varre-lo discretamente para longe da sua vista e só depois acalmá-la com carinho, respeitando e compreendendo que não é medo, porque mulher que se preza não têm medo, é mais nojo, porque aquilo é nojento, rasteja, transmite doenças e sabe-se lá por onde andou. Depois na pele do herói, pode o homem agradecer ao destino ou à sua crença Divina a presença do insecto e recolher os proveitos, primeiro um beijinho, depois um “o bicho nojento já está no lixo, amanhã vou ver se descubro por onde entrou”, depois uma carícia, um sopro suave, uma mão matreira, um humedecer de lábios, um descasar de botões, um decorrer de fechos e por fim misturam-se os suores , salivas e outros fluidos a gosto.

Mas as baratas não nos trazem só alegrias, infelizmente as mulheres gostam tão pouco de baratas que as usam como o ínfimo padrão de comparação para nos adjectivarem quando lhes caímos em desgraça.
O homem barata é o nível mais baixo da cadeia social, um ser desprezível, insignificante, asqueroso, sem princípios cuja única finalidade é a de ser esmagado naquela carapaça estaladiça e expurgar o pus esbranquiçado que se lhe alberga no corpo.

Resta-nos arrastar as patitas e procurar o abrigo de um cantinho mais escuro e fresco.
Chingon (Feat. Robert Rodriguez)-Cuka Rocka

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Inquisitório – Sobre merdas que nos passam pela cabeça…



-Porque é que os sonhos não têm banda sonora?

-A que horas passa o comboio para o outro lado da noite? Pára em todas as estações ou tenho que saltar em andamento?

-Se para fazer a omeleta tenho que usar ovos, preciso de quantos? Se juntar Bacon e a gordura derreter fica um tom amarelinho mais ou menos abichanado?

-Quando a Lua se enche é por vaidade ou só para me aluar?

-Para se surfar na maionese é preciso ter aulas de culinária ou de snowboard?

-Borregar conseguirá alguma vez ser uma modalidade Olímpica?

-As Mulheres que se queixam da falta de solidariedade pelos homens que não partilham as dores de parto, ficariam mais felizes se de 5 em 5 minutos, um de nós entalasse a colhoada no fecho das calças?

-Se não achas graça nenhuma ao que estás a ler, porque é que continuas?

-Porque é que o Diabo não aceita hipotecas nem alugueres de longa duração?

-Porque é que a Scartett Johasson nunca me comenta os posts?

-Quando a neura me está a foder o juízo, isso é sexo tântrico ou apenas masturbação?

-Se a culpa não morre solteira, porque é que os mordomos são celibatários?

-Será que o Pavlov tinha alergia a pelos de gato ou era compulsivo?

-Se o FCP é o clube Português com mais sucesso na Europa, porque é que ainda não mudaram a merda da cor aos semáforos?

-Porque é que o Bacalhau à Zé do Pipo ainda não é património da Unesco?

-Se continuas a não achar nenhuma graça a isto, porque é que ainda aqui estás?

-Porque é que a Penelope Cruz em vez de me enviar mails , não diz à Scarlett Johansson para me comentar os posts? Afinal elas são amigas ou não são?

-Se o coelhinho da Pascoa põe ovos de chocolate, porque é que o ensopado de lebre não faz parte da lista de sobremesas?

-Porque é que os homens nunca conseguem resistir a foder uma amizade?

-Se o sexo dos homens fosse na ponta do nariz que nome se daria à impotência? Seria correcto continuar a dizer “santinho” quando se espirra? Será que o Papa Bento condenaria os lenços de papel?

-Porque é que não nos basta juntar agua?

-Despontar é ter falta de tesão?

-Se o sexo da mulheres não é nas orelhas, porque é que lhes continuamos a dar conversa?

-Se já chegaste aqui porque é que não lês o resto?

-Porque é que nos olham de lado se pedirmos um par de profiláticos numa sapataria?

-Porque é que um brilho no olhar me encanta tanto o desencanto ò malaguena salerosa debajo de esas dos cejas?

-Porque é que achas que este post nem merece um comentário?


Shivaree-Goodnight Moon

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Francis Ford


Coppola é um daqueles realizadores que não nos consegue deixar indiferentes. Assumindo que me sinto mais invejoso pelo talento do Tarantino, não deixo de retornar algumas vezes, por puro prazer, a filmes como os Padrinhos, Apocalypse Now, Os Marginais, Rumble Fish, Cotton Club e Peggy Sue Got Married, podemos acrescentar ainda à sua contribuição para o Mundo do cinema, a responsabilidade no lançamento de George Lucas com a produção do seu muito interessante American Graffiti.

