quinta-feira, 21 de maio de 2009

Inquilinos

Aos meus inquilinos, musica e palavras.


Para a Hedgie


Caetano Veloso-Tigresa


Para o Bruno Fehr


Gabriel o Pensador-Cachimbo da paz


Para a Pronúncia



Rodrigo Leão-Voltar


Para o Forteifeio



Resistência-Marcha dos desalinhados


Para a Ana



Sergio Godinho-Dancemos no mundo


Para a Ipsis



Doces Bárbaros-Esotérico


Para a Princesa



Clã-Sopro no coração


Para a Jane



Gift-Gaivota

Para a Silvia


GNR-Bem vindo ao passado

Para a I.D. Pena


Rádio Macau-Amanhã é sempre longe de mais

Para o Daniel

Jorge Palma-Valsa de um homem carente

Para o Treze


Rui Veloso e Sara Tavares-Saiu para a rua

Para a Storyteller

Entre Aspas-Uma flor

Para a Teresa

Madredeus-Oxalá

Para a Fada

Diva-Baila Papoila

Para a WAI

Marisa Monte-Bem que te quis

Para a Afrodite

Elis Regina-Com esse que eu vou

terça-feira, 19 de maio de 2009

O pecador de palavras


Eu hoje sou nas palavras o seu pecador é por elas que me acordo no senso e mergulho no sonho é por elas que me visto na noite e transvisto no dia é por elas que me alimento no ar e nutro no fogo é por elas que sou sangue na tinta e paixão no papel é por elas que aqui estou e me ausento da vida é por elas que me perco ainda e ainda te reencontro.

A palavra é o meu pecado e todo o pecado tem penitencia e esta por vezes dói, condena-me a viver apenas de palavras , devoto e submisso imploro-lhes que não me faltem, que me indiquem a próxima sílaba, que me salvem da semântica linear e me perdoem a incoerência verbal num desejo egoísta do deslumbre fugaz do prazer que provoco a quem as lê.

Pago a penitência com o desalento da solidão, fechei-me entre palavras, elas são o limite do meu mundo, ansiava transforma-las em pontes mas solidificaram em muralhas, ocultam-me do passado absorvendo o presente sem promessas de futuro. Eu escrevo a palavra que define o pecado e a penitência que se define na palavra. Não sei mais se escrevo para quem me lê ou me leio por quem me escreve, mas são só palavras apenas pecados.

Hoje a minha vida é a palavra e a palavra não me suporta a vida, o meu pecado cria somente dependência desta penitência.
Mariana Aydar-Palavras não falam

domingo, 17 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quinto elemento em adenda para ajudar necessitados no preencher do anexo H do IRS



O post anterior suscitou tanta interpretação díspar que me senti na obrigação de exercer o dever cívico de elucidar, explicar, ajudar, empurrar e salientar o que de bom podemos encontrar no mistério do anexo H.

Essa explicação pode ser encontrada aqui:


LAURIE ANDERSON - LANGUE D'AMOUR

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quinto elemento para a compreensão da vida, do amor e do preencher do anexo H do IRS


A vida e o seu significado são objecto de estudo e formulação de teorias desde que o homem, descobriu que o excesso capilar não agradava a todas as mulheres e se pôs a disfarçar o cheiro de bedum o que provocou o inicio do aumento demográfico e a consequente migração de patos para o sul no inverno, também porque faz frio no inverno e os patos não são tão parvos quanto querem fazer parecer com aquele andar torpe e grasnar irritante, eu por exemplo não gosto muito de pato, só em arroz e tem que ser o pato desfeito sem ossos e um ovinho por cima coradinho no forno.

Mas se já falei no significado da vida o que dizer do amor? Eu pouco sei sobre isso, mas aparentemente muita gente sabe e seria falta de respeito pôr-me aqui a brincar com o assunto quando ele importa a tantos e tantos podem falar mais e melhor sobre ele do que eu, por isso vou antes falar de outra coisa, mas que outra coisa? O que é que poderá ser mais importante que o amor? Ora uma vez que não posso voltar a falar de patos, porque ai estaria a relacionar o amor com o sentido da vida e sabendo da minha paixão por bichos e da sua capacidade de simular em modelo reduzido e à escala isotrópica os comportamentos dos homens, poderia falar de moluscos, que aprecio particularmente, pelo gosto simples e até pelos seus nomes patuscos, se não vejamos, temos os burriés que sabem a mar e são assim a modos que caracóis de agua sem cornos, mas que do ponto de vista da piada, têm montes de possibilidades e os mexilhões, esses mexilhões sempre uns incompreendidos eu por exemplo, dava um bom mexilhão e por mais nada além de ter umas manápulas grandes e dedos ágeis e depois o que dizer ainda do lingueirão, assim comprido e sempre a deitar a língua de fora o que bem explorado poderia dar outro significado ao amor e cá voltei sem querer ao assunto e pronto vamos lá falar de amor já que não posso mesmo falar mais de patos.

