quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Privilégio do Disparate – (IN)Mundanismos [2] – Técnicas avançadas de marketing


Se perguntar a quatrocentas e vinte oito mulheres o que é que a Leopoldina e a Popota tem em comum arrisco-me a que quatrocentas e catorze me dêem respostas que vão discorrer sobre espécies animais, estatura, peso, personalidade, cor dos olhos, textura da pele, aeróbica, artes marciais, moda, roupas, sapatos, dança e outras coisas que só as mulheres poderiam discorrer, outras onze pura e simplesmente vão ignorar-me com desprezo e aquelas três a quem tive mesmo muitas dúvidas se deveria perguntar vão devolver-me a pergunta com outras perguntas a que fujo de responder porque são feias como a parte de trás de um desastre e eu sou um rapaz sério.

Se perguntar a qualquer homem, invariavelmente me dirá: “mamas!”.

Eu sou agnóstico o que quer dizer que estou pronto para acreditar desde que me mostrem, até me podem enganar com uma boa ilusão, mas estou pronto a acreditar. Muita gente que não é agnóstica como eu acredita que Deus fez o homem à sua imagem e que depois lhe sacou uma parte que não lhe fazia muita falta e fez a mulher. Ora dizem, não sou eu que digo, dizem que a mulher foi feita a partir de uma costela do homem e dizem, não sou eu digo, dizem que foi feita para que o homem não se sentisse só ou seja se quisermos ser mauzinhos e aí já serei eu a dizer, a mulher só aparece porque não havia ainda Playstations, nem Sport-tv, nem garrafas de cerveja de abertura fácil e latinhas de amendoins e cajus baratas nalguns supermercados ou seja a mulher nasce como um parque de diversões o que explica o porquê de ter mamas.

Não me perguntem porque é que os homens gostam tanto de mamas, mais ainda porque é que a maior parte dos homens gostam tanto de mamas grandes, eu por mim porque tenho a mania que sou erudito gosto de mamas com carácter ou na falta dele de mamas grandes. Não é por acaso, de modo nenhum inocente que a Pópinhas e a Leopinhas viram evidenciados aquele par de atributos que convence qualquer pai babão ou mãe que diz que é moderna de espírito aberto e um enorme sentido de humor mas que na realidade tem uma inveja do caraças, a comprar todos os brinquedos que os putos mais otários escolheram na carta que escreveram ao pai Natal ou aqueles que os mais espertos simplesmente marcaram no catálogo do hipermercado.

Quer se queira quer não se queira e eu quero, se não bastassem todos os outros argumentos as mulheres tem mamas o que é uma vantagem desleal e deveria de haver uma comissão reguladora e avaliadora que regulasse e avaliasse e não pensem que, ao contrário de tantas outras comissões, que são um peso oneroso para o erário público esta o seria porque não faltariam voluntários dispostos a acabar com esta injustiça e regular e avaliar e apalpar porque tem que haver evidentemente benefícios fiscais para fomentar o mecenato e o voluntariado.

Parem um bocadinho para pensar e meditem nas consequências que podem ocorrer se de repente todas as cadeias de lojas de brinquedos começarem a recorrer às mamas para aumentar as vendas… é que caso não se lembrem a mascote da Toys r us é uma girafa… macho… que se chama Geoffrey e assusta-me muito imaginá-la transsexuada com hormonas ou cirurgia a abanar as mamas novas em frente às criancinhas. São coisas destas que me tiram o sono…


Black Eyed Peas - My Humps

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Privilégio do Disparate – (IN)Mundanismos [1] – O ser Português


É inevitável sou Português! Primeiro tive as minhas suspeitas quando fui confrontado a Oeste com uma imensidão de água que pelo sabor e textura me pareceu o atlântico e a Este com uma gente arrevesada que fala de uma forma tal qual a do Dartacão de modo bem audível e com a mania de que são melhores que muitos e se calhar até são mas nunca o havemos de aceitar até porque historicamente já os vencemos três vezes, tanto quanto julgo saber e a última foi com um golo do Nuno Gomes, aquele puto do Benfica de cabelo comprido e eterno ar de puto que eu até acho que ocupa sobretudo espaço, mas há muitos mais especialistas disto da bola que eu que não percebo nada disto e que dizem que é bom que ele ocupe espaço, já agora para quem não sabe ou nunca quis saber, o Benfica é um clube de bairro que cresceu um nadita e se tornou o entretêm preferido de conversa quando se quer falar de futebol ou de outra coisa qualquer e o futebol é o desporto que mais homens praticam sem nunca se terem cansado. Depois foi a língua que me fez ainda mais desconfiado, a malta à minha volta toda comunica com uma espécie de dialecto deslavado parecido com o Brasileiro e eu quando interrogado respondia e entendiam-me, está bem que nem sempre mas o que é certo é que mesmo em discordância ou ignorância havia ali qualquer coisa de muito parecido com comunicação. Por fim a forma de estar no mundo, tão nossa e só nossa que nos faz seres únicos e inequívocos.

