Não sou especialista nem em economia nem politica, aliás, bem vistas as coisas tenho uma daquelas profissões chatas em que não somos especialistas em coisa nenhuma e quando parece que sabemos um bocadinho mais de qualquer coisa a coisa torna-se irrelevante. Embora não sendo especialista, sempre vou ouvindo aqui e ali que isto está muito mal e que somos um povo à beira do abismo a quem os governantes e orientadores diz que a única saída é apertar o cinto e seguir em frente. Sei que a piada é velha mas não encontro melhor alegoria que esta e até percebo que estando à beira do abismo tudo se resolva com um salto de fé desde que a altura me garanta que não haverá contas de hospital para pagar e que quem vier atrás pelo menos consiga arranjar um buraco para me enterrar porque eu não gostaria de ficar por aí a cheirar mal.
Na realidade não percebo nada de politica nem de economia nem de sociologia o que a bem dizer me habilita como bom Português a poder opinar sobre qualquer assunto em conversas de corredor, vizinhanças de máquinas de café e balneários sem ter receios de dizer asneiras. Por isso na minha humilde opinião sempre vos digo que acho que o Português se deixa cozer bem em lume brando e que não será por acaso que somos os inventores do banho Maria que como toda a gente sabe é a melhor forma de aquecer o arroz sem o esturricar ou o deixar agarrar à panela. É por isso que os nossos pastores nos conseguem tão facilmente levar a qualquer lado e a malta embora resmungando e com alguns arrebites esporádicos lá vai arrastando os pés e agora espanta-se por já não haver mais caminho em frente.
Outra das nossas características tão invejada pelos povos daqueles países mais sérios da Europa central é a nossa capacidade de sermos parvos com um enorme sentido de humor e ontem depois de ver os mineiros Chilenos saírem do buraco não faltou comediante nacional que não alvitrasse que o método se calhar com jeitinho podia ser ampliável de 33 indivíduos a 10 milhões de artolas e que qualquer dos mineiros daria um bom consultor de ministro em Portugal. Enfim dá para sorrir e a malta gosta mesmo é de rir e não sei se já repararam que é fácil encontrar na cara dos nossos idosos aquelas rugas que se abrem do nariz aos lábios, sinais do tempo e de tempos de muita galhofa.
Depois há aquela lei dos “F’s” que diz que ao Português para estar entretido e não chatear muito basta ter com fartura coisas começadas por “F” e claro que aqui virão os tais brincalhões danados para a brincadeira falar de Foder ou ser Fodido, mas não, eu estava mesmo era a pensar em Futebóis e Fátima e Folhetins que a moda do Fado já passou e dirão os teóricos conspirativos que não é por acaso que agora com a grande crise instalada e o anuncio do orçamento para 2011 se reinventou o “grande irmão” ou que a selecção se deixou atrasar para depois se contratar um salvador com tranquilidade e risco ao meio ou que ontem foi dia 13 aqui e na Cova da Iria…
Sinto que há demasiado tempo não me transcrevo neste diário. Sinto falta da catarse de deixar as palavras reflectirem o meu sentir, deixar os verbos desmascararem a minha raiva, deixar as virgulas assinalarem as minhas dúvidas, deixar-me escorrer por entre o que escrevo.
Sinto que há demasiado tempo ando a adiar o amanhã e a continuar a lamentar o ontem enquanto hoje ainda me perco e se calhar por isso ou por outra razão qualquer estou a caminhar por entre árvores espaçadas e terra batida. O dia está solarengo e a pedir uma sombra e procuro-a sobre um banco de madeira maltratada pelos anos e por muitos que o usaram para muitas coisas. Os veios estão abertos como gretas e cruzados aqui e ali por riscos incertos de pontas arrastadas de navalhas e bicos de pregos, reconheço esboços de corações atravessados por setas e promessas de amor eterno. Gosto do árido das tábuas e verifico que a ferrugem cristalizou nas ferragens e não me suja as mãos.