O amor é… penso que até já falei sobre isso. Mas temos o amor carnal e o amor fraterno, o amor clubista que na maior parte dos casos é colorido e riscado, eu até acho interessante um amor ser colorido, que isso de platonismo é coisa de bichóla, eu sei que a palavra não existe mas é bichóla mesmo, peço desculpa aos leitores mais conservadores, mas eu digo o que penso das coisas, sem rodeios e depois temos o amor politico e não estou a falar do amor da Manela ao Zézinho que eu sei que quem desdenha quer comprar e da história da farinha ser do mesmo saco , mas do amor a uma causa, a um ideal e temos o amor a determinado personagem real ou imaginado, eu cá gosto do Snoopy e do Garfield, que é um gato gordo que ama lasanha e dias de segunda feira passados em modo preguiça e a preguiça é tão bom e é um outro bicho também incompreendido, mas amoroso e isso se calhar é a verdadeira definição do amor, quando dizemos que isto ou aquilo é amoroso ou seja identificamos claramente o objecto amado, mas o curioso é que normalmente quando dizemos que algo é amoroso existe uma noção de redução a algo que não é nada mais do que amoroso, sem qualidade adicional ou pior como desculpa, cheira mal mas é amoroso, morde mas é amoroso, provoca comichão nos ortelhos e esta não é inocente e olha eu aqui a deitar-te a língua de fora mas é amoroso, é um chato com estes textos parvos e estranhos que nos deixam a pensar no que raio é que ele quis dizer com isto, que mensagens se escondem nas entrelinhas e falsas virgulas e mudanças súbitas de assunto e na conversa dos patos mas é amoroso, ora eu não quero ser amoroso por apenas ser fofinho e estar aqui à mão.

PS. Sobre o anexo H do IRS, façam como eu desenrasquem-se…
Art of Noise-Peter Gunn

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Criatura da Noite


Parei o carro e saí. Não me pareceu importante o sitio onde o deixava, nem trancar as portas. Dirigi-me à beira da falésia sem ideias nem resoluções e olhei o mar. A luz da lua desfazia-se em reflexos de peixes prateados, espelhados na superfície como mortos, esta lua em noite de sombras incomodava-me. Deixei as pontas dos pés, alinhadas sobre o vazio e tentei-me a olhar o escuro.
- Por ai arriscas-te a falhar, a queda não deverá ser fatal – A voz veio repentina, seca, doce de mulher, por detrás de mim – Mais acima é mais certo, o voo é curto mas as rochas lá em baixo dão-te a garantia de que não acabas no hospital a lamentares a decisão.
-Eu não…- As palavras sufocaram, vi-a agora como um vulto, magra, aparentemente jovem, um pouco mais baixa que eu, de calças e camiseta justa, atraente. – Eu moro aqui perto, venho aqui para pensar - Disse sem convicção, enquanto lhe tentava perceber a dimensão dos peitos.
-Pois, sei, olha não quero saber se te vais mandar dai abaixo ou não, mas antes podias… não tens por acaso ai um cigarro? – Aproximou-se e pude ver um rosto magro, ainda indistinto, tirei o maço do bolso e passei-lho, sacou um cigarro e tirou um isqueiro do bolso e acendeu-o. Num instante de luz pude ver uma face de lábios carnudos e uns olhos castanhos enquadrados nas mais belas pestanas que alguma vez vira, não era uma mulher deslumbrante mas tinha algo que me perturbou e a escuridão voltou a ocultar-lhe o rosto.
-Esta lua atrai os suicidas – A voz continuava áspera, doce, sem sentimento – Deixa-me adivinhar, descobriste hoje que a mulher que te dava tesão, só andava a brincar contigo, que fodia com outro, ou com outros e apeteceu-te ver se tinhas tomates para acabar com aquilo que pensas ser a merda da tua vida? - Aquilo soou como um soco no estômago, quem é que esta gaja pensava que era – Olha, se moras aqui perto, não tens por acaso nada que se beba? Estou com sede e apetecia-me algo que me aquecesse a garganta e fizesse libertar este frio que sinto por dentro – Olhei-a incrédulo e virou-me as costas a olhar para algo que não estava lá, tentei entender como teria chegado, mas não consegui perceber nenhum carro, não podia simplesmente ter caminhado até ali, mas de repente isso deixou de importar e disse-lhe que sim, que podíamos ir até minha casa, que tinha uma garrafa de whisky por abrir, se lhe servia. Sem uma palavra dirigiu-se para o meu carro, entrou e fiquei ali parado por um instante aparvalhado sem saber o que fazer, depois encolhi mentalmente os ombros, entrei no carro e arranquei.

