sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #12

Retorno a um tempo em que o Mundo acreditava num Mundo que podia ser melhor e em que éramos ingénuos nas nossas crenças e na nossa forma de vestir a vida…


The sugar hill gang - Rapper's delight

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Diário de um louco impoluto – Dia 18


Estamos nus de joelhos sentados no chão. Uma garrafa que já esteve cheia no inicio da noite e apenas um copo entre os corpos nus sentados sobre os joelhos no chão. Beijo-lhe os lábios e pauso-me na humidade que lhe enche os olhos. Apenas um copo tão pequeno que se consegue ocultar na palma de uma mão. Apenas um copo agora vazio de humidade e que encho pausado nos seus olhos que me bebem de desejo e sem a deixar de olhar bebo de um trago, bebo sem o beber do engolir e retenho o liquido que me arde dentro da boca e permito que o fogo do álcool me adormeça a língua e sinto que me seca a saliva como um rio seca uma gota de chuva.

Colo os meus lábios aos seus e controlo um fio de fogo fluido que se escorre entre as bocas, o destilado ganha na transferência cambiantes adocicados pela adição do meu sabor e pauso pausado nos seus olhos para que o possa engolir e repito o beijo de fogo fluído até deixar apenas na boca aquele que sei ser o meu quinhão e engulo-o. Estamos nus de joelhos sentados no chão com os braços entrelaçados em abraço e sinto o seu peito perdido no meu e percorro-lhes as costas apenas com a suavidade das impressões dos dedos, como se maior pressão a pudesse esmagar. Beijamo-nos agora sem o fogo fluido mas com o fogo da paixão e não há tesão física entorpecida pelo efeito do álcool, apenas tesão emocional que bebemos dos lábios um do outro.

Volto a encher o copo e volto a vazá-lo de um trago e evito os seus lábios que se procuram insinuar nos meus, volto a pausar-me nos seus olhos e digo-lhe com os meus que espere, percorro com o liquido toda a boca, deixo que me expanda a carne e os sentidos, que me entonteça a língua e por fim mergulho os lábios em bico na sua boca e liberto o fogo que a faz engasgar e sinto o pulsar do seu corpo e o ar que lhe sai com aromas de inebriar e engulo o que me resta e sufoco-a com um novo beijo e acabamos a rir de lágrimas nos olhos antes do abraço doce do consolo.

Já não há liquido na garrafa e o copo já não está entre os nossos corpos nus e rolou para longe dos joelhos sentados no chão e estamos com as testas coladas e os olhos desfocados e pausados um no outro, vazios e cheios de significado as minhas mãos acariciam o seu peito e as suas acariciam-me o sexo tão adormecido como a minha língua, mas ambos sabemos que hoje o nosso sexo não terá penetração, fodemos com os sentidos ampliados ou alterados, fodemos ou amamos e neste instante não faz qualquer diferença, sentimo-nos completamente um do outro, dois corpos nus apartados por um espaço que já não existe.

Um de nós pega na garrafa e tenta encontrar um resto de bebida sacudindo-a sobre o copo que não sei como voltou a estar entre nós de joelhos sentados no chão e o outro ri-se, não sei qual de nós sacode a garrafa nem qual de nós se ri mas sei que um de nós beijou o outro com os lábios bem abertos e sem língua e lembro-me de pensar que é difícil beijar sem língua e que um bom beijo não tem sempre que ter língua. Depois olhou para a foto da criança que brincava e começou a chorar e eu quis beber as suas lágrimas como se assim conseguisse secar a sua fonte e voltar a tê-la só para mim.

Tudo se move em movimento lento mas gira em redor destes corpos que já não conseguem perceber que já não estão de joelhos sentados no chão e começamos a dizer coisas um ao outro que não queremos dizer e calamo-nos um ao outro com beijos que acabam por nos reduzir a dois corpos que respiram e que suspiram e que se adormecem nos braços um do outro com a esperança que o dia amanheça sem lembrança e sem ressaca ou pelo menos sem arrependimento.


Pink Martini- Kikuchiyo To Mohshimasu

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #11

Sem mais palavras …



Bodyrockers - I like the way you move

domingo, 15 de novembro de 2009

Diário de um louco impoluto – Dia 17


Hoje pela primeira vez em muito tempo não senti um sufoco sem explicação. Cantarolei uma música sem destino enquanto tomava um duche, fiz ou desfiz a barba sem desprezar a imagem reflectida no espelho e apreciei o que comi antes de acender um cigarro. Fumei sentado a olhar o fumo e a cada chupão observo o incandescer laranja de fogo que me consome um pouco mais de tempo e penso que consumi a minha vida passada como um cigarro fumado à pressa sem apreciar o seu prazer e o seu passar, apenas pelo vício e pela necessidade física de a consumir.

