Embora continue a odiar as vuvuzelas, de repente deixei de as ouvir, ainda não percebi porquê e se calhar esta sensação que tenho tido ultimamente e que não consigo explicar, são saudades ou então não devia ter comido aquelas coisas estranhas no restaurante Japonês. Hoje retorno ao Facebook, não como neófito mas quase veterano na coisa. Os amigos já não aparecem como cogumelos em casca de árvore húmida mas ainda vão aparecendo e os que não via há uma carrada de anos, estão quase todos mais velhos e menos gordos do que eu os imaginaria, o que me faz mirar-me compulsivamente de perfil no espelho grande lá de casa. Continuo a não conseguir encontrar o Zé Carlos ou o António ou o Samuel ou o Victor que nem me lembro se não era só Vítor, porque o raio da coisa não me permite pôr como opção de busca que procuro a malta lá da escola e os outros com quem jogava ao berlinde e isso deixa-me chateado e com vontade de enviar uma reclamação a alguém e se alguém sabe a quem por favor diga.
Com certeza que estão à espera que fale do Farmville e eu não vos vou desapontar, vou mesmo falar no farmville. Para começar escusam de me enviar porcos e vacas malhadas e pedidos do que for porque bloqueei a coisa e não pertenço ao grupo dos que não jogam farmville porque sou do grupo dos que não alinham em grupos, aliás estão todos convidados para se juntarem a este grupo, é à borla e não se paga nada e todas as sextas-feiras são vésperas de Sábado, para mais informações podem ir por aqui e se o link não funcionar, paciência procurem naquela coisa que permite procurar coisas que de certeza que encontram.
Acho o fenómeno do farmville algo fascinante porque promove comportamentos que são totalmente contrários aos que temos na vida real como por exemplo o conceito da boa vizinhança. Quantos de vós que habitam não importa se numa colmeia de apartamentos ou na quinta fileira a contar da esquerda, logo a seguir à rotunda da bomba de gasolina numa vivenda geminada, conhecem ou querem mesmo conhecer os vossos vizinhos todos? Mais ainda trocar favores com eles? Tu dás-me uma saca de batatas e eu raspo-te o portão, dou betume e primário cinzento e pinto depois de verde ou então tu dás-me três galinhas, um pato e um ovo de choco e eu dou-te um unicórnio já habituado a coabitar com as zebras. É mesmo fantástico que pessoas que nunca imaginariam enterrar as unhas no esterco tomem diligencias na horta e que façam colheitas e as armazenem e negoceiem os frutos do seu trabalho. Mais ainda é o conceito associado à organização, porque nas quintas que tenho visto está tudo muito bem alinhadinho e amanhado. Malta que nem a cama faz e que é incapaz de saber onde raios se arruma o tacho ou onde está o piaçaba que já procurou pela casa toda e nem se lembra de ver atrás da sanita, ali é um primor burocrático.
Por outro lado acho mal que não se permita aos jogadores desenharem a sua própria flora ou fauna, nisso eu era capaz de alinhar e nem pensem que me punha a criar substancias ilícitas derivadas do cannabis ou a plantar papoilas roxas, nada disso, o que eu gostava era mesmo de me meter nos transgénicos à força toda e misturar repolhos com lentilhas e marmelos com uma daquelas frutas esquisitas que às vezes aparecem nos hipermercados e que não sabemos o que é mas compramos para experimentar e depois aquilo sabe muito mal, porque na realidade acabamos por comer a parte que era para deitar no lixo e deitamos no lixo a parte que era para comer. Também gostava de criar bichos novos, pôr cá para fora a minha faceta de Deus porque continuo a achar que até tinha jeito para isso…
Esta Lua que se me enche não me faz crescer pêlo ou presa ou uivo ou sede rubra. Esta Lua que se me enche desperta-me a vontade do esquecer e da nudez e do suor e da paixão e de ser e de ti. Esta Lua que se me enche preenche-me.
Quero a minha Lua cheia a dançar num reflexo de mar sereno neste calor que estende o dia na noite. Quero o cálido pálido dos seus raios a brilhar-te nos olhos e no cabelo e na gota de suor que te escorre dos seios. Quero o seu baptismo num beijo e a sua maldição num orgasmo. Quero a minha Lua cheia bem cheia do teu cheiro em contraste com o moreno da cor da pele que se estende suave dos teus ombros. Quero cobrir-te do seu brilho com a minha sombra.
Esta Lua que se me enche saúdo-a com silencio na partilha de um abraço e com canção na partilha de um espaço. Entre ritmos na contraluz e travo de ébrio ligeiro rodopiamos na simula de um tango e desejos de outra latitude. Esta Lua que se me enche e preenche e me fascina e te aproxima e nos renova na promessa de um novo ciclo plenos de Lua.