No caminho, não disse uma palavra e adivinhando-lhe a vontade, estendi-lhe o maço e sorriu enquanto acendia outro cigarro e pude perceber-lhe o corpo atlético, bem feito e o rosto e os olhos, aqueles olhos entre pestanas e sobrancelhas, que se talhadas pelo mais perfeito artista não podiam ser mais belas.

Enquanto subíamos as escada, fiz por ficar atrás e apreciei-lhe as formas. – Não me apalpes o cu, mas podes olhar, sei que o tenho ai atrás… - Engoli em seco e achei que a melhor coisa que podia dizer era o silêncio. Entrámos e fui buscar a garrafa e dois copos, enchi um de liquido dourado a oscilar a luz e estendi-lho, voltou a sorrir e pegou-o com a mão, levou-o à boca e bebeu quase com o bordo do copo a devorar-lhe o nariz, pequeno de ar irrequieto no meio dos olhos e das pestanas, aquelas pestanas não podiam ser reais. Andou pela sala, tocando ao de leve com as pontas dos dedos nos objectos por onde passava, nos livros na estante, nos CD’s, nos cães de porcelana e depois aproximou-se, primeiro o corpo, depois o rosto e os lábios sentiram os meus e beijou-me.

O beijo foi álcool e depois ardor e depois mel e depois sufoco e apertei-a nos braços e senti o seu corpo contra o meu, os peitos acolchoados contra o meu, os sexos roçaram-se e senti-me crescer, a minha masculinidade parecia não a incomodar e senti a sua mão e depois desapertou-me a camisa e deixou-me os lábios para me mordiscar um mamilo e senti um tremor que não podia ser da bebida e procurei de novo os seus lábios. Arrastei-a para cima da cama e puxei-lhe a camiseta pela cabeça e devorei-lhe o peito como se fosse a ultima coisa que faria na vida e empurrou-me para trás e fiquei a olhar-lhe não os olhos, mas aquelas pestanas e despiu-se e eu achei que também me devia despir e puxei-a de novo, nus, pele contra pele, suor que apenas se adivinha e cheiro, cheirava somente a mulher e estava a deixar-me louco.

-Olha há algo que tens que fazer primeiro, nenhum de nós quer acordar arrependidos de ter dado uma foda na sorte – tirou algo do bolso das calças, entretanto caídas no chão, que percebi ser uma embalagem de preservativo, rasgou a ponta, tirou a membrana e pegou-me no sexo – Queres tu pôr, ou ponho eu? – Só a olhei… Sorriu e beijou-me de novo enquanto a desenrolava e me cobria com um saber que me assustou, tentei não pensar nisso e senti a sua humidade com a pontas dos dedos, quis acreditar que tremeu.

De repente deitou-se sobre mim e mordeu-me os lábios e o gosto de sangue inundou-me os sentidos.
-Porque fizeste isso?
-Quero que me sintas amanhã, quero que me sintas depois de já não teres tesão, quero que sintas depois, quero que me sintas o cheiro quando passares a mão pela tua boca.

Voltei a beijá-la e o sangue deixou de ser sangue mas fluido de vida e penetrei-a e senti o seu encaixe e sintonizámos a nossa convulsão num esborrachar consentido, apertou-me por dentro e tentei resistir ao apelo do clímax, queria esperar por ela, como tinha esperado todo o sempre, beijei-lhe os olhos e comprimi o sexo e beijei-lhe os lábios ainda sangrando e de repente adivinhando o seu clímax deixei de estancar o meu e vim-me, vim-me como se deseja o momento da concepção de um filho.

Fiquei deitado, sem querer ofegar a querer o seu corpo a meu lado e não dei por adormecer.

Acordei sem surpresas sozinho, não sabia porque já o esperava, levantei-me e sobre a mesa uma folha de papel, escrita em letra redonda, feminina mas frenética, li quase sem respirar.

“Hoje à noite, sei onde vais estar, vais convencido que me encontras como um reflexo de lua e pode ser que sim e pode ser que não e vais olhar o mar e tentar-te no abismo, ai não estarei mas podes ainda sentir-me agora marcada nos teus lábios”

E corri a língua e senti…

Entre Aspas-Criatura da Noite

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Restolho de sonhos


Navego entre a realidade e o que me vai sobrando na espuma à margem dos sonhos.


O mundo dos meus sonhos, difunde-se no instante que entremeia um acordar que não se limita na saída dos reinos de Morfeu, alimento-me dos seus farrapos e visto-me do seu nutrir, o sonho tornou-se meu mar, barco e ancora virtual da minha vontade de ainda ser amanhã.