Não me lembro porque comecei a fumar, um dia como muitos experimentei e não me lembro porque não gostei mas sei que não gostei e por isso voltei a experimentar e não gostei um pouco menos e continuei a experimentar até deixar de não gostar. Um dia como muitos passou a fazer parte da minha rotina consumir fumo, queimar folhas secas enroladas em folhas de papel que transformo em cinza. De cada cigarro que fumo resta uma ponta alaranjada que me deverá proteger de algo que não entendo bem e um monte de cinza sem valor e o fumo que fiz passar por mim e que se dissipa deixando ainda um cheiro que não gosto.

Cada vez mais fumo de uma forma egoísta, um acto privado de satisfação de vício. Porque não gosto do cheiro que resta no ar de um cigarro consumido não entendo o acto social de fumar em grupo e fujo do fumo dos outros para me esconder no meu. Não sei se perdi amigos por fumar ou por não fumar mas fui acabando sozinho acompanhado por um cigarro e depois outro porque parece que haverá sempre mais um cigarro que se pode acender num acto antecipado de necessidade e que depois se vai diminuindo em fogo laranja incandescente até restar uma ponta alaranjada que me sobra e me falta de entendimento.

Vêm-me sempre à boca o primeiro cigarro da manhã. Faz-me tossir de forma violenta como se o meu corpo quisesse expulsar aquele veneno volátil ou dar-me um aviso que estou a persistir num erro, persisto em ignorá-lo, mergulho na crença de que evitamos a ressaca continuando a beber e que não fumo o suficiente para tornar os danos irreversíveis e que um dia irei parar e todo o mal não passará de cinza inútil de um cigarro que se consumiu num tempo que ficou para trás. Resisto a acender mais um cigarro porque o fumo irá deixar ainda um cheiro que não gosto nesta casa onde necessariamente terei que dormir esta noite e saio para a rua.

Saí para a rua e deixei de resistir e acendo mais um cigarro isolado numa esquina entre caminhos que me podem levar a uma vida de cigarros já consumidos ou a outra vida que me traga cigarros que consiga fumar sem desperdício de cinza e fumo e pontas de cor alaranjada. Estou parado numa esquina, só com o meu cigarro e sem a ouvir a primeira vez ouço-a repetir: “Dás-me lume?”. Viro-me e ela está ali na minha frente também de cigarro entre as mãos e a boca com um meio sorriso nos lábios: “Não te importas de me dar lume?”. O cabelo já não é amarelo mas feito de muitos dourados e castanhos e sorri com olhar traquinas ou travesso e sinto-me confuso porque nunca os soube distinguir nos olhos de uma mulher.

Faço brotar a chama da ponta do isqueiro que treme soprada por um vento que não consigo ver e a extingue. Volto a insistir e a chama resiste uns segundos mas não o suficiente para conseguir contaminar de fogo a ponta do cigarro e sinto que me sente a insegurança e aproxima o rosto das minhas mãos que protegem agora o fogo e reparo no fumo que se enrola por entre os dedos e sobe ao céu em espirais. Continua a sorrir enquanto dá baforadas curtas com o cigarro que mal lhe toca os lábios vermelhos que eu imagino de fogo puro e mais quentes que a chama laranja que se vai reduzindo a cinza. Continua a sorrir e toca-me o rosto e beija-me suavemente a face sussurrando um obrigado e afasta-se e eu fico ali parado a ver aquele corpo afastar-se e eu fico ali parado apenas com um isqueiro nas mãos e eu fico ali parado a sentir um odor de perfume doce que me deixa ali parado sem saber bem o que fazer e sem o saber acendo mais um cigarro.


Pink Floyd - Have a Cigar

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #10

Não devemos perder a vida numa oportunidade nem a oportunidade numa vida…


Pink Martini -Hey Eugene

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Noutras andanças

Um toque de génio e uma vénia de admiração: “and now for something completly different”



Monty Python - The Funniest Joke In The World

domingo, 8 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #9

Não bastaria sorrir…?!?



