quarta-feira, 6 de maio de 2009

Inquisitório – Sobre sexo e coisas sem nexo…



α - Se nascemos despidos de preconceitos sexuais porque é que os vestimos?

β -Porque é que os homens e as mulheres nunca conseguiram chegar a acordo sobre o que são 25 cm?

γ - O que é que seria mais interessante para a tabaqueira do ponto de vista de incentivo, fumar um cigarro depois de fazer sexo, ou fazer sexo depois de fumar um cigarro?

δ – Porque é que nunca ninguém se lembrou de criar um franchising de sex shops para mulheres chamado “Toys foR Us?

ε - Porque é que muitas mulheres acham que a certos homens o que fazia falta era ser como o Pinóquio?

ϝ - Qual é o gozo do monólogo da vagina?

ϛ – Que desporto radical é que um ejaculador precoce e uma ninfomaníaca podem praticar em conjunto?

ζ - Se o sexo é saudável porque é que não é comparticipado pela segurança social?

η – Porque é que os casais homossexuais nunca discutem por causa da tampa da sanita?

ͱ - Se o preliminares são importantes porque é que não largas o computador mais cedo?

Θ – Será que não é machismo achar que as ostras são afrodisíacas mas não pensar o mesmo do lingueirão?

ι - Porque é que as mulheres optimistas acham que têm o melhor parceiro sexual do mundo e as pessimistas receiam exactamente o mesmo?

κ -Porque é que os homens tremem quando vêem esta letra?

λ - Porque é que as mulheres tremem quando vêem esta letra?

μ - Porque é que achas que te viste Grego para aqui chegar?

ν - Porque é que quando nos masturbamos toda a gente nos acha manipuladores egocêntricos?

ξ -Porque é que achas mais graça a foder do que copular ou fornicar?

ο – Se as mulheres não gostam de o praticar porque é que insistem em analisar?

π – linha?

ϻ - Porque é que não se promovem os preservativos comestíveis nos festivais de gastronomia?

ϸ - Porque é que quando a coisa falha no sexo oral, lá vêem as más línguas inventar desculpas?

ϙ - Porque é que clítoris é uma palavra tão bonita?

ρ - Se as mulheres gostam que as olhemos nos olhos porque é que usam as mamas mais abaixo?

σ - Porque que carga de agua é que tanta gente no mundo me quer vender viagra?

τ - Se os primeiros católicos eram Judeus, porque é que raio é que trocaram o sexo recreativo pela possibilidade de comer carne de porco?

Υ - Não conseguiste ainda imaginar coisas mais interessantes para fazer do que ler este post?

Φ -Se acreditas no amor à primeira vista porque é que insistes?

χ - Se o Cérebro é um órgão sexual tão activo, porque é que foi tão difícil imaginar estas perguntas?

ψ- Se Ejacular é o clímax do prazer, porque é que não esperaste mais um bocadinho?

Ω -Porque é que achas que te vais ver Grego para comentar este post?
Ravel - Bolero

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dicotomia do querer



Eu quero! Isto dito assim de forma simples, na mais elementar conjugação tem poder. Não chega porem a roçar a força de um eu quero-te! Seco, sem duvidas na pretensão nem margem na recusa mas que se perde se o tentarmos adjectivar no erro do tanto ou na explicação do porquê.

Eu quero-te! Possessivamente mas de acordo com a tua vontade. Eu quero-te! Bruscamente mas segundo as tuas regras. Eu quero-te! Selvagem mas segura na tua doçura. Eu quero-te! Despido de preconceitos mas no respeito das tuas concepções. Eu Quero-te! Com a minha paixão mas receptivo ao teu amor.

Mas todo o verbo sofre da dicotomia de opção na forma de aceitação ou negação e o poder transforma-se em pudor, o calor da palavra transforma-se no frio da reacção. Somos a dimensão da nossa capacidade de perceber a qualidade de um não, de o aceitar quando nada mais restar, de o contornar quando sentimos esperança, de o recusar quando confirmamos a duvida.