Eu sou Português o que implica inerentemente ser um gajo porreiro. É verdade! até me pisarem os calos ou me confrontarem quando estou ao volante ou tentarem ultrapassar na bicha para meter o totoloto, sou um gajo porreiro. Isso não faz de mim manso ou mais ou menos apto para enfrentar a vida como homenzinho mas sobretudo um gajo pacholas para ter uma conversa sobre assuntos sem importância, bom para beber um copo ou dois ou uma grande bebedeira de cair de caixão à cova ou pura e simplesmente um tipo bom para ter ao lado numa hora difícil, fácil de angariar para causas que precisem de manadas ou para me esfalfar para falar Espanhol ou Inglês ou Francês ou mesmo Alemão com estranjas que vem para cá passear e não fazem o mínimo esforço para falar a nossa língua e ainda ontem pude apreciar uma que por acaso era boa como milho a pedir no self-service lechuga quando toda a gente se tirasse os olhos do rabo da miúda via que aquilo era alface e da meio ranhosa de folha velha.

Perguntem a quem quiserem e a primeira coisa que vão dizer da malta é que somos porreiros, somos e devemos ter orgulho disso, eu prefiro ser um gajo porreiro a ser cabrão ou fiho-da-puta, pelo menos numa primeira impressão, mas não pensem que para ser português basta ser porreiro, não mas ajuda muito e sobre as outras coisas que nos fazem ainda mais Portugueses voltarei a falar mais para a frente, entretanto fiquem com um conselho de um gajo porreiro, a melhor forma de ter sucesso neste nosso País é apelar ao nosso porreirismo, mas cuidado somos porreiros mas não gostamos de ser otários e aliás nunca somos otários porque esses são os estranjas que nos visitam e que mamam a lechuga ranhosa e por isso se nos quiserem encular com qualquer treta porreirista façam-no de uma forma porreira se faz favor.

Porque é natal e sou Português ou um gajo Porreiro, venha o que vier primeiro, aqui vos deixo uma musiquinha que já não ouvia há uns anitos e que alguém decidiu que era uma boa musiquinha de Natal e não vai de modas, árvore gigante a ofuscar o monumento fálico do Cutileiro, luzes acção e pimba para acompanhar o espectáculo arrefinfa-lhe com uma mariquice anti-guerra como se fosse um cântico natalício, somos ou não somos uns gajos porreiros?


Jona Lewie - Stop the Cavalry

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ghost of Christmas past




Chingon - Malaguena Salerosa

domingo, 6 de dezembro de 2009

Musicalidades com condimento #14


Hoje sinto-me bem comigo e se calhar por isso apetece-me abrir a janela e soltar o ar que armazenei no peito nos últimos tempos.

FODA-SE!!!! Quem me conhece sabe que não é bom ter-me como inimigo.

FODA-SE!!!! Quem me conhece sabe da minha elevada inteligência selectiva e que quando me empenho e a canalizo para uma causa dificilmente me param.

FODA-SE!!!! Quem tem obrigação de me conhecer melhor sabe que a única forma de me vencer sem perder é não entrar em guerra comigo…

Esta música que escolhi é a ideal para abrir a janela e soltar o ar que armazenamos no peito por isso aqui vos desafio, ponham-na a tocar o mais alto possível e enfrentem quem merece a vossa ira e gritem comigo:

VAI PARA O CARALHO!!!!