O nosso inimigo comum, o meu e o do sonho é o tempo, é ele que me produz fome e ânsia de devorar vida, de não esperar, de cair na tentação de desesperar, de sair por ai na presa de ser e amar, sem querer saber dos riscos de voltar a sofrer, sem mais tempo para ter tempo.


O sonho alimenta a esperança, o tempo faminta o sonho. O sonho reduz-se no tempo esfarela-se em restolho de esperança e sinto fome, sinto a cada dia que passa, mais fome.


Sonho ainda no entanto com um tempo em que seremos capazes de espelhar o uso do tempo e do sonho no transformar em encanto de todo o nosso desencanto.
Anna Domino-Land Of My Dreams

domingo, 10 de maio de 2009

Libertação de Palavras

Hoje não há palavras, apenas canção e disso se pode comentar aqui.

As palavras prendem-me ali e sobre elas se poderá lá comentar.





Pitingo-killing me softly with his song

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Contador de Histórias


Era uma vez… O paradigma do contador de histórias, a pontinha do novelo que se vai puxando devagarinho num desenrolar que se deseja sem enleios. Ao orador o novelo desenrola-se em artifícios de língua e na arte da pausa, em gravidades de voz e na comunhão dos silêncios. Ao escritor o novelo desenrola-se em palavras, que se constroem na representação de ideias, projectam acções e reacções, saltam do plano da página para a dimensão emocional e interpretativa do leitor.

A ilusão do novelo infinito e renovável é o sonho do contador de histórias, a ponta que se puxa e não se solta é o seu pesadelo. Quando flutuamos no limbo da ausência de inspiração não nos adianta rezar a deuses, prometer alvíssaras ou sacrifícios de corpo, porque os deuses da invenção são velhos libidinosos e invejosos, sedentos apenas do nosso desespero criativo e trocistas das nossas limitações.

Eu queria um dia ser um contador de histórias, um artífice de palavras, arquitecto de comoções escritas, agarrar nas ideias e escravizá-las à minha vontade, desenvolver enredos e entrecruzar personagens, contar a história de todas as histórias, mas faltam-me vidas, faltam-me dores, faltam-me sentires, faltam-me saberes, faltam-me espaços, faltam-me sonhos, faltam-me caracteres e sobram-me apenas suor e teimosia.


Prometi um post à Storyteller que com lápis, papel e um sorriso me fez uma maldade e espero não a ter desiludido muito.
Prometi ainda incluir no post uma canção da banda sonora da vida dela, ora como não posso adivinhar porque nada sei da sua vida, adivinho-lhe a qualidade do coração e aqui vai a minha escolha.
Bluebells-Young at heart

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Inquisitório – Sobre sexo e coisas sem nexo…



α - Se nascemos despidos de preconceitos sexuais porque é que os vestimos?

β -Porque é que os homens e as mulheres nunca conseguiram chegar a acordo sobre o que são 25 cm?

γ - O que é que seria mais interessante para a tabaqueira do ponto de vista de incentivo, fumar um cigarro depois de fazer sexo, ou fazer sexo depois de fumar um cigarro?

δ – Porque é que nunca ninguém se lembrou de criar um franchising de sex shops para mulheres chamado “Toys foR Us?

ε - Porque é que muitas mulheres acham que a certos homens o que fazia falta era ser como o Pinóquio?

ϝ - Qual é o gozo do monólogo da vagina?

ϛ – Que desporto radical é que um ejaculador precoce e uma ninfomaníaca podem praticar em conjunto?

ζ - Se o sexo é saudável porque é que não é comparticipado pela segurança social?

η – Porque é que os casais homossexuais nunca discutem por causa da tampa da sanita?

ͱ - Se o preliminares são importantes porque é que não largas o computador mais cedo?

Θ – Será que não é machismo achar que as ostras são afrodisíacas mas não pensar o mesmo do lingueirão?

ι - Porque é que as mulheres optimistas acham que têm o melhor parceiro sexual do mundo e as pessimistas receiam exactamente o mesmo?

κ -Porque é que os homens tremem quando vêem esta letra?

λ - Porque é que as mulheres tremem quando vêem esta letra?

μ - Porque é que achas que te viste Grego para aqui chegar?

ν - Porque é que quando nos masturbamos toda a gente nos acha manipuladores egocêntricos?

ξ -Porque é que achas mais graça a foder do que copular ou fornicar?

ο – Se as mulheres não gostam de o praticar porque é que insistem em analisar?

π – linha?

ϻ - Porque é que não se promovem os preservativos comestíveis nos festivais de gastronomia?

ϸ - Porque é que quando a coisa falha no sexo oral, lá vêem as más línguas inventar desculpas?

ϙ - Porque é que clítoris é uma palavra tão bonita?

ρ - Se as mulheres gostam que as olhemos nos olhos porque é que usam as mamas mais abaixo?