Eu quero-te, tu no amanhecer de uma noite. Eu quero-te, corpo no preenchimento de um espaço. Eu quero-te, sexo no cru saciar da nossa tesão. Eu quero-te, espírito na disponibilidade da amizade. Eu quero-te, sentimento na companhia da procura. Eu quero-te, Mulher no complemento e resposta ao teu querer.

PS. Este post foi sugestionado pela Ana e pela Ipsis e desta ultima usem o link e sigam por ai acima e pasmem-se como eu me pasmei na admiração da sua arte e às vezes, Eu quero apenas admirar e pasmar.
Cheap Trick-I Want You To Want Me

domingo, 3 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quarto crescente com vista para o lado obscuro de um bicho de faz de conta


Nunca vos aconteceu irem assim a guiar numa auto-estrada, com excesso de velocidade, só uns 40 ou 50 acima do limite, atentos por causa da merda dos radares e de repente… pás um bicharoco estatela-se no vidro, claro que se desfaz em papa mas o que me impressiona é que há alguns que estão assim cheiinhos de liquido colorido que depois se fica a espalhar, umas vezes é mais verde, outras pró amarelo, será que aquilo eram restos de shots? Haverá algures bares para insectos? E se sim, serão bares para insectos solteiros? Eu já vi duas moscas a foder, não percebi se eram casadas ou um encontro fortuito, até tive pena e não lhes interrompi o coito com Dum Dum, deixei acabar primeiro, mas depois fiquei a pensar na aranha solitária que fez casa no canto da minha sala a quem privei do pequeno almoço, sei que é javardice deixar lá a teia, mas tenho pena do bicho ali tão sozinho, haverá vibradores para aranhas solitárias? Por falar nisso como é que as mulheres passam os vibradores no controlo de bagagem dos aeroportos? E no caso de bagagem perdida, existe alguma opção para descrever os vibradores nos formulários? Se sim, leva em conta o tamanho, cor e textura? E a cor realmente importa para a satisfação das mulheres? Se sim, porque é que não se comercializam tintas seguras à base de açúcar para besuntar na piça? Olha querida hoje trouxe, verde alface e castanho ocre, qual é que te dá mais tesão? E devemos aplicar a tinta antes ou depois da erecção? Bom sempre se pode usar tinta elástica, mas será que aquilo depois não se pega à pintelheira? Não me apetece nada ter que rapar os pelinhos, faz-me impressão andar com os tomates desprotegidos e ao frio, sou sensível a estas coisas e serei menos homem por isso? E depois poderá haver mulheres que não gostam de nos ver peladinhos, poderão considerar falta de maturidade, nada pior para o orgulho de um homem, que lhe digam, olha deixa crescer isso e depois aparece, leva a mal entendidos, que nenhum homem aceita de bom grado que lhe ponham em causa a dimensão da coisa, porque na realidade o que importa é a habilidade e na falta dela sempre se pode recorrer a atributos linguísticos, que eu sei que as mulheres adoram poesia.




O caríssimo Daniel, no aniversário deste blog ofereceu-me um prémio e como para mim é um privilégio aceitá-lo e sei que para ele não é um disparate este é o melhor sitio para o guardar:




A partir deste mês, vou passar a fazer parte de um grupo de bloggers muito, mas mesmo muito talentosos que alimentam a prisão de palavras, claro que eu não me chego nem de longe perto do seu talento, mas comprometi-me em empenho e assim a 13 de Maio, farei lá a minha primeira aparição, ora digam se isto não é um sinal e um privilégio?

Para os distraídos, ponham a musica a tocar e voltem a ler o texto enquanto ouvem e depois vejam só o vídeo, não vos tá a apetecer ir comer coisas doces ou salgadas?
MNOZIL BRASS-Green Hornet

sábado, 2 de maio de 2009

Um ano de Little Boy J

Faz hoje um ano que criei este blog.