Muse- Uprising

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Diário de um louco impoluto – Dia 19


Acordei hoje com a memória enublada de ontem, acordei enrolado sobre o meu corpo e o dela enrolado entre os dois. Acordei de uma noite sem sonhos ou sem lembranças de ter sonhado e com a boca seca como se tivesse matado a fome com papel velho. Mexi-me na tentativa de desenrolar o meu corpo do seu sem a acordar e ouvi dos seus lábios um gemido indistinto de causa. Levantei-me e deixei-a nua sobre a cama, a pele lisa oscilava com a respiração serena e apetecia-me senti-la com as mãos ou ser mais audaz e acordá-la com um manto de beijos.

Entrei na banheira e abri a torneira sentado na borda enquanto esperava que água me aquecesse a mão perdida debaixo do fluxo que me escorria dos dedos e dos olhos que vagueavam pelas vagas dos pensamentos vazios e num momento senti o calor e estremeci de susto e de dor e de realidade. Accionei o chuveiro no botão, a água corre-me desde a base do pescoço e lentamente traz-me de volta ao mundo no mesmo fluxo que me leva as gotas por entre os dedos em direcção ao fundo, vejo ainda o fio de água e consigo descriminar cada gota no espaço até explodir numa superfície imaculada de branco a meus pés, vejo cada gota a abrir como uma flor e a cada instante sinto o tempo acelerar e retomar o seu ritmo e a água a deixar de ser um fio mágico de gotas que se abrem em flor a meus pés mas apenas um liquido quente sobre um corpo que desperta.

Sinto-lhe a respiração antes de lhe sentir o toque. Sinto o seu toque nas costas e a respiração na nuca e depois o abraço por trás com o peito que me acaricia, sinto o conforto dos seus pêlos púbicos que me roçam as nádegas e me fazem crescer de tesão e a sua mão que toma a posse do meu sexo. Volto-me e beijo-lhe os lábios enquanto a água nos cai por entre os corpos de novo enrolados. O barulho da água que cai expande-se nos ouvidos, ouço agora outra água que cai em forma de chuva sobre o metal da guarda da janela e se espalha no vidro, apetece-me abri-la e deixar que o chuveiro dos céus se junte à água quente e nos lave e nos leve de novo a um tempo mais lento.

Estamos cobertos de água e inundados pelo som da água que nos envolve e seguro-lhe o rosto com as mãos e vejo que outra água lhe sai dos olhos e pergunta-me do que me lembro da noite e eu digo-lhe que nada ou quase nada, que bebemos até o tempo parar e que acordei com a água quente que agora partilho e ela diz que me inveja porque o tempo não parou para ela e que se lembra de tudo o que me disse e tudo o que lhe disse e de tudo o que eu não a deixei dizer e de tudo o que não me deixou dizer e as lágrimas correm agora mais quentes que a água quente que chove cá dentro e mais frias que a água fria que chove lá fora e eu afogo-me perdido no meio de toda aquela água sem saber mais o que lhe dizer.

Pede-me que a deixe só, pede-me só que a deixe, pede-me que a deixe ser de novo só ela e a esperança de o tempo passar sem dor nem sentir e que não a deixe só com a esperança a sentir que vai apenas e de novo sentir a dor de estar só e lá fora a chuva não pára de cair e eu perco-me nas suas palavras de solidão e dor e abandono e desesperança e quero dizer-lhe que serei algo mais do que posso ser mas não consigo e as palavras afogam-se na garganta e lá fora a chuva não para de cair e eu afogo-me nas lágrimas que lhe escorrem nos olhos e prometo-lhe que não lhe farei promessas e afogo-me no vazio do que lhe digo e pede-me que a deixe só e eu saio para a rua e deixo que a chuva me escorra o cabelo para que me possa trazer a memória das palavras que deixei afogar.


Massive Attack – Teardrop

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #13


A morte leva sempre demasiado cedo os génios…

Uma sentida homenagem a duas importantes referências na minha vida:
Freddie Mercury (Stone Town, 5 de setembro de 1946 — Londres, 24 de novembro de 1991)
Jim Henson (Greenville, Mississippi, 24 de setembro de 1936 – Nova Iorque, 16 de maio de 1990).