σ - Porque que carga de agua é que tanta gente no mundo me quer vender viagra?

τ - Se os primeiros católicos eram Judeus, porque é que raio é que trocaram o sexo recreativo pela possibilidade de comer carne de porco?

Υ - Não conseguiste ainda imaginar coisas mais interessantes para fazer do que ler este post?

Φ -Se acreditas no amor à primeira vista porque é que insistes?

χ - Se o Cérebro é um órgão sexual tão activo, porque é que foi tão difícil imaginar estas perguntas?

ψ- Se Ejacular é o clímax do prazer, porque é que não esperaste mais um bocadinho?

Ω -Porque é que achas que te vais ver Grego para comentar este post?
Ravel - Bolero

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dicotomia do querer



Eu quero! Isto dito assim de forma simples, na mais elementar conjugação tem poder. Não chega porem a roçar a força de um eu quero-te! Seco, sem duvidas na pretensão nem margem na recusa mas que se perde se o tentarmos adjectivar no erro do tanto ou na explicação do porquê.

Eu quero-te! Possessivamente mas de acordo com a tua vontade. Eu quero-te! Bruscamente mas segundo as tuas regras. Eu quero-te! Selvagem mas segura na tua doçura. Eu quero-te! Despido de preconceitos mas no respeito das tuas concepções. Eu Quero-te! Com a minha paixão mas receptivo ao teu amor.

Mas todo o verbo sofre da dicotomia de opção na forma de aceitação ou negação e o poder transforma-se em pudor, o calor da palavra transforma-se no frio da reacção. Somos a dimensão da nossa capacidade de perceber a qualidade de um não, de o aceitar quando nada mais restar, de o contornar quando sentimos esperança, de o recusar quando confirmamos a duvida.

Eu quero-te, tu no amanhecer de uma noite. Eu quero-te, corpo no preenchimento de um espaço. Eu quero-te, sexo no cru saciar da nossa tesão. Eu quero-te, espírito na disponibilidade da amizade. Eu quero-te, sentimento na companhia da procura. Eu quero-te, Mulher no complemento e resposta ao teu querer.

PS. Este post foi sugestionado pela Ana e pela Ipsis e desta ultima usem o link e sigam por ai acima e pasmem-se como eu me pasmei na admiração da sua arte e às vezes, Eu quero apenas admirar e pasmar.
Cheap Trick-I Want You To Want Me

domingo, 3 de maio de 2009

O Privilégio do Disparate - Quarto crescente com vista para o lado obscuro de um bicho de faz de conta


Nunca vos aconteceu irem assim a guiar numa auto-estrada, com excesso de velocidade, só uns 40 ou 50 acima do limite, atentos por causa da merda dos radares e de repente… pás um bicharoco estatela-se no vidro, claro que se desfaz em papa mas o que me impressiona é que há alguns que estão assim cheiinhos de liquido colorido que depois se fica a espalhar, umas vezes é mais verde, outras pró amarelo, será que aquilo eram restos de shots? Haverá algures bares para insectos? E se sim, serão bares para insectos solteiros? Eu já vi duas moscas a foder, não percebi se eram casadas ou um encontro fortuito, até tive pena e não lhes interrompi o coito com Dum Dum, deixei acabar primeiro, mas depois fiquei a pensar na aranha solitária que fez casa no canto da minha sala a quem privei do pequeno almoço, sei que é javardice deixar lá a teia, mas tenho pena do bicho ali tão sozinho, haverá vibradores para aranhas solitárias? Por falar nisso como é que as mulheres passam os vibradores no controlo de bagagem dos aeroportos? E no caso de bagagem perdida, existe alguma opção para descrever os vibradores nos formulários? Se sim, leva em conta o tamanho, cor e textura? E a cor realmente importa para a satisfação das mulheres? Se sim, porque é que não se comercializam tintas seguras à base de açúcar para besuntar na piça? Olha querida hoje trouxe, verde alface e castanho ocre, qual é que te dá mais tesão? E devemos aplicar a tinta antes ou depois da erecção? Bom sempre se pode usar tinta elástica, mas será que aquilo depois não se pega à pintelheira? Não me apetece nada ter que rapar os pelinhos, faz-me impressão andar com os tomates desprotegidos e ao frio, sou sensível a estas coisas e serei menos homem por isso? E depois poderá haver mulheres que não gostam de nos ver peladinhos, poderão considerar falta de maturidade, nada pior para o orgulho de um homem, que lhe digam, olha deixa crescer isso e depois aparece, leva a mal entendidos, que nenhum homem aceita de bom grado que lhe ponham em causa a dimensão da coisa, porque na realidade o que importa é a habilidade e na falta dela sempre se pode recorrer a atributos linguísticos, que eu sei que as mulheres adoram poesia.