Sinto que há demasiado tempo não me preocupo com o que sinto ou que sinto que devia de me preocupar com o que não sinto e acabo por encolher os ombros e deixar acabar mais um dia com a certeza que amanhã virá outro e que há sempre tempo para tudo desde que o queiramos verdadeiramente mas eu sei que o tempo tem os dias contados e bem contados. Admiro o banco onde estou sentado e a capacidade que teve de envelhecer desempenhando o seu papel. Admiro ou talvez inveje o que já testemunhou e a sorte de ser um objecto inerte livre de sentir colocado num local onde o vento sopra e a chuva cai e o Sol brilha ou se esconde atrás das nuvens e onde se cheira a relva e as folhas caem e de ser útil sem questionar a razão de o ser ou querer ainda ser mais que apenas útil.
Sinto que há demasiado tempo ainda para me sentar neste banco mas que é demasiadamente pouco para o que quero que me falte e entre o que me falta e o tempo que me resta há uma disputa e eu estou sentado neste banco a assistir sem querer tomar partido. Vejo lá em baixo uma velha dar de comer aos pombos. Penso que já uma vez escrevi que não gosto de pombos. Não reconheço utilidade aos pombos e acho que a única coisa que os pombos fazem é comer e cagar e entre as duas foder e reproduzir-se como ratos. Costumo dizer que os pombos são como ratos com asas e se acreditasse em Deus nas minhas preces perguntaria: Diz-me Deus porque criaste os pombos? Acho que se acreditasse em Deus e lhe fizesse esta pergunta iria ter uma resposta, posso ter dúvidas na existência de Deus mas não tenho nenhuma dúvida que se perguntasse para que é que servem a merda dos pombos ele me diria e de forma a que eu iria perceber e entender. Se calhar aquela velha que está a dar de comer aos pombos, acredita em Deus e um dia perguntou-lhe e agora que já sabe para que é que servem a merda dos pombos, passa todos os dias por aqui com pão que esfarela para os alimentar para que possam comer e cagar e entre as duas foder e ainda cumprir o desígnio de Deus.
Sinto que há demasiado tempo que estou aqui sentado neste banco a ver uma velha a cumprir os desígnios de Deus e pergunto-me se quando ela se dirigiu a Deus e lhe perguntou para que é que serviam os pombos se não estaria aqui sentada neste mesmo banco e se não estou a perder a oportunidade de também eu encontrar a minha resposta. Parece-me fácil acreditar, mais fácil que continuar a duvidar que não há razões para a existência dos pombos e que os problemas existencialistas dos homens se podem resolver percebendo que há sempre uma razão para além de comer, cagar e entretanto foder, basta acreditar.
Jethro Tull - Too Old To Rocknroll Too Young To Die
Parece que já não vale muito a pena falar das vuvuzelas por isso vou continuar a falar no Facebook e não me venham dizer que fiquei viciado na coisa porque é mentira, só lá vou sempre que posso e os rumores de que me levanto a meio da noite para fumar um cigarro e ver se tenho comentários são calunias, eu só não deixo de fumar porque não quero, tiro prazer da coisa e tenho uma certeza inabalável de que não irei morrer disso. Tenho que confessar que antes de ter entrado neste admirável mundo de amizades, convívio e galhofa e quiçá fruto da minha ingenuidade e juventude, pensava que o Facebook não era mais que uma espécie de clube tuperware para troca de mimos sobre futilidades e claro havia apenas o tal famoso farmville que entretinha a malta.
