“Um dos maiores erros da humanidade é passar tanto tempo em contagens decrescentes…”
Ora cá estamos em 2011, numa nova década e já maduros de vida neste século. Impõem-se neste dia fechar balanços, tomar resoluções e por entre dentadas em uvas encarquilhadas almejar feitos e factos. No que toca a este Blog, não se pode dizer que o ano que se encerrou tenha sido prolifero e sei que tenho estado ausente e antes de mais impõe-se um agradecimento aos que por aqui foram passando e até um pedido de desculpas por essa minha ausência que realmente se acentuou nas últimas semanas. Sem promessas nem ameaças irei ser mais regular e quem quiser por cá continuar a passar será bem vindo e se não for por pérolas de sabedoria ou literárias que seja por graça ou por amizade.
Ora cá estamos no Ano de 2011, que será sem dúvida um Ano difícil, um ano que se inicia com certezas de incerteza e que recomendo se gaste calmamente com a confiança que outros melhores ainda virão. No que me diz respeito e tendo sido 2010 um ano de transição, não me fiz novas promessas nem enviei às estrelas ou outros rebentamentos piscantes, desejos de coisas ou outras loisas, apenas vou procurar ser feliz e quando digo feliz não estou a falar daquela felicidade bacoca de superficialidade de falsas aparências que algumas pessoas acham que têm que continuamente anunciar ao Mundo, não, estou a falar da felicidade que se consegue na realização pessoal e no convívio com amigos e na partilha de pele com amantes.
Neste Ano de 2011 congratulo-me pelos que estão, Bem Hajam!
Desejo a todos que neste novo ciclo, nesta nova contagem nos consigamos melhorar.
Sinto que os meus dias se transformam com demasiada facilidade em semanas e depois em meses e ainda em anos. Passo demasiado tempo a ver o tempo passar e tenho falta desse tempo que me passa. Por muito que me esforce não consigo fazer parar o relógio, parar a contagem dos números que se sucedem, 1, 2 , 3, 60 e mais 1 e mais 2 e mais e mais. Não me sinto velho por ver o tempo passar mas sinto-me com menos tempo, apenas menos tempo para fazer tudo o que queria ainda fazer.
Tenho inveja daqueles que conseguem transformar o tempo em fatias de oportunidade para fazer o que decidem fazer, tenho inveja dos que não dão tempo à preguiça e ao ócio e à doçura de deixar a água escorrer por entre os dedos enquanto miram as rugas da cara no espelho. Tenho inveja daqueles que organizam a vida em momentos de fazer isto e aquilo e que não cedem à tentação de não fazer ou de fazer outra coisa qualquer. Tenho inveja dos que já fizeram e ainda tem tempo para fazer o que ainda não fiz e que já penso não ter tempo para fazer.
Amanheço com certezas de vontade e adormeço com vontade de certezas e no entretanto vou-me indo sem me ir ainda com a desculpa de que ainda há-de haver tempo para tudo e o tempo matreiro deixa-se escorregar devagarinho como uma sombra que desliza num lago pardacento ou como um fio de areia tão ínfimo que me parece apenas o dourado de um cabelo suspenso numa ampola. Já não espero que o tempo me perdoe, tenho consciência e dor da falta que ele me faz e da forma como o maltratei com a minha manha de não querer, de não me apetecer, de não saber como lhe pegar.
Eu às vezes sinto que a minha preguiça é mórbida, como um vicio que me enrola num torpor e é só mais um bocadinho que já lá vou e é só mais um bocadinho que já faço e é só mais um bocadinho que já começo e é só mais um bocadinho que já acabo e depois de repente já não há tempo para ir ou para fazer ou para começar ou para acabar, não há tempo paciência, mas soube tão bem não ir e não fazer e não ter que acabar o que não comecei e amanhã haverá outra vez tempo.