O caríssimo Daniel, no aniversário deste blog ofereceu-me um prémio e como para mim é um privilégio aceitá-lo e sei que para ele não é um disparate este é o melhor sitio para o guardar:




A partir deste mês, vou passar a fazer parte de um grupo de bloggers muito, mas mesmo muito talentosos que alimentam a prisão de palavras, claro que eu não me chego nem de longe perto do seu talento, mas comprometi-me em empenho e assim a 13 de Maio, farei lá a minha primeira aparição, ora digam se isto não é um sinal e um privilégio?

Para os distraídos, ponham a musica a tocar e voltem a ler o texto enquanto ouvem e depois vejam só o vídeo, não vos tá a apetecer ir comer coisas doces ou salgadas?
MNOZIL BRASS-Green Hornet

sábado, 2 de maio de 2009

Um ano de Little Boy J

Faz hoje um ano que criei este blog.

Nasceu porque alguém me disse que devia tentar fazer um blog e um dia experimentei e achei fácil, escrevi o primeiro post em meia dúzia de minutos e esqueci-me do assunto e passaram meses e as passwords apagaram-se-me da memória.

Uma sexta-feira de tédio, trouxe-me de volta, tinha retornado de uma viagem e lembrei-me de escrever sobre o assunto e espantosamente quando entrei no blog, lá estava exactamente como o tinha deixado e interroguei-me se alguém o teria visto naqueles meses todos, provavelmente não.

A ideia de incluir vídeos nos textos, surgiu no terceiro post onde a visão de uns corvos na sombra da ponte sobre o Tejo, me fez lembrar Poe e Alan Parsons e os seus fantásticos “Raven”. Ao todo em 9 meses escrevi sete posts, uma assombrosa produção para um preguiçoso mórbido como eu.

Entretanto comecei a andar por ai, a espreitar outros blogs e arrisquei comentar e confesso que a coisa até correu mal, fui mal interpretado, por culpa própria, mas comecei a descobrir um admirável mundo, onde pessoas anónimas expressavam a sua criatividade, as suas ideias, ventilavam ou falavam da vida, de dias bons e menos bons, de alegrias, sofrimento, das relações e das ralações e o bichinho começou a morder. O Janeiro foi tímido mas depois sem dar por isso entrei no meu ritmo de postar, que terá sempre uma média menor que 15 posts por mês.

Eu sempre gostei de escrever, mas nunca o fiz por achar que guardar folhas de papel numa gaveta ou bytes em discos era uma actividade masturbatória sem as vantagens da ejaculação e por isso há anos, muitos anos que não alinhava duas palavras.

Uma revelação sobre mim, a minha formação não é semântica, tenho muitas lacunas gramaticais, escrevo por instinto, demoro normalmente poucos minutos a escrever um texto e sem erros ortográficos graças aos correctores automáticos e de acordo com aquilo que me agrada, que me satisfaz a estética, ao meu estilo.

Surpreendentemente um dia vi o meu endereço linkado num blogger popular, o do Bruno Fehr e pouco depois recebi o primeiro comentário e de alguém que descobri mais tarde ser uma pessoa extraordinária e que se veio a tornar uma grande amiga, a mf, a quem eu por não ter vergonha na cara trato por Hedgie e que me escreveu o seguinte:

“Tu usas a palavra com arte, ou ainda não te apercebeste? Com uma arte diferente do normal, não inteligível para muita gente, e por isso mesmo interessante. “

Aquilo deixou-me perplexo, não só havia alguém que me lia, como aparentemente gostava da forma como escrevia e isso incentivou-me a continuar porque afinal tinha desculpa, podia sempre dizer que a culpa era da Hedgie, acho que nunca te agradeci o comentário e se me estás a ler agora, Hedgie muito obrigado pela tua gigantesca generosidade e pelo favor de me honrares com a tua amizade.

Depois os amigos foram aparecendo, amigos que não conheço sem ser das suas pontas dos dedos, ainda poucos é certo porque embora este blog faça hoje um ano, têm apenas três meses de produção continuada, mas que vão aparecendo com uma qualidade humana enorme e revelando nos seus comentários inteligência, bom gosto e uma visão que às vezes me deixa envergonhado pelo meu atrevimento e atenção não pensem que sou tímido ou acanhado, na vida real posso vos dizer que sou considerado um bom cabrão e alguém a quem não convêm fazer saltar a tampa.