Quando me comecei a amigalhar, palavra que ao contrário de mudasti merece entrar no léxico nacional, primeiro porque faz sentido e é fácil de conjugar, eu amigalho-me, tu amigalhas-te, ele amigalha-se, nós amigalhamo-nos, vós amigalhai-vos, eles amigalham-se e por aí fora e segundo porque não faz publicidade a nenhuma beberragem açucarada de utilidade duvidosa, logo percebi que o Facebook era muito mais do que eu podia imaginar ou sonhar. De repente o meu espaço começou a ser invadido por ofertas de pedidos ou pedidos de ofertas de coisas fantásticas, assombrosas, mirabolantes plenas de graça imaginação e fantasia. Havia Ilhas e fronteiras e gangsters e máfias e parques de diversão e bolinhas de sabão e abraços e beijinhos e flores e questionários de tudo e algo mais e o primeiro conselho que me deram quando me olharam no olhos e me viram em pânico a tremer a olhar para aquilo tudo foi: Elimina.
E aprendi aos poucos a eliminar. Sempre que me aparecia algo estranho, pimbas eliminava e já não me aparecia mais. Esta capacidade que o Facebook nos oferece de eliminar o que nos desagrada é o que mais me agrada no sistema porque não se fica apenas pelas jigajogas e traquitanas, mas pode ser estendido a pessoas. Sim perceberam bem o Facebook permite ao comum dos mortais eliminar pessoas e tanto quanto sei continuando a passar pela casa partida sem ter que ir parar à prisão.
Por isso meus amigos façam como eu, se sabem daquela pessoa chata cuja infelicidade vos bateu à porta no dia em que a conheceram e que teima em vos lembrar que ainda mexe e que mantém intacto o talento de debitar disparates mais rapidamente que a vossa vontade de verem se têm comentários novos ou que insiste em divulgar testes que atestam a sua imbecilidade ou que dizem que ela é o supra sumo da batata ou que explicam que grande amante ou beijoqueira se tornou quando vocês até sabem que o xarroco de olhos esbugalhados esquecido há dias na banca da peixeira e que a ASAE se o apanha leva para parte incerta, beija infinitamente melhor, eliminem.
Eliminar no Facebook é gratuito, a pessoa eliminada desaparece, nunca mais a vêm e ainda tem a vantagem de que ela também não vos consegue ver. Do ponto de vista virtual é quase tão bom como voltar atrás no tempo e nunca ter saído de casa naquele dia fatídico…
Embora continue a odiar as vuvuzelas, de repente deixei de as ouvir, ainda não percebi porquê e se calhar esta sensação que tenho tido ultimamente e que não consigo explicar, são saudades ou então não devia ter comido aquelas coisas estranhas no restaurante Japonês. Hoje retorno ao Facebook, não como neófito mas quase veterano na coisa. Os amigos já não aparecem como cogumelos em casca de árvore húmida mas ainda vão aparecendo e os que não via há uma carrada de anos, estão quase todos mais velhos e menos gordos do que eu os imaginaria, o que me faz mirar-me compulsivamente de perfil no espelho grande lá de casa. Continuo a não conseguir encontrar o Zé Carlos ou o António ou o Samuel ou o Victor que nem me lembro se não era só Vítor, porque o raio da coisa não me permite pôr como opção de busca que procuro a malta lá da escola e os outros com quem jogava ao berlinde e isso deixa-me chateado e com vontade de enviar uma reclamação a alguém e se alguém sabe a quem por favor diga.
Com certeza que estão à espera que fale do Farmville e eu não vos vou desapontar, vou mesmo falar no farmville. Para começar escusam de me enviar porcos e vacas malhadas e pedidos do que for porque bloqueei a coisa e não pertenço ao grupo dos que não jogam farmville porque sou do grupo dos que não alinham em grupos, aliás estão todos convidados para se juntarem a este grupo, é à borla e não se paga nada e todas as sextas-feiras são vésperas de Sábado, para mais informações podem ir por aqui e se o link não funcionar, paciência procurem naquela coisa que permite procurar coisas que de certeza que encontram.