Que aqueles que por aqui têm passado me perdoem a ausência. Tempos complicados de mudança, tempos quentes de bonança, tempos tristes de paciência. Estou a dar tempo ao tempo para que o tempo certo chegue.
Quero voltar de forma regular com vontade e criatividade e já não falta agora muito. Preciso de escrita e de justiça, a primeira virá já nas próximas semanas, a segunda em Setembro com o final do Verão, ambas me libertarão de fardos.
Por enquanto vou estando com os amigos que se juntaram a mim no Facebook e com os amigos do costume por aqui: >>-<<
Ainda odeio as vuvuzelas! E depois desta surpreendente declaração de sentimento gostaria de anunciar que no final fui fraco e acabei por ceder às insistentes campanhas de arregimentação que vários dos ilustres visitantes deste blog me moveram e fiz-me parte daquela coisa que dá pelo nome de Facebook.
Olho-me agora de forma diferente ao espelho, mas se calhar é porque com esta idade ainda consigo ter efervescências borbulhosas no nariz o que não deixando de ser notável se nota porque fica tudo vermelho com uma cabecinha esbranquiçada daquelas que dá vontade de espremer. Por outro lado e regressando ao Facebook com ajuda e até um bocado empurrado criei a conta no meu nome impróprio que muitos sabem uso legitimamente com propriedade e desatei-me a fazer amigos e ao fim de dois dias já tinha mais de trinta o que me deixou contente e orgulhoso porque descobri que além de conseguir descobrir trinta otários que me querem como amigo ainda por cima me deixam coscuvilhar pormenores da sua vida intima.
Pois tenho que dar o braço a torcer só um bocadinho senão dói muito que aquilo até é giro e é um sitio onde há mulheres boas ou melhor dizendo que eu gosto de parecer espiritual, boas mulheres. Por outro lado fiquei um bocado decepcionado porque toda a gente me dizia que ia conseguir rever a malta toda que tinha andado comigo na creche e na pré-primária e fartar-me de gozar porque está tudo velho e gordo e afinal não encontro ninguém. Das duas uma ou o pessoal do meu tempo tem todo mais juízo que eu e dedica-se a coisas mais interessantes como por exemplo outra coisa qualquer ou então um dos 6723 indígenas que me aparecem na lista é mesmo o Zé Carlos e eu não lhe consigo reconhecer o nariz.
Agora o que me parece mesmo deprimente é os grupos… Muito gostamos nós de molhadas e quanto maiores melhores. Mas mau mesmo são os grupos revivalistas que querem fazer recordar quão jovens e tótós éramos todos os que nos juntávamos no tal café que tinha o tal empregado que era meio coxo e que se calhar até já morreu ou então é bem velhote e depois aparece sempre o iluminado que diz que não que ainda na semana passada o viu no supermercado a comprar um pacote de flocos e um queijo fresco e que até estava fino. Depois claro vêem as fotos carcomidas ou com aquelas cores estranhas dos setentas ou dos oitentas e vai de comentar com os olhó e olhá e às vezes até se deixam escapar aquelas coisas que até nem dão jeito que toda a gente fique agora a saber depois de tantos anos a tentar esquecer.
Mas pronto estou no facebook mas continuo a odiar as Vuvuzelas.
Nota do autor: Aquilo lá no Facebook funciona um pouco como um apêndice deste blog e um apêndice para quem não sabe e eu descobri muito recentemente por más razões é algo que ou não serve para nada ou ainda não se sabe para o que é que serve. A diferença é que lá é assim a modos como um lugarzinho com direito de admissão onde o bar está sempre aberto e todos sabem o nosso nome e é verdade que sendo um lugar comum não deixa de ser verdade. Assim quem se quiser amigalhar por lá pode sempre aparecer mas desde já aviso que só serão aceites pessoas reais ou que consigam provar que o são e neste caso a única excepção é aquela menina de Braga que nunca ninguém viu mas que se supõe que existe e sim tu é de ti que estou a falar...