Nasceu porque alguém me disse que devia tentar fazer um blog e um dia experimentei e achei fácil, escrevi o primeiro post em meia dúzia de minutos e esqueci-me do assunto e passaram meses e as passwords apagaram-se-me da memória.

Uma sexta-feira de tédio, trouxe-me de volta, tinha retornado de uma viagem e lembrei-me de escrever sobre o assunto e espantosamente quando entrei no blog, lá estava exactamente como o tinha deixado e interroguei-me se alguém o teria visto naqueles meses todos, provavelmente não.

A ideia de incluir vídeos nos textos, surgiu no terceiro post onde a visão de uns corvos na sombra da ponte sobre o Tejo, me fez lembrar Poe e Alan Parsons e os seus fantásticos “Raven”. Ao todo em 9 meses escrevi sete posts, uma assombrosa produção para um preguiçoso mórbido como eu.

Entretanto comecei a andar por ai, a espreitar outros blogs e arrisquei comentar e confesso que a coisa até correu mal, fui mal interpretado, por culpa própria, mas comecei a descobrir um admirável mundo, onde pessoas anónimas expressavam a sua criatividade, as suas ideias, ventilavam ou falavam da vida, de dias bons e menos bons, de alegrias, sofrimento, das relações e das ralações e o bichinho começou a morder. O Janeiro foi tímido mas depois sem dar por isso entrei no meu ritmo de postar, que terá sempre uma média menor que 15 posts por mês.

Eu sempre gostei de escrever, mas nunca o fiz por achar que guardar folhas de papel numa gaveta ou bytes em discos era uma actividade masturbatória sem as vantagens da ejaculação e por isso há anos, muitos anos que não alinhava duas palavras.

Uma revelação sobre mim, a minha formação não é semântica, tenho muitas lacunas gramaticais, escrevo por instinto, demoro normalmente poucos minutos a escrever um texto e sem erros ortográficos graças aos correctores automáticos e de acordo com aquilo que me agrada, que me satisfaz a estética, ao meu estilo.

Surpreendentemente um dia vi o meu endereço linkado num blogger popular, o do Bruno Fehr e pouco depois recebi o primeiro comentário e de alguém que descobri mais tarde ser uma pessoa extraordinária e que se veio a tornar uma grande amiga, a mf, a quem eu por não ter vergonha na cara trato por Hedgie e que me escreveu o seguinte:

“Tu usas a palavra com arte, ou ainda não te apercebeste? Com uma arte diferente do normal, não inteligível para muita gente, e por isso mesmo interessante. “

Aquilo deixou-me perplexo, não só havia alguém que me lia, como aparentemente gostava da forma como escrevia e isso incentivou-me a continuar porque afinal tinha desculpa, podia sempre dizer que a culpa era da Hedgie, acho que nunca te agradeci o comentário e se me estás a ler agora, Hedgie muito obrigado pela tua gigantesca generosidade e pelo favor de me honrares com a tua amizade.

Depois os amigos foram aparecendo, amigos que não conheço sem ser das suas pontas dos dedos, ainda poucos é certo porque embora este blog faça hoje um ano, têm apenas três meses de produção continuada, mas que vão aparecendo com uma qualidade humana enorme e revelando nos seus comentários inteligência, bom gosto e uma visão que às vezes me deixa envergonhado pelo meu atrevimento e atenção não pensem que sou tímido ou acanhado, na vida real posso vos dizer que sou considerado um bom cabrão e alguém a quem não convêm fazer saltar a tampa.

Mas nem tudo são flores, esta coisa das blogosfera abre-nos os horizontes, mas também nos faz pensar e a mim a fazer contas à vida e a achar que estava na altura de recomeçar, a fazer jus ao icon que tinha escolhido, Jesus escondido numa Fénix ambicionava renascer das cinzas.
Este está a ser um processo muito complicado e que me têm muitas vezes levado a situações extremas emocionais e tantas, tantas a querer desistir, este blog esteve várias vezes para fechar no ultimo mês, mas depois alguém ai desse lado faz um comentário que me sacode e eu respiro fundo e volto a botar as patas no teclado. O meu renascer se alguma vez se concretizar vai demorar muito tempo, fez-me passar da companhia da solidão para a solidão da solidão e por isso não se espantem com a alternância de humores, neste momento e sobretudo este blog é para mim uma válvula emocional, prometo no entanto que em dias melhores vos irei tentar passar um bocadinho do meu sentido de humor, que é retorcido, irónico, mordaz e estranho mas é o que se pode conseguir de alguém que cresceu a admirar o humor britânico, é parvo, bronco e têm a mania que é engraçado.