Reamonn-Tonight

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #8

Nem sempre os anjos têm asas brancas…


Angel Randy Crawford & Joe Sample - Angel

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #7

As cadelas ladram…


Rolling Stones - You Can't Always Get What You Want

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #6

…And so it begins…


Diana Krall, Elvis Costello & Willie Nelson - Crazy

sábado, 31 de outubro de 2009

Musicalidades com condimento #5

Rebusco memórias num tempo que ainda era feito de sonho…


Scritti Politti - The Sweetest Girl

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Musicalidades com condimento #4

Um dia este dia amanhecerá finalmente…


Sérgio Godinho - O Primeiro Dia

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Musicalidades com condimento #3

Vou-me interceptando entre as certezas e outras dúvidas…


Pablo Milanés & Simone - Yolanda

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Musicalidades com condimento #2

O silêncio sempre irá prevalecer sobre o ódio…


Uma das minhas músicas favoritas com vários sabores: Thelonious Sphere Monk – Round Midnight


Thelonious Monk Quartet


Hermeto Pascoal


Amy Winehouse


Dizzy Gillespie


Ella Fitzgerald


Miles Davis Quintet


Chick Corea


Herbie Hancock


Sarah Vaughan


Cassandra Wilson


Linda Ronstadt


Joe Jackson


Gotan Project & Chet Baker


Baden Powell

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Musicalidades com condimento #1

Às vezes sabe bem parar o tempo...

Suster a respiração...

Apenas ouvir um coração a bater...

Desejo inconscientemente que não seja o meu…



Concha Buika & Javier Limón - Volver, volver

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Até já


Quem me visita sabe que não costumo falar por aqui dos meus problemas pessoais, apenas salpico alguns textos com o meu estado de espírito do momento.

Agora cheguei a um ponto na minha vida onde tenho mesmo que me recolher para dentro de mim próprio, não para gládio de quem me quer mal, mas que se preocupe porque me estou a preparar para a enfrentar e não tenho por hábito perder batalhas sem me bater até ao limite das minhas forças.

Vou ali por umas semanas e volto já e por isso não irei publicar mais nenhum texto este mês e entregarei a gestão deste blog ao Puck que sei que irá continuar a escrever no Little Rob G e no Midsummer Night Dream, também não visitarei os vosso blogs nem vos irei comentar e peço desculpa por isso, mas prometo que porei a escrita em dia quando regressar.

Sei que tenho por aí amigos verdadeiros que ficarão preocupados quando lerem estas palavras e por isso vos deixo um abraço e um beijo e este desenho magnífico que a minha amiga Jane fez de propósito para este post:




Vasculhei a memória e encontrei uma das minhas músicas favoritas da minha juventude e que vem mesmo a jeito para dedicar à puta da minha vida.

Até já…


The Flying Lizards - Money

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Paralelos perpendiculares

Projecto intimidades em som por aqui e palavras por ali:


Holly Throsby - Now I love Someone

domingo, 11 de outubro de 2009

Flutuando por aí

Aos que me visitam ausentei-me para parte certa mas prometo voltar em breve e hoje estou assim entre mim e um mundo mais suave e sereno e abstraído da pressão do tempo e às vezes sabe bem este simples nada.


O que posso oferecer para quem perdeu tempo a aqui vir é apenas deixar um convite para dançar…



Black Eyed Peas-I gotta feeling

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Privilégio do Disparate – décimo primeiro foi o verbo auxiliar educativo e marsupiais de saco cheio com laivos de sabedoria inodora

É nestes textos que me sinto mais à vontade, onde não preciso de pausar a escrita para escolher palavras e sigo por aí fora sem receios de que o resultado não seja o que no inicio esperava porque na realidade nada espero quando normalmente escrevo estas coisas. Hoje é uma excepção porque este privilégio tem objectivos o que é uma chatice porque não me posso perder nas palavras e por muito que me estenda, algures terei que voltar para trás e ir na direcção certa que é a resposta a um desafio da Tí Pronúncia que me fez já há algum tempo para dizer a que coisas estenderia de mão erguida um cartão vermelho.

Podia aqui falar de muita coisa que passasse por tanta coisa que vai mal neste mundo mas isso seria fora do âmbito do âmbito deste privilégio que é poder disparatar impunemente e por isso vou falar de estender cartões vermelhos a outras coisas que me irritam e que me levam a disparatar. Comecemos pela hipocrisia que me irrita solenemente e já me acusaram de ser hipócrita o que me irrita solenemente porque normalmente quem me acusa está a ser hipócrita mesmo sem o saber ou pior sabendo que o é e depois podia também falar de moralismos bacocos, detesto aquelas pessoas que se escondem atrás de figuras de barro mal pintadas e paternalismos de quem se acha sabedor da verdadeira verdade e atitudes sarcásticas que visam apenas ferir sem querer ensinar pelo caminho da ironia e de mentiras sem fins lucrativos para a comunidade e espertezas saloias que se topam até pelo cheiro e da falta de lealdade, porque a traição nunca poderá ser desculpável por razão alguma e das amizades de ocasião que para mim só fazem o ladrão e por fim dos sentimentos miseráveis que fazem o ser humano por vezes tão pequenino.