Mas, o seu filme mais belo (imho) é One From the Heart. E quando digo mais belo refiro um conceito de beleza brilhante de néon com personagens que se cruzam numa noite de Las Vegas ao som da banda sonora mais fantástica que alguma vez se escreveu. Não tenho competências de critico nem me apetece estragar o seu efeito, por isso nem vou falar da história, mas se nunca viram o filme, façam-no, façam-no despidos de preconceitos, façam-no sem expectativas, fixem-se na estética da fotografia e ouçam, sobretudo ouçam enquanto se deixam envolver pela luz da noite que brilha na tela, no final posso-vos garantir que irão ficar a amar ou odiar o filme, nunca indiferentes.

Uma ultima referência a um grande actor que já partiu deste palco, Raul Julia, o imortal Gomez Addams, que aqui têm um dos principais papeis da sua carreira.
Tom Waits and Crystal Gayle-One from the heart intro
Crystal Gayle-Old boyfriends (music by Tom Waits)
Tom Waits-I Beg Your Pardon

domingo, 5 de abril de 2009

A Bela ou o Monstro?



Retorno aos filmes da Disney, com as suas mensagens ocultas, escolhendo hoje um dos mais óbvios crimes cinematográficos contra a emancipação das Mulheres , a Bela e o Monstro. Neste filme os autores revelam o seu desdém por elas, retratando as suas fobias e facetas psicóticas, dualidades de carácter e os seus monstros interiores.

No Inicio, temos a Bela, moçoila jeitosa e ambicionada pelos jovens da aldeia e a quem o melhor partido da região, o topo da lista dos solteiros mais desejados decide fazer a corte.
Num mundo normal que não o doentio dos animadores, a Bela aceitaria de imediato a proposta, teriam um curto noivado e um casamento de 1223 convidados, três filhos e embora casada com um burgesso fingiria felicidade para sempre. Aqui é retratada como uma gaja fútil e caprichosa que despreza o rapaz. Não contente decide fugir e perde-se numa floresta, que não é mais que uma imagem surreal do labirinto mental e atormentado da jovem.

Desvairada refugia-se num castelo, uma vez mais uma alegoria e o retrato pícaro da concha onde se fechou e é ai que todas as suas psicoses e traumas são demonstradas, com diálogos alucinados com chaleiras falantes, peças de mobiliário clássico saltitantes e archotes cantando com sotaque francês, encenações dignas de um Shining moderno com actores de papel.

No final a cena mais marcante com a Bela assumindo o seu Monstro de Mulher inconformada, dançando e beijando-o , enquanto o povo em desespero a tenta ajudar a derrotar a fera. A mulher reduzida a um ser narcisista acaba por transformar o seu desejo em corpo de homem idealizado manifestando o desprezo pela realidade da vida e a aceitação dos machos como parte dominante de uma relação saudável à luz do que é decente e aprovado pela santidade do matrimónio.
Tom Waits and Crystal Gayle-One From The Heart

sábado, 4 de abril de 2009

LSD


O Lysergsäurediethylamid ou dietilamida do ácido lisérgico, dizem as mais línguas, é uma fonte artificial de loucura, foi droga da moda nos anos 60 e um catalisador de criação artística.

É produzida a partir de cogumelos do centeio o que não quer dizer que baste deixar o pão ganhar bolor para a sintetizar. Têm a vantagem de não fazer mal ao fígado mas pode no entanto provocar visões de flores gigantes e coloridas, rapariguinhas de cabelo trigueiro de roçar pelos pés a correrem nuas em parques eólicos e políticos verdadeiramente honestos.

Foi usada pelos militares para melhorar o ambiente das tropas e abusada pelo Coppola no seu Apocalypse. Alguns médicos pica miolos e estudiosos de comportamento humanóide recrearam-se com os seus efeitos.

Os seus defensores alegam que nunca foi provado a existência de perigo de overdose e que fritar a tola também pode ser consequência de se passar muito tempo na praia de Carcavelos.

Aqueles que já me conhecem percebem que esta conversa toda não é mais do que pretexto de voltar a falar desta menina linda que vêm a Portugal em Julho e que se puder lá estarei para lhe apreciar os talentos.
Katie Melua-Lucy in the Sky with Diamonds

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Singeleza

Nesta solidão de quarto de hotel, deixei-me render ao cansaço e na fraqueza ignorei o apelo da cidade que transborda na noite.