Há muitas pessoas que passam por aqui a quem sou indiferente, pensava que até teria muitas visitas de pedófilos e disso tive recentemente a confirmação, porque instalei ontem um sitemeter que me mostrou que recebi a visita de um Japonês que procurava no Google “Little Boy Bottom”, ora a esses posso garantir que tenho tratado bem do rabinho que é de pele branquinha e pouco borbulhenta mas a quem desejo que desenvolvam muito rapidamente atrofia nos colhões e paralisia cerebral associada a complicações graves em outros órgãos essenciais.

Aqueles a quem digo alguma coisa, peço que me continuem a comentar, os que nunca o fizeram, que o façam hoje, quero, necessito muito de saber que existem ai do outro lado e a todos o meu obrigado, o meu beijo, o meu abraço.

As musicas que escolhi hoje reflectem a bipolaridade dos meus sentimentos mas ambas valem a pena ouvir.

Altered Images-Happy Birthday

The Smiths-Unhappy Birthday

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Floresta



Eu hoje caminhei nu na submissão da ausência.

Fui transportado por um fio de vento a um lugar vazio de memórias e de tempo, senti nas palmas dos pés o veludo fresco do musgo e bebi do cheiro do verde até à transfiguração da carne em casca, dos membros em tronco e do que me sobrou de pele em folhas de livre forma. Sou arvore no ponto de vista da floresta.

Calei a minha voz no burburinho do silêncio, sequei a minha seiva na cristalização da aparência, estou sem ali estar, sem porem nem vez abarco a compreensão da incompreensão ou a aceitação da irrelevância e oculto na sombra o brilho que nunca foi mais que um mero reflexo.

Agora deixei de ser percebido e sou o que sempre soube ser, uma arvore a mais na floresta, invisível e indistinto.
The Cure-A Forest

terça-feira, 28 de abril de 2009

Anatomia do desejo



Tenho paixão por palavras que se estendem alem da compreensão ainda pela forma como nos saem num sussurro. Tenho paixão por verbos de posse e vontade.

Eu desejo; eu tenho desejado; eu desejava; eu tinha desejado; eu desejarei; eu terei desejado; eu desejei; eu desejara; eu deseje; eu tenha desejado; eu desejasse; eu tivesse desejado; eu desejar; eu desejaria; eu teria desejado; eu ter desejado.

O desejo é a génese do pecado.

Na Vaidade desejamos superlativar o que temos e o que somos, desejamos ser belos da frente e do avesso, desejamos que nos venerem, admirem, idolatrem e amem, desejamos ser fonte e causa de outros desejos.

Na Inveja desejamos as existências dos outros, desejamos o material e suas conquistas, desejamos a abstracção da mesquinhez, desejamos a razão justificada na fome e na secura, desejamos tudo na ânsia do desejo.

Na Ira desejamos a racionalização da raiva, desejamos a capacidade de cegar da visão do mal, desejamos a força de dobrar vontades, desejamos realimentar ódios e angustias, desejamos aniquilar a vontade de qualquer desejo.

Na Preguiça desejamos a continuidade do vazio, desejamos a invenção da ausência da necessidade, desejamos estender inércias e abençoar entropias, desejamos perpetuar num instante de eternidade o acordar do desejo.

Na Avareza desejamos preservar a posse, desejamos ocultar pensamentos de miséria e pequenez, desejamos que o nosso todo se multiplique com a intervenção do nada, desejamos sobretudo evitar a partilha do desejo.

