Faz hoje um ano que criei este blog.
Nasceu porque alguém me disse que devia tentar fazer um blog e um dia experimentei e achei fácil, escrevi o primeiro post em meia dúzia de minutos e esqueci-me do assunto e passaram meses e as passwords apagaram-se-me da memória.
Uma sexta-feira de tédio, trouxe-me de volta, tinha retornado de uma viagem e lembrei-me de escrever sobre o assunto e espantosamente quando entrei no blog, lá estava exactamente como o tinha deixado e interroguei-me se alguém o teria visto naqueles meses todos, provavelmente não.
A ideia de incluir vídeos nos textos, surgiu no terceiro post onde a visão de uns corvos na sombra da ponte sobre o Tejo, me fez lembrar Poe e Alan Parsons e os seus fantásticos “Raven”. Ao todo em 9 meses escrevi sete posts, uma assombrosa produção para um preguiçoso mórbido como eu.
Entretanto comecei a andar por ai, a espreitar outros blogs e arrisquei comentar e confesso que a coisa até correu mal, fui mal interpretado, por culpa própria, mas comecei a descobrir um admirável mundo, onde pessoas anónimas expressavam a sua criatividade, as suas ideias, ventilavam ou falavam da vida, de dias bons e menos bons, de alegrias, sofrimento, das relações e das ralações e o bichinho começou a morder. O Janeiro foi tímido mas depois sem dar por isso entrei no meu ritmo de postar, que terá sempre uma média menor que 15 posts por mês.
Eu sempre gostei de escrever, mas nunca o fiz por achar que guardar folhas de papel numa gaveta ou bytes em discos era uma actividade masturbatória sem as vantagens da ejaculação e por isso há anos, muitos anos que não alinhava duas palavras.
Uma revelação sobre mim, a minha formação não é semântica, tenho muitas lacunas gramaticais, escrevo por instinto, demoro normalmente poucos minutos a escrever um texto e sem erros ortográficos graças aos correctores automáticos e de acordo com aquilo que me agrada, que me satisfaz a estética, ao meu estilo.
Surpreendentemente um dia vi o meu endereço linkado num blogger popular, o do Bruno Fehr e pouco depois recebi o primeiro comentário e de alguém que descobri mais tarde ser uma pessoa extraordinária e que se veio a tornar uma grande amiga, a mf, a quem eu por não ter vergonha na cara trato por Hedgie e que me escreveu o seguinte:
“Tu usas a palavra com arte, ou ainda não te apercebeste? Com uma arte diferente do normal, não inteligível para muita gente, e por isso mesmo interessante. “
Aquilo deixou-me perplexo, não só havia alguém que me lia, como aparentemente gostava da forma como escrevia e isso incentivou-me a continuar porque afinal tinha desculpa, podia sempre dizer que a culpa era da Hedgie, acho que nunca te agradeci o comentário e se me estás a ler agora, Hedgie muito obrigado pela tua gigantesca generosidade e pelo favor de me honrares com a tua amizade.
Depois os amigos foram aparecendo, amigos que não conheço sem ser das suas pontas dos dedos, ainda poucos é certo porque embora este blog faça hoje um ano, têm apenas três meses de produção continuada, mas que vão aparecendo com uma qualidade humana enorme e revelando nos seus comentários inteligência, bom gosto e uma visão que às vezes me deixa envergonhado pelo meu atrevimento e atenção não pensem que sou tímido ou acanhado, na vida real posso vos dizer que sou considerado um bom cabrão e alguém a quem não convêm fazer saltar a tampa.
Mas nem tudo são flores, esta coisa das blogosfera abre-nos os horizontes, mas também nos faz pensar e a mim a fazer contas à vida e a achar que estava na altura de recomeçar, a fazer jus ao icon que tinha escolhido, Jesus escondido numa Fénix ambicionava renascer das cinzas.
Este está a ser um processo muito complicado e que me têm muitas vezes levado a situações extremas emocionais e tantas, tantas a querer desistir, este blog esteve várias vezes para fechar no ultimo mês, mas depois alguém ai desse lado faz um comentário que me sacode e eu respiro fundo e volto a botar as patas no teclado. O meu renascer se alguma vez se concretizar vai demorar muito tempo, fez-me passar da companhia da solidão para a solidão da solidão e por isso não se espantem com a alternância de humores, neste momento e sobretudo este blog é para mim uma válvula emocional, prometo no entanto que em dias melhores vos irei tentar passar um bocadinho do meu sentido de humor, que é retorcido, irónico, mordaz e estranho mas é o que se pode conseguir de alguém que cresceu a admirar o humor britânico, é parvo, bronco e têm a mania que é engraçado.
Há muitas pessoas que passam por aqui a quem sou indiferente, pensava que até teria muitas visitas de pedófilos e disso tive recentemente a confirmação, porque instalei ontem um sitemeter que me mostrou que recebi a visita de um Japonês que procurava no Google “Little Boy Bottom”, ora a esses posso garantir que tenho tratado bem do rabinho que é de pele branquinha e pouco borbulhenta mas a quem desejo que desenvolvam muito rapidamente atrofia nos colhões e paralisia cerebral associada a complicações graves em outros órgãos essenciais.
Aqueles a quem digo alguma coisa, peço que me continuem a comentar, os que nunca o fizeram, que o façam hoje, quero, necessito muito de saber que existem ai do outro lado e a todos o meu obrigado, o meu beijo, o meu abraço.
As musicas que escolhi hoje reflectem a bipolaridade dos meus sentimentos mas ambas valem a pena ouvir.
Altered Images-Happy Birthday
The Smiths-Unhappy Birthday