Rebusco nos meus recantos e encontro razões para um sorriso.

Uma pequena homenagem à singeleza de algumas Mulheres em particular…


Maria Bethânia canta Terezinha de Chico Buarque

quarta-feira, 1 de abril de 2009

BiBó Porto Carago

Bou pó Porto um par de dias, lá tenho que me habituar aos cimbalinos e às tulipas, mas a gente boa compensa…


Rui Veloso e Vozes da Rádio-Porto Sentido

segunda-feira, 30 de março de 2009

Tudo



Acordei a imaginar um pássaro pousado numa arvore. Ave colorida que pia o seu cantar, convencida que de tudo é mais importante, talvez porque canta livre de razão e pode porém voar.

Acordei a imaginar uma arvore em cima de um monte. Tronco ancestral que estende ramos de folhas perenes, convencida que a tudo vai resistir, talvez porque não teme o vento e na solidão pôde florestar.

Acordei a imaginar um monte no topo da falésia. Convexidade de terra que projecta a sua sombra, convencida que tudo pode dominar, talvez porque derrota com cansaço e na solidez da rocha assentou o seu talhar.

Acordei a imaginar uma falésia sobre o mar. Abismal vertigem que corta o horizonte, convencida que tudo pode esmagar, talvez porque se eleva acima da vontade e nos suspende sem respirar.

Acordei a imaginar um mar reflectido num olhar. Grandeza de agua que espraia sem direcção, convencida que tudo alcança, talvez porque nos cativa e esconde nas suas profundezas as sereias com a atracção do seu cantar.

Acordei a imaginar um olhar debruçado sobre um sonho. Brilho de instante que troça de um sorriso, convencida que tudo conquista, talvez porque rodopia o seu encanto e nos consegue simplesmente apaixonar.

Acordei a imaginar um sonho que em tudo se sobrepõe ao despertar.
Michael Bublé - Everything

sexta-feira, 27 de março de 2009

Oco vazio cheio de nada



Sinto a necessidade de me embrenhar nas palavras sem limites nem virgulas que me pausem. Mergulhar nesta espiral mortal que me arrasta numa orbita de vertigem em direcção ao âmago do desespero. Pudera eu expressar sem restrição o vazio duma alma trocada há muito por apenas nada ou tão pouco e martelar estas teclas marcadas pelos símbolos que se agrupam em significados ou insignificâncias até sentir as pontas dos dedos em ferida sangrando e na dor despertar.

Escrevo sem respirar como numa corrida onde não posso parar sobre a ameaça da derrota que na teimosia ainda não consegui aceitar. Escrevo sem sentido nem objectivo apenas porque não sei mais o que fazer. Escrevo sem encanto na composição das ideias que se secaram pela aridez do cansaço. Escrevo sem pausas de pensar marginalizando a emersão da realidade. Escrevo apenas porque escrevo e enquanto escrevo nada mais existe.

Passaram poucos minutos desde que comecei a espalhar pelo branco estas manchas negras que se amontoam e me libertam como gritos. Agora não me importa ritmos e correcções ou a aceitação de quem quer que seja. Quero apenas preencher este vazio.

Olho num repente para o que ainda tenho que sufocar e engulo a hesitação e continuo sem meditar nos verbos ou seleccionar adjectivos e substantivos. Cubro o espaço sem uniformidades ou sumos de poeta ou proseias racionais. Pudera eu ainda ter mais palavras disponíveis e transformava a eternidade que me resta numa sementeira de escrita.
This Mortal Coil -Song to the Siren

terça-feira, 24 de março de 2009

Alladin Sane

A is for A Lad who got Insane
B is for Bloggers who felt his pain

C is for Clues who hide in the open
D is for Daemons who come so often

E is for Echoes who bounce my head
F is for Farce who rules instead

G is for Goofies who don’t come twice
H is for Hedgie who was so nice

I is for Illusion who blind the most .
J is for Jesus who haunts this post.

K is for Keyboard who become a vice
L is for Life who need some spice

M is for Music who fill the gap
N is for Nick who cloak my crap

O is for Obsession who need to be fight
P is for Passion who make me write

Q is for Question who must be ask
R is for Reality who drown below the mask

S is for Sandman who change my dream
T is for Tedium who make me scream

U is for Unusual who stuff my mind
V is for Videos who cannot be find

W is for Words who wrote this plot
X is for X who mark the spot

Y is for You who feed the tube
Z is for Zero who end my mood.


Creature Feature-A Gorey Demise
(Inspired on The Gashlycrumb Tinies by Edward Gorey)