Na Gula desejamos saciar a abundância , desejamos devorar o pouco e o muito, desejamos o doce e o salgado, desejamos lambuzar, engolir, mastigar, regurgitar, desejamos consumir o próprio desejo.

Na Luxúria desejo a humidade do vermelho dos teus lábios, desejo o sentir dos teus poros, desejo o túrgido dos mamilos no teu peito, desejo o conforto das tuas coxas, desejo o calor do teu interior, desejo o simultâneo do teu êxtase, desejo simplesmente o teu desejo.

Eu pecador me confesso.
Procol Harum-A Whiter Shade Of Pale

domingo, 26 de abril de 2009

O Privilégio do Disparate - Terceiro de acordo com a grã ordem do puxas dai que eu empurro daqui.


Hoje esta coisa vai ser bilingue e que jeito dá a palavra coisa, nem sei se podia viver sem ela, porque embora uma coisa ser uma coisa e outra coisa ser outra coisa, às vezes apetece-me mesmo qualquer coisa e esta coisa de desejar uma coisa têm cada coisa que na volta coisa connosco.

How to recognize different types of trees from quite a long way?

Nº 1: The Larch


Isto de fazer humor tem que se lhe diga, não é para qualquer um e sendo escrito bem me posso pôr para aqui a dar traques que nem vos consigo provocar sequer um sorriso amarelinho de ovo mexido com chouriço e cogumelos e pedacinhos de presunto daquele da pata negra e pata negra porquê? O raio do porco não se lavava? Aquilo passou pelo controlo higiénico da ASAE? E o que quer afinal dizer ASAE? Estas e outras questões atormentam-me:

Nº 2: The Larch


Aqui há uns anos, uma meia dúzia de rapazitos acharam que podiam fazer o que lhes dava na bolha e que a malta aborregada se ria, aliás que se mijava a rir, aliás quem não se ria era mesmo muito burro, mas não foram muito longe e a mim não me enganaram não, nem sequer os idolatro, venero, pythonizo ou gostava de ter uma fracçãozinha imprópria do seu talento:

Nº5: Chanel… Nº5: The Larch


Mas voltando à ASAE o que é que aquilo quer dizer, se andam para ai a impedirem-nos de comer porcarias quererá dizer Associação Saudável da Anorexia Esquelética, pois é saiu disparate, but that’s the point, ainda não tinham percebido:

Nº23: The Larch


Eu gosto de comer as porcarias que os meus avós podiam comer à vontade e gosto de comer nas tascas do meu País e ofendem-me aqueles que acham que eu não sei zelar pelos meus direitos, foda-se se sou mal servido ou se não gostei de ver o cozinheiro a tirar macacos do nariz, enquanto amassava os rissoles de camarão, não regresso a não ser que a empregada seja daquelas brasileiras de boa tranca com um cu que nunca mais acaba, ai a coisa muda de figura e olha lá voltámos à coisa, mas também foi por essas razões que o dono contratou a Brasileira, porque sabia da predilecção do cabrão do cozinheiro de catar burriés a qualquer hora, mas que eu lhe perdoava a olhar para a bilha da empregada que é cá uma coisa:

Nº35: The Larch


Pois os tais palermas que se achavam engraçados, nem sequer eram Portugueses, mas por cá durante uns tempos ainda se pôs pão com manteiga na coisa dos dois lados e a coisa até resultou durante uns tempos, nem se falava em pedofilia, quem gostava de miúdos podia comer sem se preocupar de que as moelas fazem parte do sistema urinário das galinhas e já alguma vez viram uma a mijar? Aquilo tem muita pinta:

Nº69: Lack of Imagination… Nª69: The Larch


E assim acabei por falar das coisas e de outros tipos que me fizeram rir em tempos porque ousaram a diferença e de merdas que me chateiam porque neste país se exagera pelo excesso e pelo defeito e porque sei que mais cedo ou mais tarde alguém se vai lembrar de regular a dimensão da peida da empregada, banir publicamente os petiscos de entranhas de galinha mas permitir que se possa continuar a papar miúdos, desde que se seja discreto assim como à coisa de não se poder comer joaquinzinhos que às tantas já ninguém liga.

