sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Arte Sequencial

Will Eisner tornou séria a arte de contar uma história através de imagens. Nenhum autor de ”banda desenhada” como é conhecida na Europa ou “Comics” se estivermos nos Estados Unidos, é mais respeitado que ele , tanto que até os prémios que consagram anualmente os melhores autores e obras, têm o seu nome. Os Eisner foram criados em 1988 e são atribuídos às várias categorias que caracterizam esta arte.
Inventou o conceito da novela gráfica e tornou-a num objecto de estudo académico através da sua obra “Comics and Sequential Art”.

Will Eisner morreu em 2004 e era um Judeu convicto, as suas duas ultimas obras, uma delas já publicada depois da sua morte, procuram demonstrar a existência de preconceitos anti-semitas, sendo que em “Fagin o Judeu” recupera o personagem de “Oliver Twist” de Dickens evidenciando as suas motivações e o seu lado humano contrariando a imagem retratada por Dickens e em “A Conspiração, a História Secreta dos Protocolos dos Sábios de Sião” é explicada e demonstrada uma das fraudes mais negras da história da humanidade e que serviu de base doutrinal a Hitler para justificar o holocausto dos Judeus durante a segunda Guerra Mundial.

A sua obra mais conhecida é “The Spirit” e foi com ela que cresci na minha paixão a esta arte. Histórias curtas de 7 ou 8 páginas onde o autor rompe com todas as fronteiras gráficas e onde acima de tudo se retratam personagens vulgares, pessoas, objectos e lugares perturbadoramente comuns. Estas pequenas histórias desenvolvem-se num ritmo próprio, sem que nos aperceba-mos do seu desenlace até que somos surpreendidos pela sua moral, muitas vezes tão simples e amarga.
Se Eisner procurou retratar o homem comum, não nos conseguiu esconder o seu fascínio pelas mulheres e desenhou-as belas, fatais, doces, atraentes, ingénuas e perigosas. Confesso a facilidade com que me apaixonaria por Sand Saref, P’Gel ou Silk Satin.

Este ano The Spirit chega ao cinema e pela mão de outro mestre na arte sequencial, Frank Miller mas sei que esta minha ansiedade de ver o filme se vai transformar na decepção de constatar a impossibilidade de reescrever na tela a magia de uma obra-prima.


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The Spirit Trailler by Frank Miller

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