Januário era um galo que já não tinha a crista tão altiva como antigamente e a voz esganiçava-se para ainda acordar a vizinhança mas não queria de forma alguma dar parte de fraco e mantinha a galinhagem sempre de rabo encostado à parede, mais pelos arremessos e bater de asas do que pelos arrebites porque na realidade aquilo que tanto o orgulhara na juventude já pouco ou nada se levantava.
Um dia em conversa com um pato faroleiro da vizinhança que por ali passara para trincar umas maçãs que por aquela época caiam em abundância da velha macieira junto ao córrego, soube que havia não muito longe dali uma vaca nova que era um espectáculo de criatura com uns quadris arqueados e tetas rosadas espetadinhas e que não era nada esquisita não se importando de dar umas baldas a quem fosse que fosse com vontade de a pôr a mugir com gosto. Claro que o Pato se gabou de já lá ter ido e que a coisa tinha sido de tal forma que a bovina até esfregara com os cornos no chão de tanto prazer e o Januário que nunca fora de levar desaforo para casa disse logo que amanhã mesmo lá iria cantarolar à dita e que se ela fosse na conversa não só a poria de chifres bem enterrados como todo o lameiro ficaria bem lavrado com o arrastar do bicho. O pato que era esperto como um sabujo e percebendo que o galo só estava a cantar de galo quis apostar que ele nem a faria balir e o galo não teve outra hipótese sob pena de cair em descrédito com as frangas de aceitar a aposta.
No dia seguinte ainda o Sol não ia muito alto no céu, já o desgraçado do pato o esperava ao fundo do caminho com ar de ganso convencido e Januário lá teve que ir atrás dele certo que aquele seria o caminho que o levaria ao fim dos seus dias de soberania na capoeira e que para além de ir perder como paga da aposta aquelas três penas do cu que tanto se orgulhava ainda iria ter que aguentar com a história de fracasso que o malfadado anfíbio poria a circular. Mal chegado avistou logo a bela da vaca ruminando sobre a erva verde e que bela ela realmente era, toda branca com malhas negras bem dispostas e grandes olhos pestanudos, uma tesão noutros tempos e agora apenas uma comichão mas lábia ainda tinha e depois de um pequeno prefácio de dois dedos de conversa a animal lá percebeu ao que vinha e encolheu os ombros e piscou o olho em sinal que queria festa e o bom do Januário lá se encavalitou na sua traseira para pelo menos dar o seu melhor e depois foi um ver se te avias a vaca de repente desatou aos saltos e aos pinotes e o Januário acabou a ir pelos ares…
(Nota do autor: Estou cansado vou dormir acabem lá a história por mim sff.)
Fun Boy Three - The Lunatics Have Taken Over the Asylum