Kid Creole & The Coconuts - I'm A Wonderful Thing Baby
Odeio as vuvuzelas! De repente alguém me disse que o mundo podia ser visto a 3 dimensões e que nem precisava de sair da sala ou da cozinha ou mesmo da casa de banho para o ver assim de forma tão profunda. Odeio mesmo as vuvuzelas! Como é que de repente sem que tivéssemos dado por isso o mundo ficou a 3 dimensões é um mistério com algum relevo e passado o trocadilho forçado parece que a explicação é antiga mas só agora depois do tal Avatar se percebeu que nos fazia mesmo falta dar outra dimensão à coisa. Mas é que odeio mesmo muito as vuvuzelas! Parece no entanto que não é apenas com os nossos bonitos olhos que podemos ver o mundo a 3 dimensões, serão necessários uns óculos polarizados que não se devem confundir com polaróides que são aquelas máquinas que tiram fotografias instantâneas sem serem telemóveis nem com polinizações que só serve para me fazer espirrar e besuntar o monitor com nhanha viscosa. Já vos disse que odeio as vuvuzelas? Para o mundo poder ser visto a 3 dimensões fará ainda falta uma televisão mais especial que aquela que tanto trabalho deu a convencer a dita que preferia ir de férias para Torremolinhos a comprar com a promessa que aquilo não ia parecer enorme na sala e que até seria mal os vizinhos já todos terem e agente não. Odeio as vuvuzelas tanto mas tanto que quando ouço uma até me arrepiam os pintelinhos da nuca. Aqui o escriba que para quem não sabe até ganha a vida com estas coisas tecnológicas e que devia estar caladinho e aplaudir que o mundo se queira ver agora a 3 dimensões, não consegue deixar de achar piada a imaginar a malta toda sentada na sala com ar de imbecil de óculos à José Cid escarrapachados no nariz a olhar para dentro de um aquário. Penso que já vos terei dito que odeio as vuvozelas! Sim, porque o efeito de uma televisão a 3 dimensões é muito parecido com o de olhar para dentro de um aquário, embora com a vantagem de que não é necessário dar de comer aos peixes nem limpar o verdete do vidro.
Agora gostaria de aproveitar a oportunidade e comunicar ao mundo que odeio as vuvuzelas e que sinto uma vontade enorme de as enfiar pelo cu acima a quem se atrever a tocar uma à minha frente e posso garantir que isso terá um efeito tridimensional que dispensará os óculos ou outro investimento mais avultado e aqui fica o aviso que quem avisa amigo é.
No vídeo abaixo, não foi maltratado nenhum animal e acima de tudo nenhuma vuvuzela foi tocada.
Aqui há dias surgiu-me uma epifania e este não é o nome esquisito de nenhuma miúda gira que me pediu amizade no facebook até porque eu ainda não tenho conta naquilo embora esteja sinceramente a pensar ter porque ao que parece a coisa tem interesse para lá de plantar batatas e assumi de uma vez por todas que não entendo, nunca irei entender e nem sei se quero mesmo entender as mulheres.
Pensava eu na minha ingenuidade de homem pouco vivido que o amor que uma mulher sente por um homem poderia morrer como morrem todos os bichos subitamente ou por doença prolongada ou todas as plantas por falta ou excesso de rega, mas não, o amor que uma mulher sente por um homem é eterno e quando supostamente ela diz a todas as amigas ou a quem tiver a paciência de a ouvir que acabou tudo, na realidade o que acontece é que o amor se transforma numa outra forma de amar, que a mulher confunde por vezes com ódio mas que continua a ser amor daquele que a leva a não pensar noutra coisa do que no ser amado ou a querer estar no mesmo espaço do ser amado e a não falar noutra coisa com as amigas do que do ser amado independentemente de falar mal e porcamente, não deixa de falar.
Um homem quando deixa de amar uma mulher ou vira desgraçadinho, alcoólico, toxicodependente ou cliente de psicanalista ou parte para outra e tenta compensar a falta de amar com excesso de sexo mas nunca, de forma alguma quer voltar a estar no mesmo espaço físico que a ex amada ou a contacta por tudo e por nada ou se penteia e veste umas calças novas e sapatos engraxados na esperança de a encontrar na paragem do autocarro. A mulher não, se amou ganhou o direito de ser chata de ser inoportuna de ser melga de ser doentia na obsessão de continuar a viver na orbita do ser amado.
Aquela história que conta que todas as mulher tem a capacidade de transformar um qualquer sapo num príncipe é uma das maiores fraudes que impingem às criancinhas logo desde pequeninas, porque a verdade diz exactamente o contrário, toda a mulher consegue com a maior das facilidades transformar o seu príncipe encantando que tanto amou num sapo desprezível e baboso e no entanto, embora o consiga trocar com supostas vantagens por um pepino cor de beterraba com a mais valia de ainda por cima não ressonar, nunca o deixa de amar nem que seja por pena ou por ódio.
…Voltar a correr atrás de quimeras e outros bichos com asas e penas coloridas e sonhos suaves que se podem comer sem risco de engordar. Não me apetece escrever com data marcada palavras bonitas ou nada que se pareça com dever. Não me apetece ter agora nada mais do que vontade de mim. Não me apetece sentir qualquer pudor em ser egoísta e esquecer por alguns instantes que a minha importância se relativiza pela importância de quem me é mais importante. Não me apetece saber que não sou Sol, fonte e suficiente para todos os que quero e que ainda sou por obrigação algo que não quero ser para outros que não quero que façam já ou ainda parte de mim.