Mas nem tudo são flores, esta coisa das blogosfera abre-nos os horizontes, mas também nos faz pensar e a mim a fazer contas à vida e a achar que estava na altura de recomeçar, a fazer jus ao icon que tinha escolhido, Jesus escondido numa Fénix ambicionava renascer das cinzas.
Este está a ser um processo muito complicado e que me têm muitas vezes levado a situações extremas emocionais e tantas, tantas a querer desistir, este blog esteve várias vezes para fechar no ultimo mês, mas depois alguém ai desse lado faz um comentário que me sacode e eu respiro fundo e volto a botar as patas no teclado. O meu renascer se alguma vez se concretizar vai demorar muito tempo, fez-me passar da companhia da solidão para a solidão da solidão e por isso não se espantem com a alternância de humores, neste momento e sobretudo este blog é para mim uma válvula emocional, prometo no entanto que em dias melhores vos irei tentar passar um bocadinho do meu sentido de humor, que é retorcido, irónico, mordaz e estranho mas é o que se pode conseguir de alguém que cresceu a admirar o humor britânico, é parvo, bronco e têm a mania que é engraçado.

Há muitas pessoas que passam por aqui a quem sou indiferente, pensava que até teria muitas visitas de pedófilos e disso tive recentemente a confirmação, porque instalei ontem um sitemeter que me mostrou que recebi a visita de um Japonês que procurava no Google “Little Boy Bottom”, ora a esses posso garantir que tenho tratado bem do rabinho que é de pele branquinha e pouco borbulhenta mas a quem desejo que desenvolvam muito rapidamente atrofia nos colhões e paralisia cerebral associada a complicações graves em outros órgãos essenciais.

Aqueles a quem digo alguma coisa, peço que me continuem a comentar, os que nunca o fizeram, que o façam hoje, quero, necessito muito de saber que existem ai do outro lado e a todos o meu obrigado, o meu beijo, o meu abraço.

As musicas que escolhi hoje reflectem a bipolaridade dos meus sentimentos mas ambas valem a pena ouvir.

Altered Images-Happy Birthday

The Smiths-Unhappy Birthday

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Floresta



Eu hoje caminhei nu na submissão da ausência.

Fui transportado por um fio de vento a um lugar vazio de memórias e de tempo, senti nas palmas dos pés o veludo fresco do musgo e bebi do cheiro do verde até à transfiguração da carne em casca, dos membros em tronco e do que me sobrou de pele em folhas de livre forma. Sou arvore no ponto de vista da floresta.

Calei a minha voz no burburinho do silêncio, sequei a minha seiva na cristalização da aparência, estou sem ali estar, sem porem nem vez abarco a compreensão da incompreensão ou a aceitação da irrelevância e oculto na sombra o brilho que nunca foi mais que um mero reflexo.

Agora deixei de ser percebido e sou o que sempre soube ser, uma arvore a mais na floresta, invisível e indistinto.
The Cure-A Forest

terça-feira, 28 de abril de 2009

Anatomia do desejo



Tenho paixão por palavras que se estendem alem da compreensão ainda pela forma como nos saem num sussurro. Tenho paixão por verbos de posse e vontade.

Eu desejo; eu tenho desejado; eu desejava; eu tinha desejado; eu desejarei; eu terei desejado; eu desejei; eu desejara; eu deseje; eu tenha desejado; eu desejasse; eu tivesse desejado; eu desejar; eu desejaria; eu teria desejado; eu ter desejado.

O desejo é a génese do pecado.

Na Vaidade desejamos superlativar o que temos e o que somos, desejamos ser belos da frente e do avesso, desejamos que nos venerem, admirem, idolatrem e amem, desejamos ser fonte e causa de outros desejos.

Na Inveja desejamos as existências dos outros, desejamos o material e suas conquistas, desejamos a abstracção da mesquinhez, desejamos a razão justificada na fome e na secura, desejamos tudo na ânsia do desejo.

Na Ira desejamos a racionalização da raiva, desejamos a capacidade de cegar da visão do mal, desejamos a força de dobrar vontades, desejamos realimentar ódios e angustias, desejamos aniquilar a vontade de qualquer desejo.

Na Preguiça desejamos a continuidade do vazio, desejamos a invenção da ausência da necessidade, desejamos estender inércias e abençoar entropias, desejamos perpetuar num instante de eternidade o acordar do desejo.

Na Avareza desejamos preservar a posse, desejamos ocultar pensamentos de miséria e pequenez, desejamos que o nosso todo se multiplique com a intervenção do nada, desejamos sobretudo evitar a partilha do desejo.

Na Gula desejamos saciar a abundância , desejamos devorar o pouco e o muito, desejamos o doce e o salgado, desejamos lambuzar, engolir, mastigar, regurgitar, desejamos consumir o próprio desejo.

Na Luxúria desejo a humidade do vermelho dos teus lábios, desejo o sentir dos teus poros, desejo o túrgido dos mamilos no teu peito, desejo o conforto das tuas coxas, desejo o calor do teu interior, desejo o simultâneo do teu êxtase, desejo simplesmente o teu desejo.