The Muppets - Bohemian Rhapsody

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #12

Retorno a um tempo em que o Mundo acreditava num Mundo que podia ser melhor e em que éramos ingénuos nas nossas crenças e na nossa forma de vestir a vida…


The sugar hill gang - Rapper's delight

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Diário de um louco impoluto – Dia 18


Estamos nus de joelhos sentados no chão. Uma garrafa que já esteve cheia no inicio da noite e apenas um copo entre os corpos nus sentados sobre os joelhos no chão. Beijo-lhe os lábios e pauso-me na humidade que lhe enche os olhos. Apenas um copo tão pequeno que se consegue ocultar na palma de uma mão. Apenas um copo agora vazio de humidade e que encho pausado nos seus olhos que me bebem de desejo e sem a deixar de olhar bebo de um trago, bebo sem o beber do engolir e retenho o liquido que me arde dentro da boca e permito que o fogo do álcool me adormeça a língua e sinto que me seca a saliva como um rio seca uma gota de chuva.

Colo os meus lábios aos seus e controlo um fio de fogo fluido que se escorre entre as bocas, o destilado ganha na transferência cambiantes adocicados pela adição do meu sabor e pauso pausado nos seus olhos para que o possa engolir e repito o beijo de fogo fluído até deixar apenas na boca aquele que sei ser o meu quinhão e engulo-o. Estamos nus de joelhos sentados no chão com os braços entrelaçados em abraço e sinto o seu peito perdido no meu e percorro-lhes as costas apenas com a suavidade das impressões dos dedos, como se maior pressão a pudesse esmagar. Beijamo-nos agora sem o fogo fluido mas com o fogo da paixão e não há tesão física entorpecida pelo efeito do álcool, apenas tesão emocional que bebemos dos lábios um do outro.

Volto a encher o copo e volto a vazá-lo de um trago e evito os seus lábios que se procuram insinuar nos meus, volto a pausar-me nos seus olhos e digo-lhe com os meus que espere, percorro com o liquido toda a boca, deixo que me expanda a carne e os sentidos, que me entonteça a língua e por fim mergulho os lábios em bico na sua boca e liberto o fogo que a faz engasgar e sinto o pulsar do seu corpo e o ar que lhe sai com aromas de inebriar e engulo o que me resta e sufoco-a com um novo beijo e acabamos a rir de lágrimas nos olhos antes do abraço doce do consolo.

Já não há liquido na garrafa e o copo já não está entre os nossos corpos nus e rolou para longe dos joelhos sentados no chão e estamos com as testas coladas e os olhos desfocados e pausados um no outro, vazios e cheios de significado as minhas mãos acariciam o seu peito e as suas acariciam-me o sexo tão adormecido como a minha língua, mas ambos sabemos que hoje o nosso sexo não terá penetração, fodemos com os sentidos ampliados ou alterados, fodemos ou amamos e neste instante não faz qualquer diferença, sentimo-nos completamente um do outro, dois corpos nus apartados por um espaço que já não existe.

Um de nós pega na garrafa e tenta encontrar um resto de bebida sacudindo-a sobre o copo que não sei como voltou a estar entre nós de joelhos sentados no chão e o outro ri-se, não sei qual de nós sacode a garrafa nem qual de nós se ri mas sei que um de nós beijou o outro com os lábios bem abertos e sem língua e lembro-me de pensar que é difícil beijar sem língua e que um bom beijo não tem sempre que ter língua. Depois olhou para a foto da criança que brincava e começou a chorar e eu quis beber as suas lágrimas como se assim conseguisse secar a sua fonte e voltar a tê-la só para mim.

Tudo se move em movimento lento mas gira em redor destes corpos que já não conseguem perceber que já não estão de joelhos sentados no chão e começamos a dizer coisas um ao outro que não queremos dizer e calamo-nos um ao outro com beijos que acabam por nos reduzir a dois corpos que respiram e que suspiram e que se adormecem nos braços um do outro com a esperança que o dia amanheça sem lembrança e sem ressaca ou pelo menos sem arrependimento.


Pink Martini- Kikuchiyo To Mohshimasu

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #11

Sem mais palavras …



Bodyrockers - I like the way you move

domingo, 15 de novembro de 2009

Diário de um louco impoluto – Dia 17


Hoje pela primeira vez em muito tempo não senti um sufoco sem explicação. Cantarolei uma música sem destino enquanto tomava um duche, fiz ou desfiz a barba sem desprezar a imagem reflectida no espelho e apreciei o que comi antes de acender um cigarro. Fumei sentado a olhar o fumo e a cada chupão observo o incandescer laranja de fogo que me consome um pouco mais de tempo e penso que consumi a minha vida passada como um cigarro fumado à pressa sem apreciar o seu prazer e o seu passar, apenas pelo vício e pela necessidade física de a consumir.