Que não me falte o tempo de não ter tempo para ter tempo de voltar a ter tempo outra vez e porque o tempo me estica e me encolhe nos maus e bons momentos e parece-me enorme enquanto me custa e ínfimo enquanto me agrada e a mim agrada-me a preguiça e custa-me a obrigação e sempre amanheço com certezas e adormeço com vontades e no entretanto escoou-se mais um fio e esgueirou-se mais uma sombra e o dourado vai ficando mais grisalho e o lago mais escuro porque o tempo teima em me querer cobrar a sua taxa que afinal pago em tempo com tempo.
Gostava que hoje fosse ainda ontem. Gostava que este frio Outonal fosse ainda uma brisa fresca de Verão. Gostava de voltar a ter aquele tempo que perdi por aqui e por ali e que perdi sem saber porquê, apenas porque sim. O tempo não espera por nós ou aprendemos a caminhar ao seu lado ou a correr atrás dele. Falta-me sobretudo tempo para transformar em palavras os meus dias que se vão passando em semanas e depois em meses e ainda em anos e mais que esse tempo que passou faltam-me as palavras que não ficaram, aquelas que deixei por escrever e as outras que perdi na memória da erosão do amanhecer. Não lamento o tempo que não tive, lamento o tempo que não fui capaz de ter e peço perdão às palavras que deixei perder, peço perdão por não lhes ter dado tempo, faltam palavras às minhas rugas, faltam palavras às minhas dores, faltam palavras aos meus júbilos, faltam palavras ao meu tempo.
Não sou especialista nem em economia nem politica, aliás, bem vistas as coisas tenho uma daquelas profissões chatas em que não somos especialistas em coisa nenhuma e quando parece que sabemos um bocadinho mais de qualquer coisa a coisa torna-se irrelevante. Embora não sendo especialista, sempre vou ouvindo aqui e ali que isto está muito mal e que somos um povo à beira do abismo a quem os governantes e orientadores diz que a única saída é apertar o cinto e seguir em frente. Sei que a piada é velha mas não encontro melhor alegoria que esta e até percebo que estando à beira do abismo tudo se resolva com um salto de fé desde que a altura me garanta que não haverá contas de hospital para pagar e que quem vier atrás pelo menos consiga arranjar um buraco para me enterrar porque eu não gostaria de ficar por aí a cheirar mal.
Na realidade não percebo nada de politica nem de economia nem de sociologia o que a bem dizer me habilita como bom Português a poder opinar sobre qualquer assunto em conversas de corredor, vizinhanças de máquinas de café e balneários sem ter receios de dizer asneiras. Por isso na minha humilde opinião sempre vos digo que acho que o Português se deixa cozer bem em lume brando e que não será por acaso que somos os inventores do banho Maria que como toda a gente sabe é a melhor forma de aquecer o arroz sem o esturricar ou o deixar agarrar à panela. É por isso que os nossos pastores nos conseguem tão facilmente levar a qualquer lado e a malta embora resmungando e com alguns arrebites esporádicos lá vai arrastando os pés e agora espanta-se por já não haver mais caminho em frente.
Outra das nossas características tão invejada pelos povos daqueles países mais sérios da Europa central é a nossa capacidade de sermos parvos com um enorme sentido de humor e ontem depois de ver os mineiros Chilenos saírem do buraco não faltou comediante nacional que não alvitrasse que o método se calhar com jeitinho podia ser ampliável de 33 indivíduos a 10 milhões de artolas e que qualquer dos mineiros daria um bom consultor de ministro em Portugal. Enfim dá para sorrir e a malta gosta mesmo é de rir e não sei se já repararam que é fácil encontrar na cara dos nossos idosos aquelas rugas que se abrem do nariz aos lábios, sinais do tempo e de tempos de muita galhofa.