Acho o fenómeno do farmville algo fascinante porque promove comportamentos que são totalmente contrários aos que temos na vida real como por exemplo o conceito da boa vizinhança. Quantos de vós que habitam não importa se numa colmeia de apartamentos ou na quinta fileira a contar da esquerda, logo a seguir à rotunda da bomba de gasolina numa vivenda geminada, conhecem ou querem mesmo conhecer os vossos vizinhos todos? Mais ainda trocar favores com eles? Tu dás-me uma saca de batatas e eu raspo-te o portão, dou betume e primário cinzento e pinto depois de verde ou então tu dás-me três galinhas, um pato e um ovo de choco e eu dou-te um unicórnio já habituado a coabitar com as zebras. É mesmo fantástico que pessoas que nunca imaginariam enterrar as unhas no esterco tomem diligencias na horta e que façam colheitas e as armazenem e negoceiem os frutos do seu trabalho. Mais ainda é o conceito associado à organização, porque nas quintas que tenho visto está tudo muito bem alinhadinho e amanhado. Malta que nem a cama faz e que é incapaz de saber onde raios se arruma o tacho ou onde está o piaçaba que já procurou pela casa toda e nem se lembra de ver atrás da sanita, ali é um primor burocrático.
Por outro lado acho mal que não se permita aos jogadores desenharem a sua própria flora ou fauna, nisso eu era capaz de alinhar e nem pensem que me punha a criar substancias ilícitas derivadas do cannabis ou a plantar papoilas roxas, nada disso, o que eu gostava era mesmo de me meter nos transgénicos à força toda e misturar repolhos com lentilhas e marmelos com uma daquelas frutas esquisitas que às vezes aparecem nos hipermercados e que não sabemos o que é mas compramos para experimentar e depois aquilo sabe muito mal, porque na realidade acabamos por comer a parte que era para deitar no lixo e deitamos no lixo a parte que era para comer. Também gostava de criar bichos novos, pôr cá para fora a minha faceta de Deus porque continuo a achar que até tinha jeito para isso…
Esta Lua que se me enche não me faz crescer pêlo ou presa ou uivo ou sede rubra. Esta Lua que se me enche desperta-me a vontade do esquecer e da nudez e do suor e da paixão e de ser e de ti. Esta Lua que se me enche preenche-me.
Quero a minha Lua cheia a dançar num reflexo de mar sereno neste calor que estende o dia na noite. Quero o cálido pálido dos seus raios a brilhar-te nos olhos e no cabelo e na gota de suor que te escorre dos seios. Quero o seu baptismo num beijo e a sua maldição num orgasmo. Quero a minha Lua cheia bem cheia do teu cheiro em contraste com o moreno da cor da pele que se estende suave dos teus ombros. Quero cobrir-te do seu brilho com a minha sombra.
Esta Lua que se me enche saúdo-a com silencio na partilha de um abraço e com canção na partilha de um espaço. Entre ritmos na contraluz e travo de ébrio ligeiro rodopiamos na simula de um tango e desejos de outra latitude. Esta Lua que se me enche e preenche e me fascina e te aproxima e nos renova na promessa de um novo ciclo plenos de Lua.
Que aqueles que por aqui têm passado me perdoem a ausência. Tempos complicados de mudança, tempos quentes de bonança, tempos tristes de paciência. Estou a dar tempo ao tempo para que o tempo certo chegue.
Quero voltar de forma regular com vontade e criatividade e já não falta agora muito. Preciso de escrita e de justiça, a primeira virá já nas próximas semanas, a segunda em Setembro com o final do Verão, ambas me libertarão de fardos.
Por enquanto vou estando com os amigos que se juntaram a mim no Facebook e com os amigos do costume por aqui: >>-<<
Ainda odeio as vuvuzelas! E depois desta surpreendente declaração de sentimento gostaria de anunciar que no final fui fraco e acabei por ceder às insistentes campanhas de arregimentação que vários dos ilustres visitantes deste blog me moveram e fiz-me parte daquela coisa que dá pelo nome de Facebook.