And now for something completely different:

Nº 1: The Larch


A minha amiga Pronúncia que desconfio vê a coisa por um canudo é boa moça mas um pouco tonta e vai também decidiu cometeu o disparate de me conceder o privilégio de me dar um prémio, é claro que ela sabe o quanto me afecta com a sua amabilidade, acho até que faz de propósito e aqui vai ele ficar guardadinho:



Quase todos os blogs que sei merecerem este prémio já o têm por isso vou apenas passá-los a duas bloggers a quem aprecio o humor e o savoir faire, como raramente passam por aqui muito provavelmente nunca o vão descobrir e eu também não lhes vou dizer nada porque sou tímido, são coisas…

Jane
Vani

Ainda a pensar na minha amiga Pronúncia, tenho cá a impressão de que gosta de um bom Nespresso, por isso esta musica é inteirinha para ela e já agora aproveitem a dica e se não viram vejam esta versão da Odisseia imaginada pelos irmãos Cohen que são uns raros Americanos com sentido de humor a sério.

Soggy Bottom Boys-I Am A Man Of Constant Sorrow

sábado, 25 de abril de 2009

Réquiem para uma ressurreição


Às vezes morremos e não demos por isso. A morte não tem que ser um acto físico, não tem que ter outros de negro, nem esquife, nem flor, nem corpo, nem alma, nem mais palavras.

Uma flor morre num acto de secura, num ultimo odor, engelha-se, cristaliza-se no tempo e murcha.

Um corpo morre num acto de paragem, num ultimo bombear, expira-se, arrefece no espaço e apodrece.

Uma palavra morre num acto de sufoco, num ultimo engolir, dilui-se, esvazia-se de sentido e apaga-se.

Uma alma morre num acto de fraqueza, num ultimo sentir, escurece, isola-se no tempo e no espaço e no sentido, murcha e apodrece e apaga-se.

Mas a morte d’alma não é um acto físico, não será incondicionalmente permanente, imutável da nossa vontade e eu visto o token da Fénix e ainda me consumo na dor da sua chama num processo lento de agonia em direcção à emersão de um novo eu, que será talvez um pouco mais de mim.

Queen-Bohemian Rhapsody

sexta-feira, 24 de abril de 2009

H. B. H.

As palavras às vezes atrapalham-me.



Michael Bublé-Save the Last Dance For Me

terça-feira, 21 de abril de 2009

Despudores de uma Lua de desamores


Nada é por acaso. Sou encantado por uma Lua cheia que me banha com a sua luz de mel mas que sempre me manteve na sua distância inculpável porque não pode esconder os seus reflexos. Não me pode matar, nem secar por não ser mais do que sempre foi, um brilho no longe, não é por acaso que me encanta sem me alentar.

Os desencantos de um desamor não são reflexos de Lua mas rastos de tempo, restos de secura, rasgos de alma, escuridão de fel que perdura e nos faz acreditar que somos mentiras levadas pelo vento, inconsequentes agrilhoados ao dever.

Mas eu não deixo de sonhar com a Lua atraído pelo seu despudor quando me refaz o manto de alma e me alimenta de desejos de outros brilhos de doçura, esperanças de tempo que se recupera e finalmente sim significar na partilha.
Echo and The Bunnymen-The Killing Moon

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Privilégio do Disparate - Segundo a hierarquia dos refogados



Encontrei o “White Rabbit” no final das escadas, rejubilava contente e sacudia o pelo, confessou-me que tinha sido convidado para um casting com o Burton e que se terá apaixonado pela Mia, que a Bonham Carter é uma simpatia mas que eu daria um muito melhor e mais convincente louco de chapéu que o Depp. Agradeci e disse-lhe que eu e os chapéus altos não combinávamos e que não, não me apetecia beber chá e lá foi saltitante e a mim apeteceu-me coelho de coentrada e outros sabores do meu Alentejo, bem acompanhados por um bom tinto a olhar para as planícies e a admirar a simplicidade verdadeira das suas gentes.