Depois há aquela lei dos “F’s” que diz que ao Português para estar entretido e não chatear muito basta ter com fartura coisas começadas por “F” e claro que aqui virão os tais brincalhões danados para a brincadeira falar de Foder ou ser Fodido, mas não, eu estava mesmo era a pensar em Futebóis e Fátima e Folhetins que a moda do Fado já passou e dirão os teóricos conspirativos que não é por acaso que agora com a grande crise instalada e o anuncio do orçamento para 2011 se reinventou o “grande irmão” ou que a selecção se deixou atrasar para depois se contratar um salvador com tranquilidade e risco ao meio ou que ontem foi dia 13 aqui e na Cova da Iria…
Sinto que há demasiado tempo não me transcrevo neste diário. Sinto falta da catarse de deixar as palavras reflectirem o meu sentir, deixar os verbos desmascararem a minha raiva, deixar as virgulas assinalarem as minhas dúvidas, deixar-me escorrer por entre o que escrevo.
Sinto que há demasiado tempo ando a adiar o amanhã e a continuar a lamentar o ontem enquanto hoje ainda me perco e se calhar por isso ou por outra razão qualquer estou a caminhar por entre árvores espaçadas e terra batida. O dia está solarengo e a pedir uma sombra e procuro-a sobre um banco de madeira maltratada pelos anos e por muitos que o usaram para muitas coisas. Os veios estão abertos como gretas e cruzados aqui e ali por riscos incertos de pontas arrastadas de navalhas e bicos de pregos, reconheço esboços de corações atravessados por setas e promessas de amor eterno. Gosto do árido das tábuas e verifico que a ferrugem cristalizou nas ferragens e não me suja as mãos.
Sinto que há demasiado tempo não me preocupo com o que sinto ou que sinto que devia de me preocupar com o que não sinto e acabo por encolher os ombros e deixar acabar mais um dia com a certeza que amanhã virá outro e que há sempre tempo para tudo desde que o queiramos verdadeiramente mas eu sei que o tempo tem os dias contados e bem contados. Admiro o banco onde estou sentado e a capacidade que teve de envelhecer desempenhando o seu papel. Admiro ou talvez inveje o que já testemunhou e a sorte de ser um objecto inerte livre de sentir colocado num local onde o vento sopra e a chuva cai e o Sol brilha ou se esconde atrás das nuvens e onde se cheira a relva e as folhas caem e de ser útil sem questionar a razão de o ser ou querer ainda ser mais que apenas útil.
Sinto que há demasiado tempo ainda para me sentar neste banco mas que é demasiadamente pouco para o que quero que me falte e entre o que me falta e o tempo que me resta há uma disputa e eu estou sentado neste banco a assistir sem querer tomar partido. Vejo lá em baixo uma velha dar de comer aos pombos. Penso que já uma vez escrevi que não gosto de pombos. Não reconheço utilidade aos pombos e acho que a única coisa que os pombos fazem é comer e cagar e entre as duas foder e reproduzir-se como ratos. Costumo dizer que os pombos são como ratos com asas e se acreditasse em Deus nas minhas preces perguntaria: Diz-me Deus porque criaste os pombos? Acho que se acreditasse em Deus e lhe fizesse esta pergunta iria ter uma resposta, posso ter dúvidas na existência de Deus mas não tenho nenhuma dúvida que se perguntasse para que é que servem a merda dos pombos ele me diria e de forma a que eu iria perceber e entender. Se calhar aquela velha que está a dar de comer aos pombos, acredita em Deus e um dia perguntou-lhe e agora que já sabe para que é que servem a merda dos pombos, passa todos os dias por aqui com pão que esfarela para os alimentar para que possam comer e cagar e entre as duas foder e ainda cumprir o desígnio de Deus.
Sinto que há demasiado tempo que estou aqui sentado neste banco a ver uma velha a cumprir os desígnios de Deus e pergunto-me se quando ela se dirigiu a Deus e lhe perguntou para que é que serviam os pombos se não estaria aqui sentada neste mesmo banco e se não estou a perder a oportunidade de também eu encontrar a minha resposta. Parece-me fácil acreditar, mais fácil que continuar a duvidar que não há razões para a existência dos pombos e que os problemas existencialistas dos homens se podem resolver percebendo que há sempre uma razão para além de comer, cagar e entretanto foder, basta acreditar.
