sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O Privilégio do Disparate – (IN)Mundanismos [3] – É Natal… É Natal…


Na terra onde nasci e onde cresci e por onde fui ficando, havia um ceguinho que se profissionalizou na arte de pedir esmola, homem visionário que se antecipou no tempo e que viu antes de todo um povo que o nosso futuro estava em estender a mão. Todo o santo dia este homem, ocupava o seu local de trabalho na rua principal e oscilando o corpo numa performance muito treinada lá ia cantando a sua ladainha e recolhendo as moedinhas das boas almas ou clientes habituais que por ali iam passando. Dizem as más-línguas que quando morreu descobriram em sua casa uma pequena fortuna em dinheiro e relativamente a esse facto eu apenas comento que antes isso que a ter aplicado toda no BPN e o que me importa é que quando chegava a esta altura do ano o ceguinho mudava a sua ladainha costumeira e dizia de 10 em 10 segundos: É Natal… É Natal…

Muito se fala sobre o Natal sobretudo nesta época do Natal e muitos o exortam e outros não podem passar sem ele e também há aqueles que o odeiam e os que o usam para criticar a hipocrisia da humanidade e os outros como eu que pensaram usá-lo para se lamentar das desgraças e auto flagelar-me mas depois comi meia dúzia de navalheiras e bebi um par de coronas e para respeitar a tradição ainda uma fatia de bolo rei, na realidade comi duas e passou-me a neura. Assim este texto que era para ter começado com um chove lá fora porque o céu chora por aqueles a quem lhes falta no Natal, sobre o efeito das Coronas, que para quem não sabe é a melhor cerveja do mundo e que deve se ser bebida pela garrafa com um gomo de lima enfiado no gargalo e eu não tinha e usei limão o que não é a mesma coisa, foi transformado numa outra coisa mais alegre e aconchegante e a realidade é que chove lá fora apenas porque estamos no Inverno.

Pois é Natal. Este ano o povo na sua infinita sabedoria e naquela nossa mania de copiar tudo o que vem de Espanha decidiu abandonar o Pai Natal da Coca-Cola pendurado numa corda à janela e voltar à devoção ao Menino Jesus o que claro me alegrou bastante porque este blog estava a precisar de ser divulgado e toda a publicidade é bem vinda mesmo a má publicidade e má publicidade porque há que admitir que as imagens que se penduram por todo o lado são mesmo muito feias e que a malta se esquece que o J. Cristo era filho de gente vulgar e não da Angelina Jolie e do Brad Pitt e que a probabilidade de ter a testa enrugada e o nariz torto será grande.

Não quero ser mal interpretado e olhado com um bicho esverdeado nem visitado por fantasmas, nada tenho contra o Natal e muito me alegra a alegria dos outros e este texto apenas pretende dar algumas pistas para o desvendar do mistério do Natal que tanto inspira e faz transpirar e com sinceridade e não tendo o tempo nem a disposição de visitar todas as casas reais ou virtuais de quem gosto e a quem quero bem a desejar um bom Natal ou votos pré-formatados, venho expressar a todos aqueles que por aqui tem a coragem de passar o desejo de que este Natal vos traga por motivações positivas, negativas ou de indiferença, vontade de viver e de ser melhor, não porque é Natal mas porque descobriram que a vida vale a pena ser vivida e sempre se pode melhorar.


The Pogues and Kirsty MacColl - Fairytale of New York


(Kirsty MacColl foi morta num acidente de barco num mês de Dezembro poucos dias antes do Natal, morreu ao salvar o filho. Quem a matou foi julgado como homicida e condenado a pagar uma multa de €50… A justiça divina deveria substituir a dos homens sempre que aplicável, mas ainda não era Natal.)

7 comentários:

Storyteller disse...

Antes de mais... FELIZ NATAL!!! (Nota: o uso da caixa alta foi propositado)

Em segundo lugar... que inveja! Ontem estava mesmo a apetecer-me uma Corona (mas com lima, que eu cá não me deixo enganar com o aspecto luzidio e perfumante do limão), mas tive de me contentar com uma lata de Ginger Ale da Schweppes (ok, é publicidade, mas tal como a Corona é a melhor cerveja do Mundo, o Ginger Ale da Schweppes é o meulhor ginger ale do Mundo), bebido por uma palhinha. É que isto de passar o Natal com duas crianças pequenas (abstémias, dada a condição da idade) e duas crianças grandes (uma beata e um portador de pacemaker, logo abstémios) não cria condições para se beber nada com teor alcoólico superior a 0,000001%.

Em terceiro lugar... o Natal acabou ontem (tecnicamente hoje) às 00h45, o que me pareceu muitíssimo bem! Óbvio que os puristas poderão contestar que hoje é que é Natal e que a festa continua. Mas eu digo: continuar, continua... mas sem pipocas não é a mesma coisa!

