Mostrar mensagens com a etiqueta Trilogia dos passarinhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trilogia dos passarinhos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O segundo na trilogia dos passarinhos

Joãozinho Beija-flor era um homem bonito. Sempre o tinha sido. Desde muito pequenino que aqueles olhinhos brilhantes o narizinho arrebitado e um sorrisinho sacaninha eram as delicias das tias e das vizinhas o que o fazia andar sempre com as bochechas encarniçadas dos beliscões e que contribuía para lhe aumentar ainda mais o seu encanto.

Ainda os outro putos da sua idade se entretinham a jogar aos berlindes e às caricas, já o Joãozinho enfiava as mãozinhas pelas saias acima das moçoilas lá da rua, que se riam com as cócegas e ficavam muito admiradas quando lhes mostrava orgulhosamente a dimensão do seu orgulho e muitas foram as que acabaram vitimas das novas brincadeiras que teimava em lhes ensinar, sobre o que podiam fazer com aquilo.

Quando se fez adulto, tinha já uma reputação de fazer inveja a qualquer dos galifões do bairro e era olhado de lado quer pelas mulheres que só não o papavam se não pudessem, quer pelos homens que até o papavam se o apanhassem a prevaricar com a sua legitima. A coisa começou a ficar perigosa e o Joãozinho que era mais de amores que de rancores, decidiu que estava na hora de fazer as malas e pirou-se para a grande cidade.

Agora punha-se um problema, é que o Joãozinho, tinha dedicado tanto tempo com as mulheres que não tinha sobrado para estudos, nem para aprender oficio e faltando-lhe os confortos da casa materna, tinha que arranjar uma forma de ganhar a vida, alem de tudo era calão, gostava de se apresentar bem vestido e penteado e os empregos que lhe apareciam não eram compatíveis com aquilo que ambicionava na vida.

Não foi necessário pensar muito para descobrir como capitalizar as suas capacidades de atracção ao sexo oposto e depois de ver um filme sobre o assunto, fez-se gigolô.

(To be continued)


Caetano Veloso-Fina Estampa

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O meu 13º post ou o primeiro na trilogia dos passarinhos.

(Supersticioso eu? Ná, é mesmo falta de imaginação.)

Ora o Sebastião Pintassilgo, era um cabrão com azar. Atenção que quando me refiro a ser cabrão, não estou a querer dizer que era um gajo teso ou arrevesado, não, era cabrão mesmo, bem assessorado por uma mulher cheiinha de carnes e danada para a brincadeira com homens alheios.


Por se saber azarado, era um homem cuidadoso, fugia a sete pés dos gatos, borrava-se todo se fossem pretos e nunca se sentava em transportes públicos no lugar 13 nem passava debaixo de escadas, fechava o chapéu de chuva antes de entrar em casa, nada de agarrar em espelhos, não fosse a coisa escorregar-lhe da mão e tinha a estranha crença de que se sacudisse o utensílio cinco vezes, cada vez que mijava, nunca lhe iria faltar a tesão.


Um dia o cabrão do Pintassilgo, descobriu que o era. Como em todas as histórias deste género, chegou a casa mais cedo do que o habitual sem ter o cuidado de avisar, para que é que te serve a merda do telemóvel se não o usas quando faz falta e ouviu gemidos e risinhos galhofeiros vindos do quarto. Como já andava desconfiado e tinha alguma cagufa, aproximou-se sorrateiro da porta e espreitou agachado para dentro do quarto. Lá dentro, na cama estava a sua mulher, tipo morcela luzidia em cima de um tipo magríssimo de barba pintelhuda que ele reconheceu imediatamente como o filho-da-puta da mulher do dono do quiosque da esquina, onde todas as sextas feiras punha o euromilhões. O povo sabe que para fazer uma boa morcela, há que encher a tripa logo no dia da matança e têm que ser o primeiro enchido a ir para o fumeiro e foi isso da matança de lhe abrir a tripa e de a pôr ao fumeiro que lhe passou ali pela cabeça, mas lembrou-se que não era propriamente um homem de sorte e achou melhor ir embora devagarinho e pensar melhor no assunto.

(To be continued)



Stevie Wonder and Stevie Ray Vaughan-Superstition