Olho-me agora de forma diferente ao espelho, mas se calhar é porque com esta idade ainda consigo ter efervescências borbulhosas no nariz o que não deixando de ser notável se nota porque fica tudo vermelho com uma cabecinha esbranquiçada daquelas que dá vontade de espremer. Por outro lado e regressando ao Facebook com ajuda e até um bocado empurrado criei a conta no meu nome impróprio que muitos sabem uso legitimamente com propriedade e desatei-me a fazer amigos e ao fim de dois dias já tinha mais de trinta o que me deixou contente e orgulhoso porque descobri que além de conseguir descobrir trinta otários que me querem como amigo ainda por cima me deixam coscuvilhar pormenores da sua vida intima.
Pois tenho que dar o braço a torcer só um bocadinho senão dói muito que aquilo até é giro e é um sitio onde há mulheres boas ou melhor dizendo que eu gosto de parecer espiritual, boas mulheres. Por outro lado fiquei um bocado decepcionado porque toda a gente me dizia que ia conseguir rever a malta toda que tinha andado comigo na creche e na pré-primária e fartar-me de gozar porque está tudo velho e gordo e afinal não encontro ninguém. Das duas uma ou o pessoal do meu tempo tem todo mais juízo que eu e dedica-se a coisas mais interessantes como por exemplo outra coisa qualquer ou então um dos 6723 indígenas que me aparecem na lista é mesmo o Zé Carlos e eu não lhe consigo reconhecer o nariz.
Agora o que me parece mesmo deprimente é os grupos… Muito gostamos nós de molhadas e quanto maiores melhores. Mas mau mesmo são os grupos revivalistas que querem fazer recordar quão jovens e tótós éramos todos os que nos juntávamos no tal café que tinha o tal empregado que era meio coxo e que se calhar até já morreu ou então é bem velhote e depois aparece sempre o iluminado que diz que não que ainda na semana passada o viu no supermercado a comprar um pacote de flocos e um queijo fresco e que até estava fino. Depois claro vêem as fotos carcomidas ou com aquelas cores estranhas dos setentas ou dos oitentas e vai de comentar com os olhó e olhá e às vezes até se deixam escapar aquelas coisas que até nem dão jeito que toda a gente fique agora a saber depois de tantos anos a tentar esquecer.
Mas pronto estou no facebook mas continuo a odiar as Vuvuzelas.
Nota do autor: Aquilo lá no Facebook funciona um pouco como um apêndice deste blog e um apêndice para quem não sabe e eu descobri muito recentemente por más razões é algo que ou não serve para nada ou ainda não se sabe para o que é que serve. A diferença é que lá é assim a modos como um lugarzinho com direito de admissão onde o bar está sempre aberto e todos sabem o nosso nome e é verdade que sendo um lugar comum não deixa de ser verdade. Assim quem se quiser amigalhar por lá pode sempre aparecer mas desde já aviso que só serão aceites pessoas reais ou que consigam provar que o são e neste caso a única excepção é aquela menina de Braga que nunca ninguém viu mas que se supõe que existe e sim tu é de ti que estou a falar...