Jethro Tull - Too Old To Rocknroll Too Young To Die
Parece que já não vale muito a pena falar das vuvuzelas por isso vou continuar a falar no Facebook e não me venham dizer que fiquei viciado na coisa porque é mentira, só lá vou sempre que posso e os rumores de que me levanto a meio da noite para fumar um cigarro e ver se tenho comentários são calunias, eu só não deixo de fumar porque não quero, tiro prazer da coisa e tenho uma certeza inabalável de que não irei morrer disso. Tenho que confessar que antes de ter entrado neste admirável mundo de amizades, convívio e galhofa e quiçá fruto da minha ingenuidade e juventude, pensava que o Facebook não era mais que uma espécie de clube tuperware para troca de mimos sobre futilidades e claro havia apenas o tal famoso farmville que entretinha a malta.
Quando me comecei a amigalhar, palavra que ao contrário de mudasti merece entrar no léxico nacional, primeiro porque faz sentido e é fácil de conjugar, eu amigalho-me, tu amigalhas-te, ele amigalha-se, nós amigalhamo-nos, vós amigalhai-vos, eles amigalham-se e por aí fora e segundo porque não faz publicidade a nenhuma beberragem açucarada de utilidade duvidosa, logo percebi que o Facebook era muito mais do que eu podia imaginar ou sonhar. De repente o meu espaço começou a ser invadido por ofertas de pedidos ou pedidos de ofertas de coisas fantásticas, assombrosas, mirabolantes plenas de graça imaginação e fantasia. Havia Ilhas e fronteiras e gangsters e máfias e parques de diversão e bolinhas de sabão e abraços e beijinhos e flores e questionários de tudo e algo mais e o primeiro conselho que me deram quando me olharam no olhos e me viram em pânico a tremer a olhar para aquilo tudo foi: Elimina.
E aprendi aos poucos a eliminar. Sempre que me aparecia algo estranho, pimbas eliminava e já não me aparecia mais. Esta capacidade que o Facebook nos oferece de eliminar o que nos desagrada é o que mais me agrada no sistema porque não se fica apenas pelas jigajogas e traquitanas, mas pode ser estendido a pessoas. Sim perceberam bem o Facebook permite ao comum dos mortais eliminar pessoas e tanto quanto sei continuando a passar pela casa partida sem ter que ir parar à prisão.
Por isso meus amigos façam como eu, se sabem daquela pessoa chata cuja infelicidade vos bateu à porta no dia em que a conheceram e que teima em vos lembrar que ainda mexe e que mantém intacto o talento de debitar disparates mais rapidamente que a vossa vontade de verem se têm comentários novos ou que insiste em divulgar testes que atestam a sua imbecilidade ou que dizem que ela é o supra sumo da batata ou que explicam que grande amante ou beijoqueira se tornou quando vocês até sabem que o xarroco de olhos esbugalhados esquecido há dias na banca da peixeira e que a ASAE se o apanha leva para parte incerta, beija infinitamente melhor, eliminem.
Eliminar no Facebook é gratuito, a pessoa eliminada desaparece, nunca mais a vêm e ainda tem a vantagem de que ela também não vos consegue ver. Do ponto de vista virtual é quase tão bom como voltar atrás no tempo e nunca ter saído de casa naquele dia fatídico…
Embora continue a odiar as vuvuzelas, de repente deixei de as ouvir, ainda não percebi porquê e se calhar esta sensação que tenho tido ultimamente e que não consigo explicar, são saudades ou então não devia ter comido aquelas coisas estranhas no restaurante Japonês. Hoje retorno ao Facebook, não como neófito mas quase veterano na coisa. Os amigos já não aparecem como cogumelos em casca de árvore húmida mas ainda vão aparecendo e os que não via há uma carrada de anos, estão quase todos mais velhos e menos gordos do que eu os imaginaria, o que me faz mirar-me compulsivamente de perfil no espelho grande lá de casa. Continuo a não conseguir encontrar o Zé Carlos ou o António ou o Samuel ou o Victor que nem me lembro se não era só Vítor, porque o raio da coisa não me permite pôr como opção de busca que procuro a malta lá da escola e os outros com quem jogava ao berlinde e isso deixa-me chateado e com vontade de enviar uma reclamação a alguém e se alguém sabe a quem por favor diga.