Não me apetece seguir regras, seguir horários, seguir rumos, seguir costumes, seguir outros filhos, seguir o vento, seguir a fome. Não me apetece dançar por fora do ritmo que sinto no corpo que ainda sabe escutar. Não me apetece ter que justificar os meus apetites ou a minha falta deles. Não me apetece estar onde estou e não estar noutro lado. Não me apetece saber que me falta coragem ou sobra consciência de largar tudo e ficar nu num lugar onde nada mais me falta que o que me sacia.
Não me apetece dores nem sedes. Não me apetece acordar ou adormecer nalgumas manhãs. Não me apetece o escuro sem a tua luz. Não me apetece rasgar o passado nem antever o futuro. Apenas me apetece não me apetecer.
…e ir ler lá do outro lado, mas antes gostava de vos dizer que adoro o nome desta banda e que vale a pena ouvir a música porque é daquelas que nos fazem assobiar e sorrir só porque sim…
Não foram precisas carradas de fogo de artifício nem toneladas de fumo nem muitas luzes a piscar sem sentido. Houve a honestidade, houve o suor, houve a entrega de um grande performer muito bem acompanhado para me dar o melhor concerto a que já assisti, quem foi ao engano saiu rendido, sempre disse que este senhor era muito mais do que queria parecer ser e não tenho dúvidas que o seu próximo concerto em Lisboa irá encher um estádio amarelo esverdeado…
Queria poder contar com pontos de retorno. Queria parar o mundo neste instante e guardar a vida num lugar seguro, uma caixa, uma carta ou um frasco que pudesse rolhar de vidro opaco longe dos olhos e de todos para que a incerteza fosse sempre um caminho seguro. Quero o poder de voltar aqui e agora apenas estalando os dedos, tlec e tenho uma nova oportunidade de me falhar. Não me importa emendar o tempo, hora a hora ou dia a dia como o faço com as palavras que me desagradam e que apago e reescrevo com outras letras ou sons ou significados, não me importa trilhar todo o caminho por muita pedra que me sangre os pés, chegar ao fim e ver o final mas gostaria de ter a possibilidade de escolha de um novo recomeço a partir de um ponto ou instante como este em que o que está mal até não está mal de todo.
Sou fraco porque escolho não escolher, é mais fácil deixar seguir o rio em direcção a onde quer que vá chegar, alguns rios conseguem até chegar ao mar e chegar ao mar é fazer parte de algo imenso ou apenas diluir ilusões, a água deixa de ser doce quando chega ao mar, onde ficará a fronteira entre a água do rio que é doce e a água do mar que é salgada? Sou como a água que flui pelo caminho mais fácil, sou como a água que flui sem perceber que deixa de ser doce e se salina e amarga, sou como a água por vezes transparente outras opaco e estou a deixar-me fluir somente porque me atrai o mar.
A sua mão está pousada na minha perna, oculta pela mesa, acaricia o interior das minhas coxas num movimento inequívoco de sedução. A mulher do cabelo amarelo que já não é amarelo mas feito de muitos dourados e castanhos, sorri-me com os olhos e diz-me que sente o desejo de voltar a ver o meu corpo nu, quer olhar-me com as pontas dos dedos e com as pontas dos seios e com a humidade dos lábios, quer sentir os contornos escondidos da minha pele com o seu roçar impudico. Tenho vontade de dizer alguma coisa que não sei se é um concordar ou um discordar mas sou afogado de vontade pela vontade de um beijo que me cola a boca e deixo-me fluir pelo desejo.
Sinto-me mal por me sentir bem e quero fugir mas fico preso por uma mão que agora me segura firme uma erecção que não tenho forma de controlar, há um convite implícito nos seus olhos castanhos que brilham como o mar num dia de verão e eu sei que a vou seguir para onde for que for o caminho que me quiser levar e que me vou deitar a seu lado à espera que me cubra com o seu corpo que adivinho suave. Vou-me deitar no leito que me leva por um caminho que escolho pela minha fraqueza de não conseguir escolher, estou preso pela atracção do mar que antevejo nos olhos de uma mulher que sinto real pela mão que me prende mas que me atrai por um sentimento irreal de perigo, tenho medo da incerteza mas é ela que me fascina e puxa e que faz não querer mais do que deixar fluir.
Acabo o dia na noite suado e sem saber se o que sinto agora é arrependimento ou medo e se pudesse ter o botão que me levasse a um ponto de retorno, se o apertaria agora ou se ainda me deixaria ficar a fluir neste desejo que começou por não ser o meu mas que me foi cercando num caminho fácil e me contagiou porque sou fraco e estendo a mão e sinto-lhe a ponta de um mamilo, hirto e compreendo que não o conseguiria apertar…
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