Kid Creole & The Coconuts - I'm A Wonderful Thing Baby
Odeio as vuvuzelas! De repente alguém me disse que o mundo podia ser visto a 3 dimensões e que nem precisava de sair da sala ou da cozinha ou mesmo da casa de banho para o ver assim de forma tão profunda. Odeio mesmo as vuvuzelas! Como é que de repente sem que tivéssemos dado por isso o mundo ficou a 3 dimensões é um mistério com algum relevo e passado o trocadilho forçado parece que a explicação é antiga mas só agora depois do tal Avatar se percebeu que nos fazia mesmo falta dar outra dimensão à coisa. Mas é que odeio mesmo muito as vuvuzelas! Parece no entanto que não é apenas com os nossos bonitos olhos que podemos ver o mundo a 3 dimensões, serão necessários uns óculos polarizados que não se devem confundir com polaróides que são aquelas máquinas que tiram fotografias instantâneas sem serem telemóveis nem com polinizações que só serve para me fazer espirrar e besuntar o monitor com nhanha viscosa. Já vos disse que odeio as vuvuzelas? Para o mundo poder ser visto a 3 dimensões fará ainda falta uma televisão mais especial que aquela que tanto trabalho deu a convencer a dita que preferia ir de férias para Torremolinhos a comprar com a promessa que aquilo não ia parecer enorme na sala e que até seria mal os vizinhos já todos terem e agente não. Odeio as vuvuzelas tanto mas tanto que quando ouço uma até me arrepiam os pintelinhos da nuca. Aqui o escriba que para quem não sabe até ganha a vida com estas coisas tecnológicas e que devia estar caladinho e aplaudir que o mundo se queira ver agora a 3 dimensões, não consegue deixar de achar piada a imaginar a malta toda sentada na sala com ar de imbecil de óculos à José Cid escarrapachados no nariz a olhar para dentro de um aquário. Penso que já vos terei dito que odeio as vuvozelas! Sim, porque o efeito de uma televisão a 3 dimensões é muito parecido com o de olhar para dentro de um aquário, embora com a vantagem de que não é necessário dar de comer aos peixes nem limpar o verdete do vidro.
Agora gostaria de aproveitar a oportunidade e comunicar ao mundo que odeio as vuvuzelas e que sinto uma vontade enorme de as enfiar pelo cu acima a quem se atrever a tocar uma à minha frente e posso garantir que isso terá um efeito tridimensional que dispensará os óculos ou outro investimento mais avultado e aqui fica o aviso que quem avisa amigo é.
No vídeo abaixo, não foi maltratado nenhum animal e acima de tudo nenhuma vuvuzela foi tocada.
Aqui há dias surgiu-me uma epifania e este não é o nome esquisito de nenhuma miúda gira que me pediu amizade no facebook até porque eu ainda não tenho conta naquilo embora esteja sinceramente a pensar ter porque ao que parece a coisa tem interesse para lá de plantar batatas e assumi de uma vez por todas que não entendo, nunca irei entender e nem sei se quero mesmo entender as mulheres.
Pensava eu na minha ingenuidade de homem pouco vivido que o amor que uma mulher sente por um homem poderia morrer como morrem todos os bichos subitamente ou por doença prolongada ou todas as plantas por falta ou excesso de rega, mas não, o amor que uma mulher sente por um homem é eterno e quando supostamente ela diz a todas as amigas ou a quem tiver a paciência de a ouvir que acabou tudo, na realidade o que acontece é que o amor se transforma numa outra forma de amar, que a mulher confunde por vezes com ódio mas que continua a ser amor daquele que a leva a não pensar noutra coisa do que no ser amado ou a querer estar no mesmo espaço do ser amado e a não falar noutra coisa com as amigas do que do ser amado independentemente de falar mal e porcamente, não deixa de falar.
Um homem quando deixa de amar uma mulher ou vira desgraçadinho, alcoólico, toxicodependente ou cliente de psicanalista ou parte para outra e tenta compensar a falta de amar com excesso de sexo mas nunca, de forma alguma quer voltar a estar no mesmo espaço físico que a ex amada ou a contacta por tudo e por nada ou se penteia e veste umas calças novas e sapatos engraxados na esperança de a encontrar na paragem do autocarro. A mulher não, se amou ganhou o direito de ser chata de ser inoportuna de ser melga de ser doentia na obsessão de continuar a viver na orbita do ser amado.
Aquela história que conta que todas as mulher tem a capacidade de transformar um qualquer sapo num príncipe é uma das maiores fraudes que impingem às criancinhas logo desde pequeninas, porque a verdade diz exactamente o contrário, toda a mulher consegue com a maior das facilidades transformar o seu príncipe encantando que tanto amou num sapo desprezível e baboso e no entanto, embora o consiga trocar com supostas vantagens por um pepino cor de beterraba com a mais valia de ainda por cima não ressonar, nunca o deixa de amar nem que seja por pena ou por ódio.
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