Com certeza que estão à espera que fale do Farmville e eu não vos vou desapontar, vou mesmo falar no farmville. Para começar escusam de me enviar porcos e vacas malhadas e pedidos do que for porque bloqueei a coisa e não pertenço ao grupo dos que não jogam farmville porque sou do grupo dos que não alinham em grupos, aliás estão todos convidados para se juntarem a este grupo, é à borla e não se paga nada e todas as sextas-feiras são vésperas de Sábado, para mais informações podem ir por aqui e se o link não funcionar, paciência procurem naquela coisa que permite procurar coisas que de certeza que encontram.
Acho o fenómeno do farmville algo fascinante porque promove comportamentos que são totalmente contrários aos que temos na vida real como por exemplo o conceito da boa vizinhança. Quantos de vós que habitam não importa se numa colmeia de apartamentos ou na quinta fileira a contar da esquerda, logo a seguir à rotunda da bomba de gasolina numa vivenda geminada, conhecem ou querem mesmo conhecer os vossos vizinhos todos? Mais ainda trocar favores com eles? Tu dás-me uma saca de batatas e eu raspo-te o portão, dou betume e primário cinzento e pinto depois de verde ou então tu dás-me três galinhas, um pato e um ovo de choco e eu dou-te um unicórnio já habituado a coabitar com as zebras. É mesmo fantástico que pessoas que nunca imaginariam enterrar as unhas no esterco tomem diligencias na horta e que façam colheitas e as armazenem e negoceiem os frutos do seu trabalho. Mais ainda é o conceito associado à organização, porque nas quintas que tenho visto está tudo muito bem alinhadinho e amanhado. Malta que nem a cama faz e que é incapaz de saber onde raios se arruma o tacho ou onde está o piaçaba que já procurou pela casa toda e nem se lembra de ver atrás da sanita, ali é um primor burocrático.
Por outro lado acho mal que não se permita aos jogadores desenharem a sua própria flora ou fauna, nisso eu era capaz de alinhar e nem pensem que me punha a criar substancias ilícitas derivadas do cannabis ou a plantar papoilas roxas, nada disso, o que eu gostava era mesmo de me meter nos transgénicos à força toda e misturar repolhos com lentilhas e marmelos com uma daquelas frutas esquisitas que às vezes aparecem nos hipermercados e que não sabemos o que é mas compramos para experimentar e depois aquilo sabe muito mal, porque na realidade acabamos por comer a parte que era para deitar no lixo e deitamos no lixo a parte que era para comer. Também gostava de criar bichos novos, pôr cá para fora a minha faceta de Deus porque continuo a achar que até tinha jeito para isso…
Esta Lua que se me enche não me faz crescer pêlo ou presa ou uivo ou sede rubra. Esta Lua que se me enche desperta-me a vontade do esquecer e da nudez e do suor e da paixão e de ser e de ti. Esta Lua que se me enche preenche-me.
Quero a minha Lua cheia a dançar num reflexo de mar sereno neste calor que estende o dia na noite. Quero o cálido pálido dos seus raios a brilhar-te nos olhos e no cabelo e na gota de suor que te escorre dos seios. Quero o seu baptismo num beijo e a sua maldição num orgasmo. Quero a minha Lua cheia bem cheia do teu cheiro em contraste com o moreno da cor da pele que se estende suave dos teus ombros. Quero cobrir-te do seu brilho com a minha sombra.
Esta Lua que se me enche saúdo-a com silencio na partilha de um abraço e com canção na partilha de um espaço. Entre ritmos na contraluz e travo de ébrio ligeiro rodopiamos na simula de um tango e desejos de outra latitude. Esta Lua que se me enche e preenche e me fascina e te aproxima e nos renova na promessa de um novo ciclo plenos de Lua.