Eu pecador me confesso.
Procol Harum-A Whiter Shade Of Pale

domingo, 26 de abril de 2009

O Privilégio do Disparate - Terceiro de acordo com a grã ordem do puxas dai que eu empurro daqui.


Hoje esta coisa vai ser bilingue e que jeito dá a palavra coisa, nem sei se podia viver sem ela, porque embora uma coisa ser uma coisa e outra coisa ser outra coisa, às vezes apetece-me mesmo qualquer coisa e esta coisa de desejar uma coisa têm cada coisa que na volta coisa connosco.

How to recognize different types of trees from quite a long way?

Nº 1: The Larch


Isto de fazer humor tem que se lhe diga, não é para qualquer um e sendo escrito bem me posso pôr para aqui a dar traques que nem vos consigo provocar sequer um sorriso amarelinho de ovo mexido com chouriço e cogumelos e pedacinhos de presunto daquele da pata negra e pata negra porquê? O raio do porco não se lavava? Aquilo passou pelo controlo higiénico da ASAE? E o que quer afinal dizer ASAE? Estas e outras questões atormentam-me:

Nº 2: The Larch


Aqui há uns anos, uma meia dúzia de rapazitos acharam que podiam fazer o que lhes dava na bolha e que a malta aborregada se ria, aliás que se mijava a rir, aliás quem não se ria era mesmo muito burro, mas não foram muito longe e a mim não me enganaram não, nem sequer os idolatro, venero, pythonizo ou gostava de ter uma fracçãozinha imprópria do seu talento:

Nº5: Chanel… Nº5: The Larch


Mas voltando à ASAE o que é que aquilo quer dizer, se andam para ai a impedirem-nos de comer porcarias quererá dizer Associação Saudável da Anorexia Esquelética, pois é saiu disparate, but that’s the point, ainda não tinham percebido:

Nº23: The Larch


Eu gosto de comer as porcarias que os meus avós podiam comer à vontade e gosto de comer nas tascas do meu País e ofendem-me aqueles que acham que eu não sei zelar pelos meus direitos, foda-se se sou mal servido ou se não gostei de ver o cozinheiro a tirar macacos do nariz, enquanto amassava os rissoles de camarão, não regresso a não ser que a empregada seja daquelas brasileiras de boa tranca com um cu que nunca mais acaba, ai a coisa muda de figura e olha lá voltámos à coisa, mas também foi por essas razões que o dono contratou a Brasileira, porque sabia da predilecção do cabrão do cozinheiro de catar burriés a qualquer hora, mas que eu lhe perdoava a olhar para a bilha da empregada que é cá uma coisa:

Nº35: The Larch


Pois os tais palermas que se achavam engraçados, nem sequer eram Portugueses, mas por cá durante uns tempos ainda se pôs pão com manteiga na coisa dos dois lados e a coisa até resultou durante uns tempos, nem se falava em pedofilia, quem gostava de miúdos podia comer sem se preocupar de que as moelas fazem parte do sistema urinário das galinhas e já alguma vez viram uma a mijar? Aquilo tem muita pinta:

Nº69: Lack of Imagination… Nª69: The Larch


E assim acabei por falar das coisas e de outros tipos que me fizeram rir em tempos porque ousaram a diferença e de merdas que me chateiam porque neste país se exagera pelo excesso e pelo defeito e porque sei que mais cedo ou mais tarde alguém se vai lembrar de regular a dimensão da peida da empregada, banir publicamente os petiscos de entranhas de galinha mas permitir que se possa continuar a papar miúdos, desde que se seja discreto assim como à coisa de não se poder comer joaquinzinhos que às tantas já ninguém liga.

And now for something completely different:

Nº 1: The Larch


A minha amiga Pronúncia que desconfio vê a coisa por um canudo é boa moça mas um pouco tonta e vai também decidiu cometeu o disparate de me conceder o privilégio de me dar um prémio, é claro que ela sabe o quanto me afecta com a sua amabilidade, acho até que faz de propósito e aqui vai ele ficar guardadinho:



Quase todos os blogs que sei merecerem este prémio já o têm por isso vou apenas passá-los a duas bloggers a quem aprecio o humor e o savoir faire, como raramente passam por aqui muito provavelmente nunca o vão descobrir e eu também não lhes vou dizer nada porque sou tímido, são coisas…

Jane
Vani

Ainda a pensar na minha amiga Pronúncia, tenho cá a impressão de que gosta de um bom Nespresso, por isso esta musica é inteirinha para ela e já agora aproveitem a dica e se não viram vejam esta versão da Odisseia imaginada pelos irmãos Cohen que são uns raros Americanos com sentido de humor a sério.

Soggy Bottom Boys-I Am A Man Of Constant Sorrow