Não me lembro porque comecei a fumar, um dia como muitos experimentei e não me lembro porque não gostei mas sei que não gostei e por isso voltei a experimentar e não gostei um pouco menos e continuei a experimentar até deixar de não gostar. Um dia como muitos passou a fazer parte da minha rotina consumir fumo, queimar folhas secas enroladas em folhas de papel que transformo em cinza. De cada cigarro que fumo resta uma ponta alaranjada que me deverá proteger de algo que não entendo bem e um monte de cinza sem valor e o fumo que fiz passar por mim e que se dissipa deixando ainda um cheiro que não gosto.

Cada vez mais fumo de uma forma egoísta, um acto privado de satisfação de vício. Porque não gosto do cheiro que resta no ar de um cigarro consumido não entendo o acto social de fumar em grupo e fujo do fumo dos outros para me esconder no meu. Não sei se perdi amigos por fumar ou por não fumar mas fui acabando sozinho acompanhado por um cigarro e depois outro porque parece que haverá sempre mais um cigarro que se pode acender num acto antecipado de necessidade e que depois se vai diminuindo em fogo laranja incandescente até restar uma ponta alaranjada que me sobra e me falta de entendimento.

Vêm-me sempre à boca o primeiro cigarro da manhã. Faz-me tossir de forma violenta como se o meu corpo quisesse expulsar aquele veneno volátil ou dar-me um aviso que estou a persistir num erro, persisto em ignorá-lo, mergulho na crença de que evitamos a ressaca continuando a beber e que não fumo o suficiente para tornar os danos irreversíveis e que um dia irei parar e todo o mal não passará de cinza inútil de um cigarro que se consumiu num tempo que ficou para trás. Resisto a acender mais um cigarro porque o fumo irá deixar ainda um cheiro que não gosto nesta casa onde necessariamente terei que dormir esta noite e saio para a rua.

Saí para a rua e deixei de resistir e acendo mais um cigarro isolado numa esquina entre caminhos que me podem levar a uma vida de cigarros já consumidos ou a outra vida que me traga cigarros que consiga fumar sem desperdício de cinza e fumo e pontas de cor alaranjada. Estou parado numa esquina, só com o meu cigarro e sem a ouvir a primeira vez ouço-a repetir: “Dás-me lume?”. Viro-me e ela está ali na minha frente também de cigarro entre as mãos e a boca com um meio sorriso nos lábios: “Não te importas de me dar lume?”. O cabelo já não é amarelo mas feito de muitos dourados e castanhos e sorri com olhar traquinas ou travesso e sinto-me confuso porque nunca os soube distinguir nos olhos de uma mulher.

Faço brotar a chama da ponta do isqueiro que treme soprada por um vento que não consigo ver e a extingue. Volto a insistir e a chama resiste uns segundos mas não o suficiente para conseguir contaminar de fogo a ponta do cigarro e sinto que me sente a insegurança e aproxima o rosto das minhas mãos que protegem agora o fogo e reparo no fumo que se enrola por entre os dedos e sobe ao céu em espirais. Continua a sorrir enquanto dá baforadas curtas com o cigarro que mal lhe toca os lábios vermelhos que eu imagino de fogo puro e mais quentes que a chama laranja que se vai reduzindo a cinza. Continua a sorrir e toca-me o rosto e beija-me suavemente a face sussurrando um obrigado e afasta-se e eu fico ali parado a ver aquele corpo afastar-se e eu fico ali parado apenas com um isqueiro nas mãos e eu fico ali parado a sentir um odor de perfume doce que me deixa ali parado sem saber bem o que fazer e sem o saber acendo mais um cigarro.


Pink Floyd - Have a Cigar

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #10

Não devemos perder a vida numa oportunidade nem a oportunidade numa vida…


Pink Martini -Hey Eugene

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Noutras andanças

Um toque de génio e uma vénia de admiração: “and now for something completly different”



Monty Python - The Funniest Joke In The World

domingo, 8 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #9

Não bastaria sorrir…?!?



Reamonn-Tonight

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #8

Nem sempre os anjos têm asas brancas…


Angel Randy Crawford & Joe Sample - Angel

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Musicalidades com condimento #7

As cadelas ladram…


Rolling Stones - You Can't Always Get What You Want