quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quadrilogia de Espécie (Amor, Namoro, Paixão e Tango).

Um problema complexo pode ser resolvido por decomposição de partes, assim se analisarmos a evolução do ser animal ou por amostragem minimal , a raça humana e simplificarmos a equação aos factores de significado, chegamos a quatro estágios de comportamento que marcam o relacionamento, num instante determinado, entre dois ou mais indivíduos, que podem ou não pertencer ao mesmo sexo.


O Amor à semelhança de Deus, procura explicar o tudo, o nada e os porquês. É um engodo para a continuidade ou o que se tenta que sobre do erro, saliva de poeta, condimento indistinto e aquela cor que não se consegue definir como verde ou azulada.

Apontado por muitos como a suprema fraude, subsiste por preconceitos e necessidade de objectivo ou fuga à teoria do caos. Provar a inexistência do Amor seria fácil para os matemáticos, projectável para os arquitectos e contranatura para os artistas, no entanto tal feito, é e sempre será um acto tabu, alvo de inquisição e tortura.

Dizem-nos que sem Amor, somos incompletos, conchas vazias, seres pobres de significado, salões de baile abandonados aos restos da festa. Somos empurrados a buscar o Amor como estado ejaculatório permanente ou partilha de sensações de excelência. Assim consegue a natureza ou os obscuros illuminati manter controlada a espécie.

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Mika-Love Today

O estado de namoro, pode ocorrer em qualquer altura do relacionamento. Caracterizado por actos de cedência e compreensão, pode ser confundido por leigos com qualquer dos outros estágios. Instintos e deficiências genéticas primitivas impedem este estado de se prolongar de forma natural.

Pode ser suave como o cabelo que nos roça na face ou doce como os lábios dum primeiro beijo, belo como a flor perfeita ou quente como um corpo que nos toca. Estado sensorial por natureza pode provocar tonturas, carinho, despesa e simples felicidade apenas pela existência do outro.

Num sistema ideal, que procurasse o equilíbrio da autosustentação da espécie, este estado manter-se-ia como permanente. Tal situação será sempre condenável, pelo grupo social, como um acto imaturo, imoral e flagrante atentado aos bons costumes.

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Fausto-Namoro

A Paixão pode ser um momento ou valer uma vida. Verdadeiro motor do desenvolvimento é a razão pela qual tudo vale a pena. É a dependência que se devora, a luz que nos cega e a fome que se sustenta.

A Paixão é o sentimento real, o estado mais natural do ser, classificada como acto de loucura pelo medo, castrada pela incompreensão e censurada pela sociedade como a renegação à sagrada família. Se aplicada à interacção física na relação da espécie, pode transfigurar-se sobre a forma de sexo não reprodutivo e condenável à figura divina ou àqueles que a representam de forma legitima ou por pretensão.

Na realidade sem a Paixão nada seria, apenas a nulidade e o vazio restariam no arrastar do caminho até à morte, sem invento nem graça cor ou sabor. Aquele que vive a Paixão da Paixão, alimenta-se por motivação pessoal e será necessariamente perseguido como um elemento perigoso e maligno.

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Rita Lee-Amor e Sexo

O Tango é um acto subversivo criado algures num dia de Dezembro, num lugar escurecido por luz vermelha, num bar em Buenos Aires onde um par de corpos se celebrou por entre odores de suor partilhado e ritmo de dança.

O Ele que desafia altivo, a Ela que desafia sedutora, num código próprio de movimentos que desafiam a lei do correcto e da moral. Vestido rubro e fato cintado, separados apenas por uma rosa escarlate como a Paixão, num rodopio como um Namoro e numa troca de olhares tradutora do verdadeiro Amor.

A espécie aceita a existência do Tango, como prova que poderemos ser livres de expressarmos a Paixão, acreditar no Namoro eterno ou até ambicionar o Amor, mas esta irrealidade dura o tempo de uma musica, de um cansaço, de uma raiva ou simples angustia.


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Rodrigo Leão and Lula Pena-Pasión

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