Dei-me a matutar com os meus botões que são daqueles de quatro furinhos, em que a linha se cruza e depois fui informar-me na pastelaria como podia candidatar-me a ser corrupto. Ora o pasteleiro é um gajo porreiro, faz uma massa folhada de lamber os dedos e o que eu gosto de palmiers cobertos de doce de ovos, mas não sabia nada disso que trabalhava para vencer na vida, o tonto. Expliquei-lhe que não fazia mal. Que agora já se podia ser corrupto, desde que se pagassem os impostos, até tinham inventado um regime especial para quem quisesse ser corrupto legalmente e a legalidade é uma coisa que sempre me agradou, mostra carácter.

Depois apeteceu-me ouvir um som e voltar a pedir a licença de porte de arma, podia ser que desta vez não recusassem, que esquecessem lá essa coisa de ser mentalmente instável, há tanto doido que anda por ai assim de cara descoberta, alguns até conseguem ser figuras publicas e eu nunca iria tremer nem ficar a moer-me porque raio tinha decidido disparar a arma, afinal já deve de ter aberto a época da caça aos coelhos ou a quem legisla a bênção a corruptos que agora até contribuem para o meu bem estar.



A minha amiga Hedgie cometeu o disparate de me conceder o privilégio de me dar um prémio, ora eu não sou para levar a sério, mas gostei do gesto e como não sou de cumprir regras não o vou expor lá de lado mas fica aqui.





Supostamente devia passar o prémio a mais 10 bloggers e informa-los mas isso dá muito trabalho, há muitos que o merecem, mas já tem carradas de prémios por isso fico-me por metade e não lhes digo nada, eles que descubram sozinhos…

100 título
Dark & Beauty
FORTEIFEIO
olhARES
Pronúncia do Norte

Waldeck-Why Did We Fire The Gun

domingo, 19 de abril de 2009

Mascara



Refugio-me na mascara da palavra que me impede de mostrar quem sou. O espelho à muito que reflecte um estranho e no entretanto rabisco histórias em entrelinhas, emoções escondidas entre virgulas, paralelos na melodia de outros, alterno humores e significados em busca de talvez concordâncias, aceitações, comunhão e empatias de outras mascaras.

Por de trás da mascara o sorriso da palavra disfarça-se da dor e a acidez da frase repele a loucura, abstrai a confusão que se dilui, ilusões e desilusões, diferenças e indiferenças, purgo ou expurgo em pequenos actos de redenção na ambição de paz ou de um outro final que se alinhe.

A mascara é lisa sem sulcos, serena irrelevante aos turbilhões das outras mascaras sedentas do desejo de expor as suas histórias no exteriorizar de linhas que desenhem finalmente uma face que possa voltar a identificar como minha.

Brandi Carlile-The Story

PS. A ideia da musica foi “emprestada” daqui, sei que um simples obrigado bastará.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Purgatório



Quando alguém escarra no olho de outro, isso é um acto de diferença em contraponto à indiferença, pode-se assumir ódio desprezo desdém rancor raiva desilusão mas há o reconhecimento do outro, houve até o cuidado na acção de projectar do escarro com o claro objectivo de acertar bem no centro espalhando-se a partir da pupila mas isso requer precisão atenção cuidado .

Pode-se pensar que qualquer problema será resolvido pura e simplesmente ignorando o volante na próxima curva, mas alguém inventou os airbags, terá sido um homem de fé, com a crença de que ajudava a tarefa de Deus na protecção da vida do homem, mas qual o desígnio que nos foi atribuído? Se nada mais fizermos, respiramos bebemos comemos e produzimos fezes e urina que apenas fedem e secam sem mais benefícios, somos assim talvez a ironia de Deus, o elemento anacrónico na piada da criação, aquele que por apenas estar presente em palco causa escárnio e provoca o riso, mas inspirou um homem de fé que inventou os airbags que protegem outro homem que pensa que todos os problemas podem ser resolvidos ignorando o volante na próxima curva mas que por um acto de Deus vai poder continuar a cagar embora problematicamente.

