sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A importância de ser honesto ou o meu auto-retrato de Dorian Gray.

Hoje queria modestamente e de forma simples falar de genialidade, a qualidade ou infelicidade que mais admiro e lastimo que como atributo de destino, ou por pura sorte tenha calhado a alguém.

Pelo titulo e direcção da conversa, facilmente se percebe que estou a pensar como exemplo em Oscar Wilde, que além de Irlandês e assumidamente Gay, era irremediável e lamentavelmente um génio. Atenção, não tenho nenhum preconceito relacionado com as preferências sexuais do rapaz, que coitado até teve de casar e deixar descendência, como ordenavam as elementares regras sociais da época. Já no que diz respeito a ser Irlandês, que a terra de Beckett, Scott Fitzgerald, Thomas Moore, James Joyce, Bram Stoker, Daniel Day-Lewis e dos Clannad,Corrs, Cranberries, Pogues, U2, Virgin Prunes e Waterboys tenha ainda na sua história um Oscar Wilde e um Arthur Guinness, que para quem não sabe fazia cerveja, já me parece ser injusto.

O Oscar, que não levará a mal que o trate na primeira pessoa, estarei perdoado pela minha admiração e inveja, disse um dia a alguém que existiam apenas dois tipos de pessoas verdadeiramente fascinantes, aqueles que sabiam absolutamente tudo e os que não sabiam absolutamente nada. Ora estando eu, necessariamente mais perto do segundo grupo, posso atrever-me , escudar-me na minha ingenuidade e forma simples de olhar o mundo, a ambicionar a pintar o meu próprio retrato, qual Dorian Gray moderno e esperar que o tempo me preserve das rugas e esconda os meus pecados.

Pois, sem vergonha, continuo a roubar a obra do génio, na comedia de pequenos equívocos que é a vida, assumo a importância de ser honesto como contraponto de ser sério ou sincero, que a língua Portuguesa, não facilita o trocadilho nem ajuda não me chamar Ernesto (Earnest) e assumir que este Blog é o meu retrato de Dorian Gray, onde serei para sempre eterno, anónimo na minha loucura e livre.

video
Bronski Beat and Marc Almond-I Feel Love

5 comentários:

Ana Teresa disse...

Olá LBJ,

Estranhamente, no entanto, Dorian dispôs-se a trocar a alma pelo seu magnífico em estático e essa, segundo desvendo, vai-te sendo plasticisada e aguerridamente não condenada a ser vendida em saldo.

Mas entendo bem a vertigem de nos prepétuarmos no que imaginamos ser um outro sublime de nós. Uma espécie de mundo paralelo onde a realidade é mais esculpida, ou esbatida a pincel. Reencontros com os outros "eus" que convivem sem coexistir num "aqui".

Há um quadro de um mestre italiano, Caravaggio, que pintou Narciso. É fabuloso o que se desprende de dramatismo e tentação nessa obra. Em contraponto, Narciso amava-se até se afogar nessa paixão. Esse, finou-se jovem e belo.

A arte traz-nos umas morais tão tenebrosas que deviam ter "parental advisories".

Uma noite serena para ti.

LBJ disse...

Ana,

Engraçada a diferente forma como hoje vejo este blog. Sim, continua a ser o meu retrato de Dorian Gray mas que agora quero que se aproxime mais de mim, daquele que ainda não sou mas que um dia serei.

O narciso de Caravaggio prostra-se no chão a admirar a sua própria imagem, deixa de amar e admirar o que o rodeia porque só ele importa e podemos nos interrogar o que levou o artista a pintá-lo e se mudou de ideias com o passar do tempo.

Uma serena noite para ti :)

Beijos

Ana Teresa disse...

Boa questão para o defunto, mas dada a época e o seu histórico, imagino que não... :-)

Quanto às mudanças, perdoa-me agora que, percebo, te trouxe para um passado que talvez nem tanto gostarias de estar a recuperar. Falta de sensibilidade a minha, quanto te puxei bruta para os contrastes. Mea culpa.

Obrigada por me teres lido e respondido

Um beijo.

LBJ disse...

Ana,

Não tens nada que me pedires desculpa nem me causa qualquer desconforto, antes pelo contrário foi bom reler estes textos e pensar no que se modificou entretanto :)

Beijos

Anónimo disse...

Aprendi muito