Às vezes morremos e não demos por isso. A morte não tem que ser um acto físico, não tem que ter outros de negro, nem esquife, nem flor, nem corpo, nem alma, nem mais palavras.
Uma flor morre num acto de secura, num ultimo odor, engelha-se, cristaliza-se no tempo e murcha.
Um corpo morre num acto de paragem, num ultimo bombear, expira-se, arrefece no espaço e apodrece.
Uma palavra morre num acto de sufoco, num ultimo engolir, dilui-se, esvazia-se de sentido e apaga-se.
Uma alma morre num acto de fraqueza, num ultimo sentir, escurece, isola-se no tempo e no espaço e no sentido, murcha e apodrece e apaga-se.
Mas a morte d’alma não é um acto físico, não será incondicionalmente permanente, imutável da nossa vontade e eu visto o token da Fénix e ainda me consumo na dor da sua chama num processo lento de agonia em direcção à emersão de um novo eu, que será talvez um pouco mais de mim.
Queen-Bohemian Rhapsody
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