Ora contem lá se não foram dez cartões vermelhos rubros como o sangue que caracteriza a raiva e eu consigo ter raiva destas coisas porque não tenho problema em me afirmar como um bom cabrão para quem me tira do sério e sou a melhor pessoa do mundo para se ter como amigo e a pior pessoa do mundo para se ter como inimigo e a boa notícia é que por aqui na blogoesfera fiz sobretudo amigos e esses foram ficando e deixando de quando em vez uma palavra de carinho ou um abraço ou um empurrão na direcção certa.

Resta-me agradecer ainda uns prémios que alguns amigos de que falei acharam disparatadamente que este blog merecia e cá estou eu com o privilégio de lhes poder agradecer essa plena forma de amizade. E é nem um prémio nem dois mas três que tenho o privilégio de aqui expor e agradecer.

O primeiro veio da Tí Pronúncia que para quem não sabe é uma grande Mulher do norte, sabedora das coisas e uma amiga antiga por quem tenho um carinho enorme.


O segundo veio da Teresa que é alguém com quem tive o prazer de partilhar um momento que sei ter sido especial para ela e que foi o lançamento do seu livro e que passe a publicidade merece que o procurem nas bancas e se não o encontrarem sempre lhe podem pedir para vos vender um exemplar, o meu está autografado e não o cedo, é meu.


O terceiro veio de uma amiga muito especial, uma grande contadora de histórias e um poço de sabedoria diversa e uma pessoa com uma alegria de viver contagiante e a melhor das companhias para se ter num dia difícil.

Mandam as regras que agora nomeie outros blogs que mereçam os dois primeiros prémios, porque sei que o terceiro a ST gosta de ser ela a atribui-lo, mas alguns já os terão e por isso a todos os que fazem parte da minha lista de sítios por onde posso andar escolham lá um prémio que ainda não tenham e levem-no para o vosso cantinho como prova do meu carinho.




Bee Gees - I Started a Joke

domingo, 4 de outubro de 2009

Pausa para chocolate abolachado


Conforme anunciado o meu louco chegou ao fim da primeira série que teve 16 dias impolutos e 16 porque é um número divisível muitas vezes e porque me simboliza códigos tecnológicos e outras tretas do género que não tem qualquer importância mas que me dão um ar de sabedoria avulsa.

Convêm referir que estes textos são ficção, aquela ficção que eu gosto de dizer que é cozinhada e condimentada com artifícios de realidade. Nesta série introduzi 3 personagens, um homem e 2 mulheres que se irão relacionar nos textos seguintes e nada tenho previsto, a história irá desenrolar-se de acordo com o que me vier a apetecer.

Para quem não reparou estes textos tem apenas referências vagas, não existe cenário, nem idades, nem nomes e isso irá manter-se. O homem é alguém que manifesta de forma explícita o seu descontentamento e que quer ter mais do que a vida já lhe deu e acredita que isso o está a levar a um estado de loucura que o ajuda a enfrentar as suas dúvidas e das mulheres de uma apenas temos uma imagem vaga e quase nenhuma presença nesta série e da outra sabemos que se acomodou com a vida que lhe foi parca de realização e contentamento.

Os textos podem agora ser lidos em sequência e aqui vai uma ajudinha:
Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4 Dia 5 Dia 6 Dia 7 Dia 8
Dia 9 Dia 10 Dia 11 Dia 12 Dia 13 Dia 14 Dia 15 Dia 16

Gostaria de ter a vossa impressão imaginando que estão a ler as 16 primeiras páginas de um livro.

Esta pausa do meu louco irá durar um par de semanas e no entretanto vou tentar escrever uns textos que tenho adiados e alguns outros privilégios e a pedido de alguns de vós vou fazer um inquisitório e ceder às pressões do Puck, que para quem não sabe é um bicho pequenino e embirrento com quem partilho o blog e fiz um acordo com ele que passa por ele não me chatear por uns tempos e eu ajudá-lo a criar um blog só para ele fazendo publicidade no meu. Esse blog vai funcionar como uma adenda deste e contar uma história diferente, levantando um bocadinho do véu e só deixando ver o dedão do pé, o blog vai chamar-se Little Rob G e digam lá se o bicho não é invejoso?



Freddie Mercury - The Great Pretender