Às vezes não me apetece rir mas pôr a nu a crueza das palavras no seu arrepio mais real e matar pombos, não que tenha nada contra os animaizinhos, embora pense neles como ratos com asas, mas apenas porque andam por ai à mão e porque não se obrigam a mais nada do que produzir fezes e urina que apenas secam sem mais benefícios, mas que voam livres na sua indiferença e não conseguem ter a capacidade de exercer um acto simples de diferença como é o de escarrar no olho do outro.

The Clash-Straight to Hell

PS.: Este Post não têm janela de comentários, porque nesta casa não se recebe amigos na casa de banho, se acham mesmo que isto é comentável , podem fazê-lo mais abaixo num sitio mais aprazível.

Redenção



Leonard Cohen-Hallelujah

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Privilégio do Disparate - Primeiro sintoma crónico



Inicio hoje uma série de crónicas regulares, debaixo da chancela de um formato a que dei o nome do privilégio do disparate, que é meu fui eu que inventei ainda andava a raspar a cara a ver se os pelinhos se espalhavam prós lados e é um conceito de poder dizer de forma escrita aquilo que me dá na real gana sem ter que ter sentido, moral ou arriscar-me a ser candidato distrital à apanha da azeitona em Amares ou ao Nobel da literatura.

Enquanto andava por ai a passear na hora do patrão, coitado está convencido que ando a fazer um estudo online para calcular o desvio padrão entre a inteligência do Bush filho e o ruminar de uma vaca leiteira açoriana, o que até a mim me impressiona e porque razão alguém encomenda estas coisas e vai na volta vou ter a um blog que me pareceu simpático e dou com isto:

http://silviaf.blogspot.com/2009/04/arte-de-bem-escrevido.html

Apeteceu-me comentar em detrimento de preencher uma folha de Excel cheia de macros e porque a minha amiga Ana gostou tanto a ponto de me deixar assim vaidoso que até pensava que aquilo era a sério e enchi-me de coragem e pedi namoro à menina que estava na paragem do autocarro com a mama meio à mostra e levei um sopapo no queijo que ainda me dói e já foi à dois dias e já tou farto de pôr gelo e daquela pomada meio rosa pastoso que cheira mal e atrai as moscas, decidi transcrever a resposta que dei, sei que é feio plagiar, sobretudo quando o fazemos a nós próprios mas eu também já desisti de ir para o céu.

“Neste momento há muitos milhares de blogs em Portugal e o numero não pára de crescer todos os dias e há de tudo, muito poucos ambicionam algo mais do que se divertir, desopilar, fugir da realidade, sentir-se menos sós, foder o juízo ao mundo, etc.
Movimentos para a correcção na escrita blogueira parecem-me redutores e até tendencialmente snobs.
Eu, que não percebo nada disto e nem sei o que é escrever bem e até avisei no meu primeiro post que era meio disléxico e que a Língua Portuguesa não tinha que se ofender comigo, mas sei o que é um bom prato de bacalhau, semeio virgulas, não faço puto ideia para que é que serve o ponto e virgula, abuso do tabaco e das reticencias e gosto de metaforar e das comparações floreadas com muitos torneados e palavras esotéricas que escolho na wikipidia e what the fuck nem sei se escrevo bem e bem do ponto de vista de quem? Do Saramago? Do Camões ou do Pessoa? Do teu? Aqui na blogocoisa tens a vantagem de que é à borla se não gostas não compraste, não precisas de pôr na estante só para encher… Olha três pontinhos que giro, dá uma ar moderno e coiso.”
Alice Russell-Crazy

Nota: Não tive qualquer duvida de que o post da Silviaf era humorístico e desde já agradeço não me ter dado explicitamente autorização para a referir, talvez porque não o pedi, senão não teria tido coragem de o fazer que eu com as mulheres derreto-me todo.