Em quarto lugar... eu até acho o JC um tipo catita (porreiro não digo, pois não me agrada muito a palavra e faz-me lembrar o São José... Sócrates). Assim estilo Che Guevara da Palestina, mas em limpo e sem bóina (esta do limpo pode nem corresponder à realidade, até porque todos sabemos que as condições higieno-sanitárias da região na altura deixavam muito a desejar). Mas sempre me fez um pouco de espécie (usando uma expressão tão querida à minha boa amiga Isabela, a Predestinada: «faz-me espécie!») a história da visita do Anjo do Senhor (na realidade Arcanjo, pois há hierarquias no Céu), Gabriel (que inspirou uma bela música dos Lamb - tens de a pôr por aqui no teu espaço), a Maria (uma jovenzita humilde, filha de Ana e Joaquim - nomes tradicionalmente portugueses, o que levanta a questão se JC não seria português, o que explicaria muiiiiiiiiiiiiita coisa!). Ora, Maria foi impregnada com a semente do Senhor aos 12 anos, rezam as crónicas. Doze anos!!! E acabou por casar com um homem muito mais velho (nada contra, até porque é proverbial o meu gosto sensual por cotas giraços). Mas... 12 anos?!?! Não haverá aqui algum episódio de pedofilia?

Bem... como o comentário já vai longo, como levantei algumas questões polémicas (a tentativa abusadora do limão de se entrosar com a Corona, a hora a que acaba o Natal, as infrastruturas da Palestina à data da governação do Imperador César Augusto, a nacionalidade das personagens bíblicas e ainda a pedofilia), vou deixar-te gozar o teu Dia de Natal, que acredito que vá ser em excelente companhia!

Peço-te duas coisas: bebe um pouco de álcool por mim, já que não antevejo grandes hipóteses hoje e que tenhas um MUITO FELIZ NATAL!!!
Já te desejei um FELIZ NATAL? Olha, não faz mal!

E, excepcionalmente, uma beijoca lambuzada!


Nota: belheque!

Bongop disse...

Não tenho o Pai Natal Coca Cola (detesto-o enquanto representante dessa multinacional) pendurado na corda da roupa, apenas um pequenino Pai Natal com roupas verdes na porta de entrada, quanto ao menino de quem ninguém conhece as feições... credo!

Um muito bom Natal para ti e para a tua família!
(Não parece, mas também festejo a quadra, enquanto reunião da família de quem gostamos!)

Ana GG disse...

Gostei do teu texto, gosto de Coronas e assim-assim do Natal (já teve melhores dias).

Espero que passes umas Boas Festas ou umas Festas Boas ou qualquer uma dessas coisas que se costumam dizer e que eu também digo porque fica sempre bem.

Um novo ano com muitas descobertas!
beijo

catwoman disse...

Eu não me interessa o que dizem, os hipócritas ou os outros, acho que já esclareci, ou talvez não, o assunto no meu último post. O que me interessa realmente é no Nata, porque não o posso fazer o ano inteiro estar rodeada da familía que amo e que me ama, o resto vem por arrasto e porque gostamos. A passagem de ano dedico-a aos amigos de sempre, aqueles das horas boas e más, mas o Natal é uma coisa muito especial, muito familiar. Não porque o espir´to de Natal só exista nesta altura, mas pq só nesta altura nos dão o feriadinho para nos podermos juntar :). Quanto à Corona é um desperdício comprá-la e não trazer as limas, onde tinhas a cabeça, ome, não é assim que se fazem as compras. Enfim ainda bem que fez efeito, porque um texto do "Chove lá fora, e eu aqui rodeado pelo amor e calor humano da família...", não me parece muito o teu género.( se é desculpa). Bjs e um resto de bom Natal.

Francisco Vieira disse...

Eu tambem sou dos que ainda deslumbram com o natal, pelo facto de servir de desculpa para nos juntarmos todos, ou no meu caso, quase todos.

Comercializaram-no e certo, comecando pela Igreja, mas isso nao lhe retirou o espirito. Esse depende com o que cada um lhe quiser dar.

Continuacao de um bom natal para ti e aquele abraco

Adenosina Trifosfato disse...

O meu Natal foi à mesa em familia com dezenas de velas pela sala e cantos da casa, porque faltou a electricidade naquele canto do mundo.
Não houve fogos fátuos, luzinhas de árvore a tremeluzir, foi luz que aquece ao som do crepitar da lareira, e cantigas em cânone a substituir "jingles" em CD, músicas que se lembram em latim e outras de infância com refrões estafados mas que em uníssono nos transportam para um mundo onde há fio condutor, acolhida em mimo e a devolvê-lo generosa e grata.

Falou-se também de amor, de reencontro, numa acolhedora magia íntima que se desvenda do que se ilumina no Advento ou até um solstício celebrado ao que há-de vir ao que se abre a um compromisso de primaveras, mutação e renovação. É para mim um momento de anamneses para recuperar ou reiterar antes do sono o que em virtude há de desafio e melhor em nós.

Eu gosto do Natal.

Desejo-vos também em coro com outras vozes um ano cheio de "bons".

DREAMS disse...

Ola amigo,

Passei para te desejar votos de um Feliz Ano Novo, que seja mil vezes melhor que o ano velho :-)

Beijocas