Que aqueles que por aqui têm passado me perdoem a ausência. Tempos complicados de mudança, tempos quentes de bonança, tempos tristes de paciência. Estou a dar tempo ao tempo para que o tempo certo chegue.
Quero voltar de forma regular com vontade e criatividade e já não falta agora muito. Preciso de escrita e de justiça, a primeira virá já nas próximas semanas, a segunda em Setembro com o final do Verão, ambas me libertarão de fardos.
Por enquanto vou estando com os amigos que se juntaram a mim no Facebook e com os amigos do costume por aqui: >>-<<
Ainda odeio as vuvuzelas! E depois desta surpreendente declaração de sentimento gostaria de anunciar que no final fui fraco e acabei por ceder às insistentes campanhas de arregimentação que vários dos ilustres visitantes deste blog me moveram e fiz-me parte daquela coisa que dá pelo nome de Facebook.
Olho-me agora de forma diferente ao espelho, mas se calhar é porque com esta idade ainda consigo ter efervescências borbulhosas no nariz o que não deixando de ser notável se nota porque fica tudo vermelho com uma cabecinha esbranquiçada daquelas que dá vontade de espremer. Por outro lado e regressando ao Facebook com ajuda e até um bocado empurrado criei a conta no meu nome impróprio que muitos sabem uso legitimamente com propriedade e desatei-me a fazer amigos e ao fim de dois dias já tinha mais de trinta o que me deixou contente e orgulhoso porque descobri que além de conseguir descobrir trinta otários que me querem como amigo ainda por cima me deixam coscuvilhar pormenores da sua vida intima.
Pois tenho que dar o braço a torcer só um bocadinho senão dói muito que aquilo até é giro e é um sitio onde há mulheres boas ou melhor dizendo que eu gosto de parecer espiritual, boas mulheres. Por outro lado fiquei um bocado decepcionado porque toda a gente me dizia que ia conseguir rever a malta toda que tinha andado comigo na creche e na pré-primária e fartar-me de gozar porque está tudo velho e gordo e afinal não encontro ninguém. Das duas uma ou o pessoal do meu tempo tem todo mais juízo que eu e dedica-se a coisas mais interessantes como por exemplo outra coisa qualquer ou então um dos 6723 indígenas que me aparecem na lista é mesmo o Zé Carlos e eu não lhe consigo reconhecer o nariz.
Agora o que me parece mesmo deprimente é os grupos… Muito gostamos nós de molhadas e quanto maiores melhores. Mas mau mesmo são os grupos revivalistas que querem fazer recordar quão jovens e tótós éramos todos os que nos juntávamos no tal café que tinha o tal empregado que era meio coxo e que se calhar até já morreu ou então é bem velhote e depois aparece sempre o iluminado que diz que não que ainda na semana passada o viu no supermercado a comprar um pacote de flocos e um queijo fresco e que até estava fino. Depois claro vêem as fotos carcomidas ou com aquelas cores estranhas dos setentas ou dos oitentas e vai de comentar com os olhó e olhá e às vezes até se deixam escapar aquelas coisas que até nem dão jeito que toda a gente fique agora a saber depois de tantos anos a tentar esquecer.
Mas pronto estou no facebook mas continuo a odiar as Vuvuzelas.
Nota do autor: Aquilo lá no Facebook funciona um pouco como um apêndice deste blog e um apêndice para quem não sabe e eu descobri muito recentemente por más razões é algo que ou não serve para nada ou ainda não se sabe para o que é que serve. A diferença é que lá é assim a modos como um lugarzinho com direito de admissão onde o bar está sempre aberto e todos sabem o nosso nome e é verdade que sendo um lugar comum não deixa de ser verdade. Assim quem se quiser amigalhar por lá pode sempre aparecer mas desde já aviso que só serão aceites pessoas reais ou que consigam provar que o são e neste caso a única excepção é aquela menina de Braga que nunca ninguém viu mas que se supõe que existe e sim tu é de ti que estou a falar...
Kid Creole & The Coconuts - I'm A Wonderful Thing Baby
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