Gosto de me transvestir de negro, deixar que a seda de um casaco de penas me cubra o corpo, de abrir as asas e sentir o vento e esconder-me por entre o contraste do verde e observar e de vez em quando soprar os meus ressentimentos de ser mais o que sou do que aquilo que não serei.
Sentados no banco, de traves de madeira maltratadas pelo tempo, um casal de apaixonados troca olhares e promessas de eternidades e outras banalidades fúteis.
O rapaz de olhos ambiciosos e mãos aventureiras – Gosto mais de ti do que alguma vez gostei de alguém, isto tem que ser o amor! – A palavra basilar de qualquer linguagem, usada com mestria é chave para todas as portas abrir , usada com sabedoria é química para transmutar qualquer vontade.
A rapariga de olhos expectantes e mãos perdidas – Tu dizes isso a todas, sabes que eu quando não estou contigo é como se faltasse uma parte de mim, adormeço a pensar em ti, sonho contigo e a primeira coisa que me vêm à cabeça quando acordo é o teu rosto, isso é que é amor! – A palavra trivial de qualquer linguagem, usada com naturalidade é porta para todas as chaves abrir, usada com normalidade é vontade para transmutar qualquer química.
O rapaz – Sabes que não, eu desde que te conheci que me sinto a flutuar nas asas do desejo – Poesia de cordel inspirada em títulos de filmes noir, sempre eficiente.
A rapariga – O que tu desejas é o meu corpo, poderes saciar a tua tesão – Poesia de fusão inspirada em títulos de filmes porno, sempre eficiente.
O rapaz – Sabes que não, eu apenas quero poder estar contigo, assim sentir o teu cheiro, a tua presença. – construção de pontes…
A rapariga – Então porque é que insistes em pedir-me mais do que te posso dar? – Implementação de portagens…
O – Sabes que não, apenas não consigo deixar de te querer, de te ter completa, minha, queria sentir-me uma parte de ti – Alargamento de faixas…
A – Mas eu não estou preparada, não sei se alguma vez estarei, temos tempo - Restrições à circulação…
O – Mas eu não sei se assim consigo aguentar. – Prelúdio…
A – Talvez seja melhor então acabarmos. - Tocata e fuga…
O – Não porque eu amo-te. – Afirmação e negação.
A – Sim porque eu amo-te. – Negação e afirmação.
I remembered my friend Willy when he asked me, what was the best way to understand love and whispered in the wind: Just dance…
Lady Gaga-Just Dance